Transmissão do vírus está passando da rua pra casa: cuidados cruciais para quem sair

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Em mais uma coletiva de imprensa com informações sobre a pandemia de COVID-19, líderes da Organização Mundial da Saúde (OMS) chamaram atenção para o fato de que, em muitos lugares do mundo, o contágio pelo novo coronavírus está ocorrendo primordialmente dentro de casa – e, para conter isso, algumas medidas são necessárias.

OMS alerta para transmissão em casa

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Apesar de ter sintomas parecidos com os da gripe, o COVID-19 se espalha com uma facilidade maior e, quando há uma pessoa com a doença em casa, a probabilidade de as outras pessoas pegarem caso não adotem práticas de prevenção bastante estritas é alta – algo que, segundo a OMS, já está acontecendo na maior parte do mundo.

Em coletiva de imprensa, o diretor-executivo do órgão de saúde, Michael Ryan, afirmou que a transmissão do novo coronavírus já está deixando de ocorrer somente nas ruas e passando para dentro de casa. “De certo modo, a transmissão vem das ruas e é levada para dentro da unidade familiar”, afirmou, enfatizando a importância do isolamento social para frear esse contágio.

Como reduzir risco de trazer vírus para casa

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Ainda que a recomendação dos órgãos de saúde seja, em geral, a de que as pessoas se isolem socialmente e busquem trabalhar de casa, há diversos serviços (como supermercados e farmácias) que permanecem abertos por serem considerados essenciais, e os funcionários destes estabelecimentos têm de sair de casa, muitas vezes usando o transporte público.

Além disso, muita gente ainda precisa circular para fazer compras, sendo, portanto, impossível evitar que absolutamente todas as pessoas fiquem em casa o tempo inteiro. Quem sai do ambiente domiciliar, porém, precisa redobrar os cuidados tanto fora de casa quanto dentro dela. Confira formas de reduzir os riscos de contágio domiciliar pelo novo coronavírus:

Etiqueta respiratória e higiene pessoal dentro e fora de casa

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Tanto em casa quanto na rua, é essencial seguir as principais medidas de higiene indicadas pela OMS – ou seja, praticar a etiqueta respiratória e caprichar na higiene pessoal. É indicado, por exemplo, usar o braço ou lenço de papel descartável para cobrir ao rosto ao espirrar, lavar as mãos com água e sabão ou higienizá-las com soluções alcoólicas próprias para isso e evitar tocar o rosto.

Fazendo isso fora de casa, é possível reduzir bastante os riscos de contágio e, consequentemente, os riscos de levar o vírus para dentro de casa. Já fazendo isso no lar, é possível minimizar o risco de contaminar superfícies e pessoas tanto com as próprias mãos quanto com secreções (caso a pessoa tenha contraído a doença).

Cuidados em ambientes comuns (transporte público, elevadores e mais)

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Ao sair de casa para trabalhar ou fazer uma tarefa essencial como ir ao mercado ou à farmácia, é natural se deparar com outras pessoas, ter de usar o transporte público ou passar por outros ambientes comuns (como elevadores e escadas) – e é importante caprichar na prevenção contra o novo coronavírus em todos estes momentos.

Primeiramente, em qualquer ambiente, é indicado manter distância das outras pessoas (ficando a cerca de um metro delas), evitar o contato direto (como em abraços, beijos e apertos de mão) e manter a etiqueta respiratória. Em segundo lugar, é essencial evitar ao máximo tocar o rosto, bem como esterilizar as mãos logo após, por exemplo, desembarcar do ônibus ou tocar nos botões do elevador.

Fora de casa, também é indicado evitar ao máximo aglomerações, e algumas atitudes simples ajudam. Se precisar usar um elevador, por exemplo, o indicado é esperar um que não esteja lotado (e o mesmo vale para o transporte público conforme for possível).

Higiene no carro

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Apesar de o carro ser algo mais particular, também é importante mantê-lo limpo e conservar os bons hábitos de higiene ao dirigir. Após tocar no volante, no painel, no rádio e em outros locais do veículo, é importante evitar o contato das mãos com o rosto, e é necessário higienizar as mãos (lavando com água e sabão ou usando álcool em gel) após sair dele.

Além disso, assim como é necessário higienizar a casa, é importante desinfetar o interior do carro – e a Hyundai, marca de automóveis, disponibilizou dicas de um médico infectologista em seu site sobre como fazê-lo. Em primeiro lugar, é essencial limpar as superfícies mais sujeitas a contato com as mãos ou gotículas de espirros (como volante e o painel em geral) com álcool 70%.

No caso de bancos sintéticos, a ideia é higienizar com água e sabão (sem molhar muito o estofado para não favorecer a proliferação de fungos), e é sempre bom bater ou aspirar os tapetes. Além disso, a companhia também recomenda que se abra as janelas em vez de usar o sistema de ventilação e ar-condicionado do veículo (especialmente quando houver mais de uma pessoa nele).

Higiene de ambientes e superfícies de uso comum

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Tanto em casa quanto, por exemplo, no local de trabalho, é imprescindível manter uma boa higiene, especialmente das superfícies de uso comum como pias, balcões, mesas, maçanetas, entre outros. Isso porque, segundo estudos sobre outros coronavírus, estima-se que o SARS-CoV-2 pode sobreviver por horas ou dias em superfícies, e tocar o rosto após tocar nelas pode bastar para haver contágio.

