Grupos de risco do coronavírus: quem são as pessoas mais vulneráveis à doença?

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De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de mortalidade do novo coronavírus fica em torno de 3% – mas este percentual tende a aumentar (e às vezes até quadruplicar) quando se fala em determinados grupos de pessoas, como idosos e portadores de algumas doenças. Saiba quem está no grupo de risco do coronavírus e quais cuidados estas pessoas devem tomar.

Grupo de risco do coronavírus

Ainda que a pandemia de COVID-19 ainda esteja em andamento, afetando todos os continentes do planeta, estima-se que 80% dos infectados pelo SARS-CoV-2 não precisarão de grandes cuidados para se recuperar da doença – situação comum para pessoas mais jovens e que passa a se inverter quando se fala em idosos ou outros grupos. São eles:

Idosos (acima dos 60 anos)

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Em todo o mundo, o COVID-19 causou uma série de mortes de pessoas com menos de 60 anos, mas, ainda assim, os mais vulneráveis em termos de idade são, segundo a OMS, os idosos. Quanto mais avançada for a idade, maiores são os riscos de a pessoa desenvolver complicações da doença (como insuficiência respiratória) e morrer em decorrência delas.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), isso tem uma explicação simples; em um comunicado publicado no site, a instituição afirma que o motivo pelo qual populações idosas correm mais risco diante do novo coronavírus é o mesmo que os faz vulneráveis perante outras infecções, como a gripe comum.

“Existe a imunosenescência, que é o envelhecimento natural do organismo e [que] pode deixar a pessoa idosa mais suscetível a infecções em geral”, afirmou a médica Maísa Kairalla, presidente da Comissão de Imunização da SBGG, na nota. A recomendação para eles, conforme explicou, é a de caprichar na higiene pessoal, alimentar-se bem, manter uma boa hidratação e ter as vacinas em dia.

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“É fundamental estar em dia com o calendário de vacinação para se proteger de múltiplas infecções”, afirmou a médica, se referindo, por exemplo, à vacina contra a gripe, que não protege contra o SARS-CoV-2, mas é indicada em meio à pandemia por garantir uma proteção extra contra outras condições que podem prejudicar ainda mais a imunidade ou levá-la ao hospital.

Outra recomendação que, apesar de geral, é especialmente forte para idosos, é a de praticar o isolamento social. Se possível, pessoas com mais de 60 não devem sair de casa nem receber visitas, e precisam evitar contato físico com outras pessoas (mesmo que integrantes da família).

Diabéticos

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Segundo a OMS, pessoas portadoras de diabetes – doença crônica ligada ao processamento de açúcar no sangue ou à produção de insulina pelo organismo – também fazem parte do grupo mais suscetível a complicações pelo coronavírus e, conforme explicam órgãos de saúde e estudos, os motivos para esta maior sensibilidade à infecção são diversos.

Para a Federação Internacional de Diabetes, a susceptibilidade do grupo a complicações por SARS-CoV-2 se deve ao fato de que, quando pessoas com diabetes desenvolvem qualquer tipo de infecção viral, o quadro acaba se tornando mais difícil de tratar devido ao possível descontrole nos níveis de glicose no sangue (ligado a uma queda na imunidade).

Quando o sistema imunológico está comprometido, o “ataque” do vírus tende a ser mais efetivo, e o desequilíbrio constante nos níveis de açúcar no sangue também favorecem estes micro-organismo porque, em ambientes com este tipo de excesso, eles têm maior facilidade de prosperar.

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Segundo a Associação Americana de Diabetes, levando isso em consideração, o controle da doença a partir de um tratamento adequado faz com que o risco do novo coronavírus para este grupo seja igual ao riso que ele tem para o restante da população – mas alguns estudos estudiosos que a susceptibilidade destas pessoas à doença esteja ligada a outra questão.

