Este não é o momento de fazer dieta, dizem médicas sobre período de pandemia

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Dietas restritivas já não são recomendadas por médicos de maneira geral, devido aos danos que podem causar à saúde e à ineficácia no emagrecimento a longo prazo. Porém, neste momento em que o mundo enfrenta a pandemia do coronavírus, a estratégia tem sido especialmente desaconselhada por especialistas, já que manter a imunidade alta deve ser prioridade agora.

A recomendação é manter uma alimentação equilibrada e saudável, tomando o cuidado de não exagerar nas calorias, mas não restringindo nutrientes (principalmente sem orientação). Veja como:

    Dietas não são recomendadas durante a pandemia

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    Fazer dieta é diferente de seguir uma alimentação equilibrada: enquanto a primeira implica em restrições (seja na quantidade de calorias, seja na ingestão de certos grupos alimentares, como os carboidratos), a segunda remete a um hábito sustentável voltado para a nutrição adequada do corpo.

    Neste período de quarentena pela pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2), muitas pessoas têm demonstrado preocupação tanto com um possível ganho de peso causado pela soma de estresse, tédio e falta de atividades físicas, quanto com a necessidade de adequar o peso corporal, uma vez que a obesidade é um fator de risco para a COVID-19.

    Entretanto, segundo as especialistas consultadas pelo VIX, começar uma dieta neste momento, especialmente sem orientação médica, pode ser perigoso e prejudicar o pleno funcionamento do sistema imunológico - fundamental para o caso de uma possível contaminação pelo vírus.

    A nutróloga Nívea Bordin, da Clínica Leger, explica que a priorização de alguns alimentos em detrimento de outros leva o corpo a um déficit de nutrientes.

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    “Isso pode baixar a imunidade, e o nosso sistema imunológico precisa estar forte, com todos os nutrientes. Não existe nenhum alimento que seja milagroso ou protetor de alguma infecção viral, bacteriana ou fúngica. O nosso organismo precisa de todos os nutrientes para se restabelecer todos os dias, funcionar normalmente, nos manter em equilíbrio e com a imunidade boa”, diz.

    Para a endocrinologista Rosália Padovani, vale um alerta especial para as dietas muito restritivas e para as chamadas VLCD (very low carb, ou seja, muito baixas em carboidratos), que comprometem nosso sistema imunológico.

    Nívea destaca, porém, que evitar dietas restritivas não significa comer demais ou qualquer coisa. "Agora é a hora de pensarmos na nossa saúde: uma dieta balanceada neste momento é o ideal ”, diz a médica.

    Como se alimentar bem na quarentena

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    Quem já segue uma alimentação orientada por profissional da saúde, seja por intolerâncias, para adequar o peso ou qualquer outro objetivo, deve continuar com a rotina, mantendo sempre contato com seu nutricionista ou médico.

    Já para quem não seguia nenhum tipo de plano alimentar específico antes da quarentena, as médicas orientam buscar uma oferta nutricional equilibrada, isto é, com proteínas, carboidratos complexos, frutas, verduras e legumes.

    “O paciente precisa, sim, se alimentar de carboidratos, legumes, frutas e proteínas para se manter bem. Essas são as fontes de minerais, vitaminas e aminoácidos de que o corpo precisa”, diz Nívea.

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    A nutróloga lista algumas opções que podem estar na mesa durante a quarentena: quinoa, inhame, batata-doce, batata-baroa, aipim, chuchu, cebola, alho, gengibre, folhas verdes (couve, rúcula, aspargo, brócolis, salsinha), pera, maçã, melão, acerola, limão, abacate, entre outras.

    Já Rosália recomenda também o controle no consumo de frituras, doces, café e bebidas alcoólicas. "A medida ajuda no controle do peso e na melhora da nossa imunidade", diz a endocrinologista.

    Com a telemedicina regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e Ministério da Saúde durante a pandemia, quem busca orientação e acompanhamento nutricional pode recorrer a este meio para se consultar com um endocrinologista ou nutrólogo pelo telefone ou internet, a fim de obter uma avaliação individual.

    Coronavírus e quarentena