Aqui, a ideia é usar produtos como água e sabão ou álcool para desinfetar superfícies, mas, segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o uso de água sanitária também funciona contra o coronavírus. Além de ter o mesmo efeito que o álcool na eliminação de vírus e bactérias, o ministro enfatizou que ela ainda é mais segura por não se tratar de um produto inflamável.

Distanciamento social e isolamento também em família

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Nesta situação, todo o cuidado para evitar o contágio é pouco e, por isso, é importante que o distanciamento social também ocorra em casa com algumas medidas simples. Isso porque ainda é possível contrair COVID-19 mesmo sem tocar diretamente uma pessoa infectada – e mesmo sem alguém da família apresentar sintomas graves.

Conforme explica João Prats, infectologista da BP, a Beneficência Portuguesa de São Paulo, pessoas infectadas, mesmo com sintomas leves, tendem a espalhar vírus pelo ambiente. Se ela estiver com tosse, por exemplo, acaba povoando os locais com vírus constantemente, e também pode transmitir a doença a partir de itens pessoais compartilhados.

Mesmo em família, portanto, é importante que as pessoas mantenham certos hábitos, como o de ter as próprias toalhas, de não partilhar objetos como talheres e copos, e de higienizar os ambientes corretamente. Caso um integrante da família apresente sintomas leves, a orientação de órgãos de saúde é a de se isolar dos outros, bem como usar máscara cirúrgica mesmo dentro de casa.

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Além disso, contato físico é contraindicado a todos, e mesmo dentro de casa é essencial manter a higiene pessoal, desinfetando as mãos constantemente e usando o braço ou lenços descartáveis para cobrir o nariz e a boca ao tossir ou espirrar. No caso de mães no puerpério, especialistas indicam não suspender a amamentação, e sim usar máscara e higienizar bem como lavar as mãos constantemente caso estejam com sintomas.

Durante a quarentena, também não é indicado que as pessoas recebam visitas, mesmo que de membros da família, que podem ter a infecção sem manifestar sintomas graves e transmiti-la para integrantes do grupo de risco (como idosos, portadores de diabetes e imunodeprimidos).

Cuidar de pessoas do grupo de risco e conscientizar crianças

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De acordo com a OMS, pessoas com mais de 65 anos e os portadores de diabetes, asma, doenças imunológicas e em tratamentos que prejudicam a imunidade (como quimioterapia) têm mais risco de desenvolver complicações caso sejam infectadas pelo SARS-CoV-2 – portanto é essencial que elas sejam mantidas em casa o máximo possível.

Quem convive com idosos deve tomar cuidados redobrados com a higiene pessoal e da casa, bem como não deixar que eles saiam para realizar compras ou quaisquer outras tarefas, exceto ir ao médico em casos de emergência. Ao prevenir o contágio de pessoas com mais chances de ter complicações graves, poupa-se não apenas as vidas delas como também o sistema de saúde.

Além de isolar idosos, porém, também é preciso isolar crianças e adultos. Apesar de não serem parte do grupo de risco e, de forma geral, desenvolverem quadros brandos da doença, estas pessoas ainda podem transmitir o vírus ao espirrar, tossir ou compartilhar itens, então também devem ter bons hábitos de higiene e praticar a etiqueta respiratória. Segundo a OMS, é necessário dar boas diretrizes às crianças, explicando de forma franca a importância destes hábitos.

Desinfetar ou isolar tudo o que for trazido

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Apesar do isolamento, ainda é necessário fazer compras e, mesmo que elas cheguem por entregas, é essencial desinfetar ou isolar tudo o que vem de fora. Itens como produtos do supermercado, cartões de crédito e celulares devem ser devidamente esterilizados com álcool 70%, água e sabão (no caso, por exemplo, de óculos) ou uma solução com água sanitária (como frutas e verduras).

Enquanto isso, itens como carteira e chaves de casa devem ser isolados em um lugar específico longe do alcance de crianças (como uma bandeja ou caixa perto da porta, por exemplo). Sapatos e roupas usadas fora de casa também precisam ficar distantes de outras peças, objetos e pessoas, e podem ser ou lavadas ou penduradas, por exemplo, em um banheiro para repetir o uso na próxima saída.

Além disso, delivery de comida ou encomendas também devem seguir um protocolo de higiene; ao receber a entrega, é importante higienizar corretamente as mãos, descartar as embalagens e servir o alimento em um prato.

Hospital e médico apenas se houver sintomas graves

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Caso alguém da família fique doente, mas sem apresentar sintomas preocupantes (como dor no peito e dificuldade para respirar) a orientação dos órgãos de saúde é a de ficar em casa não apenas para desafogar o sistema de saúde, mas para evitar a possível transmissão para outras pessoas no pronto-socorro ou o possível contágio por vírus e bactérias que circulam no local.

Nesse caso, para não se contaminar e eventualmente trazer o vírus para casa, o ideal é se comunicar com um especialista via telemedicina (serviço disponibilizado por alguns médicos e planos de saúde) para receber orientações ou usar serviços como o aplicativo do SUS ou o enfermeiro digital criado por médicos, ambos capazes de direcionar corretamente pacientes com suspeita de COVID-19.

Em caso de falta de ar, a orientação é se dirigir ao atendimento de emergência.

Higiene dos pets

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Como atividades ao ar livre estão liberadas desde que não haja contato com outras pessoas ou aglomerações, e os hábitos de higiene se mantenham fora de casa, ainda há quem esteja passeando com os cachorros na rua – e também é importante fazer uma higienização especial nos pets ao voltar para casa. Desinfetar as guias e até os próprios bichinhos é essencial para prevenir ao máximo a contaminação, já que a pelagem pode carregar o vírus.

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