Câncer de mama indolente e a polêmica dos casos que são tratados sem necessidade

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Descobrir um câncer de mama é traumatizante para qualquer mulher, não apenas pelo risco de perder a própria vida, mas também por causa do tratamento desgastante, que costuma ser feito com cirurgia, quimio e radioterapia e ter efeitos como queda massiva de cabelo e mal-estar intenso.

No entanto, nem todo câncer de mama que é tratado cresceria a ponto de causar sintomas ou colocar a vida da mulher em risco. Esse tipo de câncer é chamado de “indolente” e é mais comum do que se imagina.

Câncer de mama indolente: o que é 

O câncer de mama indolente é o tipo de tumor que evoluirá de maneira muito lenta e não chegará a causar sintomas ou risco à vida da mulher. No entanto, atualmente, opta-se por tratar a paciente mesmo nesse caso, por ser impossível prever se o câncer vai crescer ou não.

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As etapas desnecessárias pelas quais mulheres com câncer de mama indolente passam são chamadas de sobrediagnóstico e sobretratamento.

A questão é polêmica: se por um lado as chances de cura do câncer de mama são maiores quando ele é detectado e tratado precocemente, por outro muitas mulheres passam pelo processo traumático, dolorido e fisicamente degradante do tratamento sem necessidade.

Quais as chances de isso acontecer? 

O câncer indolente pode acontecer em qualquer parte do corpo. Na tireoide, por exemplo, ele pode responder por até 90% dos tumores identificados.

Na mama, a incidência conhecida não é tão grande, mas também merece atenção. De acordo com um estudo canadense que analisou dados de quase 90 mil mulheres por um período de 25 anos, 50% dos cânceres de mama impalpáveis, detectados apenas na mamografia, eram de sobrediagnóstico, ou seja, de tumores que não precisariam ser tratados.

A incidência chegou a 72% quando foram incluídos na análise os casos de carcinoma in situ, lesão em que as células cancerosas estão apenas na camada que as originou e ainda não invadiram o órgão. Nesse caso, as chances de que o câncer não se desenvolva são maiores.

O que acontece com a mulher com câncer de mama indolente

O mastologista José Luís Esteves, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia, explica que, atualmente, não é possível saber, no momento do diagnóstico, qual tumor vai se tornar um câncer perigoso. “As mulheres são operadas e tratadas com quimio e radioterapia no começo porque a ciência ainda não mostra quais dessas lesões vão virar câncer”, diz.

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Selecione /shutterstock

Deixar de realizar o tratamento no momento inicial, portanto, pode ser positivo para algumas mulheres, mas, para outras, pode implicar na evolução do câncer, necessidade de tratamentos mais agressivos e, possivelmente, morte, caso em que o médico pode até responder por responsabilidade.

O médico explica ainda que, apesar de haver pesquisas sendo realizadas atualmente com esse objetivo, ainda não existem marcadores que apontam qual será a evolução do câncer da paciente logo no começo. Caso isso existisse, seria possível evitar o sobrediagnóstico e o sobretratamento.

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