Preciso ir ao médico: quando e como usar a telemedicina, liberada durante pandemia de Covid-19

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Diante da pandemia de COVID-19, que criou a necessidade de se ficar em casa pelo máximo de tempo possível, o Conselho Federal de Medicina (CFM) reconheceu, junto ao Ministério da Saúde, a telemedicina como uma possibilidade ética de atendimento, o que permite que médicos atendam os pacientes à distância.

CFM libera a telemedicina

Para reduzir a transmissão do novo coronavírus, a orientação de órgãos de saúde do mundo todo é a de evitar sair de casa – mas em meio à pandemia, é natural que muita gente tenha dúvidas diante de sintomas da doença, ou precise dar andamento a algum tratamento. Com isso, o CFM reconheceu a possibilidade de médicos e pacientes se conectarem via telemedicina. O serviço é liberado para as redes SUS, suplementar (planos e seguros de saúde) e privada.

No comunicado publicado no site, o órgão afirma que a técnica (onde a consulta geralmente ocorre através de chamadas de vídeo) “contribui para o aperfeiçoamento e a máxima eficiência dos serviços médicos prestados no País”, e atesta que a decisão deve valer por todo o tempo que durar o combate à pandemia do novo coronavírus.

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Consulta por vídeo: como acontece?

Na resolução da CFM, o órgão reconhece a aplicação da telemedicina por meio de teleorientação, telemonitoramento e teleinterconsulta – e Ricardo Salem, diretor médico da Care Plus (operadora de saúde que tem realizado atendimentos virtuais em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein com foco na pandemia de COVID-19) explica o que é cada uma delas.

  • Teleorientação: de acordo com Salem, esta modalidade serve para que os médicos façam, à distância, o encaminhamento do paciente. “O médico vai realizar a orientação do paciente em relação a seu quadro clínico e o encaminhamento dele para o que ele precisar, também para pedir algum exame, passar uma orientação”, afirma ele;
  • Telemonitoramento: aqui, o atendimento consiste na supervisão de um paciente, para monitorar a evolução de sintomas ou de um quadro. “Por exemplo, para um paciente que tem problemas de pressão e precisa ser monitorado, o médico acompanha à distância como estão esses parâmetros”, comenta Salem;
  • Teleinterconsulta: esta modalidade, por sua vez, envolve um segundo especialista. Segundo Salem, ela é utilizada quando o paciente precisa, por exemplo, ouvir a opinião de um segundo médico (geralmente de uma área mais específica), e garante a troca de informações entre especialistas para ajudar no diagnóstico e tratamento do paciente.
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A consulta, por sua vez, ocorre de formas variadas, a depender da empresa e do profissional. “Em algumas situações, o paciente é inicialmente atendido por um enfermeiro que entende qual é a demanda e, muitas vezes, resolve a questão. Se necessário, transfere a ligação ou chamada de vídeo para o médico”, afirma Giselle Diniz, diretora médica do Sami, empresa focada nesse tipo de atendimento.

Em geral, estes serviços também possibilitam outros recursos necessários em atendimentos médicos, como a possibilidade do médico enviar prescrições de medicamentos ou exames – tudo, segundo Salem, enviado ao paciente por e-mail com a assinatura do médico certificada digitalmente.

Embora a telemedicina proponha um atendimento mais simplificado devido ao fato de que não é possível examinar o paciente de forma detalhada (observar profundamente um ouvido, por exemplo, não é viável), Salem explica que a ferramenta tem um grande valor tanto para pacientes que estão reportando um problema pela primeira vez quanto para os que têm tratamentos em andamento.

“Do lado do paciente, ele vai olhar para o médico e se sentir seguro ao ver os resultados dos exames, recebendo recomendações pertinentes. Com essa estratégia, nós entendemos que estamos ajudando nossos beneficiários a continuarem seus tratamentos, mantendo-se sadios e dentro da melhor condição clínica possível”, afirma.

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Quem deve buscar e como?

No cenário atual, a ideia é buscar o teleatendimento nos casos em que o paciente manifesta sintomas incômodos, sejam eles relacionados ou não ao COVID-19, para receber orientações de como proceder. Além disso, também é possível buscar esse tipo de atendimento para dar continuidade a tratamentos.

De acordo com a publicação do Ministério da Saúde, “o atendimento deverá ser efetuado diretamente entre médicos e pacientes, por meio de tecnologia da informação e comunicação que garanta a integridade, segurança e o sigilo das informações”.

Vale lembrar que, no caso de sintomas suspeitos de COVID-19, a orientação do governo é buscar atendimento médico presencial somente em caso de sintomas alarmantes, como falta de ar e dificuldade respiratória.

Importância da telemedicina na pandemia

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Em meio à pandemia, a orientação dos órgãos de saúde é a de sair de casa apenas para o que for estritamente necessário – e, com isso, pacientes que fazem acompanhamento médico periódico podem sair prejudicados. Segundo Salem, casos assim já têm sido resolvidos com a telemedicina, pela qual pacientes que tinham, por exemplo, retornos marcados para ajustar medicações ou avaliar exames, podem dar continuidade ao tratamento.

Além de permitir a continuidade de tratamentos, o atendimento à distância impede que o paciente se coloque sob o risco de contágio por COVID-19 desnecessariamente – e também ajuda o sistema de saúde a não ficar sobrecarregado, um tópico de grande preocupação diante do aumento no número de casos de infecções pelo novo coronavírus.

“Sabe-se, por exemplo, que mais de 70% das idas e consultas no pronto-socorro poderiam ser evitadas. O fato de o paciente ir até lá gera um desgaste para toda a cadeia do sistema, além do que o custo do atendimento em pronto-socorro é consideravelmente maior do que o paciente sendo atendido em um ambiente de menor complexidade”, afirma Salem.

Segundo Giselle, a busca por esse tipo de atendimento já aumentou um bocado diante da pandemia – e, neste cenário, ela acredita que a telemedicina é de grande ajuda. “A telemedicina direciona aos hospitais apenas os casos que lá devem procurar atendimento, evitando a propagação da doença”, diz, se referindo ao fato de que pacientes com sintomas brandos devem ficar em casa.

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Os convênios cobrem? Como marcar?

De acordo com a Associação Brasileira de Planos de Saúde (a ABRAMGE), hoje, há alguns planos de saúde e outras categorias de prestadores de saúde que oferecem a modalidade de teleorientação (a “consulta” propriamente dita) – mas cada convênio funciona de uma maneira e é preciso pesquisar a cobertura ao cogitar a utilização deste serviço.

Quanto ao acesso, a forma de buscar atendimento também varia de seguradora para seguradora – enquanto algumas disponibilizam um número de telefone, outras (como a Care Plus e a Sulamérica, por exemplo) têm plataformas próprias como aplicativos ou sites que o paciente deve acessar para realizar a orientação. Aqui, aconselha-se buscar orientações de acesso junto da operadora.

Além disso, porém, alguns médicos que tiveram de fechar seus consultórios em decorrência da quarentena também estão atendendo por chamadas de vídeo ou áudios, em horários agendados como de costume. Caso o paciente tenha um acompanhamento médico em andamento ou consulta marcada, o ideal é entrar em contato com o profissional para avaliar a possibilidade de atendimento à distância.

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