De acordo com um artigo científico publicado no periódico “The Lancet”, o risco maior que os portadores de diabetes correm diante do novo coronavírus pode ter relação com a enzima conversora de angiotensina 2 (ECA2), que ajuda o vírus a se ligar às células-alvo e aparece em quantidades aumentadas nestes pacientes devido a certos medicamentos que podem estar inclusos no tratamento.

É importante lembrar, porém, que o estudo em questão tem uma amostragem pequena e, como ainda há evidências clínicas desta relação, sociedades científicas (incluindo a Sociedade Brasileira de Diabetes) não recomendam que pacientes deixem de lado as medicações. O melhor, aqui, é manter os níveis de glicose controlados e seguir as mesmas orientações de higiene e isolamento que o restante da população.

Portadores de asma

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Pessoas com asma – condição inflamatória crônica que estreita as vias respiratórias e causa falta de ar – também estão na lista da OMS de grupos de risco para o novo coronavírus devido ao fato de que elas têm, por natureza, um sistema respiratório comprometido, algo que facilita as complicações (também respiratórias) geradas pelo COVID-19.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia, estas pessoas (especialmente as diagnosticadas com quadros considerados graves) devem seguir as orientações dos principais órgãos de saúde de restringir o contato social. Se possível, o trabalho deve ser feito em esquema de “home office”, e eventuais remédios devem ser comprados por parentes saudáveis.

Além disso, a sociedade também orienta que pacientes de asma sejam vacinados contra gripe e pneumonia para garantir uma proteção maior ao sistema respiratório, e que consultem um médico caso sintam falta de ar (especialmente acompanhada por febre e outros sintomas típicos de COVID-19).

Portadores de doenças cardiovasculares

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Conforme informa o Hospital do Coração (HCor), grande parte das mortes por coronavírus ocorreu em pessoas portadoras de doenças cardiovasculares, cerebrovascular e acometimento respiratório, fazendo com que elas também integrem o grupo de risco. Uma das especulações para isso é de que a situação relacionada à ECA2 se repete nestes casos, mas há ainda outras possíveis explicações.

Segundo informações da American College of Cardiology, outras doenças causadas por tipos de coronavírus, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), estão associadas a danos ao coração – algo que indica a possibilidade de estes vírus terem a capacidade de prejudicar o coração isoladamente.

Para estas pessoas, as recomendações dos órgãos de saúde são as mesmas: em primeiro lugar, elas devem se vacinar contra a gripe para garantir resistência a outros males comuns no Brasil nesta época do ano, bem como seguir com o tratamento das doenças cardiovasculares, mantendo-as controladas, e praticar tanto o isolamento social quanto bons hábitos de higiene.

Pessoas com a imunidade comprometida

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Segundo a OMS, pessoas que têm o sistema imunológico comprometido (como as portadoras de doenças autoimune, as que estão em tratamento para câncer e as transplantadas, por exemplo) também estão no grupo de risco do coronavírus, e o motivo é simples: quando a imunidade está baixa, o organismo tem mais dificuldade para combater infecções por vírus e bactérias.

Para estes pacientes, as recomendações também são as de restringir o contato social, evitando abraços e beijos (inclusive em médicos e membros da família), caprichar nos hábitos de higiene pessoal e buscar orientação médica caso sintomas de COVID-19 apareçam. Além disso, para pacientes de câncer, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica recomenda manter tratamentos em andamento.

Fumantes

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Tabagistas também entram, segundo a OMS, no grupo de risco do coronavírus e, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), ainda que não haja explicações específicas para o motivo disso, análises realizadas durante a epidemia chinesa de COVID-19 demonstram que a chance de progressão da doença foi 14 vezes maior entre pessoas com histórico de tabagismo em comparação com as que não fumavam.

Com isso, o órgão aconselha que estas pessoas deixem de fumar (incluindo narguilés e outros dispositivos do tipo) e sigam as mesmas recomendações de resguardo e higiene que o restante da população. Vale lembrar que o fumo compartilhado de cigarros eletrônicos e narguilés é uma possível forma de transmissão do coronavírus.

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