8 conselhos para criar filhos como Lázaro e Taís: conscientes, justos e amorosos

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Globo/ Estevam Avellar

Um dos casais mais carismáticos no mundo das celebridades, Taís Araújo e Lázaro Ramos estão casados há 12 anos e não medem esforços para compartilhar com os fãs as dificuldades e as vitórias de criar filhos em uma sociedade tão desigual em questões de etnia, gênero e classe social. Os atores são pais de Maria Antônia, que nasceu em 2015, e João Vicente, quatro anos mais velho.

Taís Araújo e Lázaro Ramos: filhos

Embora o casal tente preservar ao máximo a figura dos pequenos, evitando exposições nas redes sociais e muitas aparições públicas, não hesitam em compartilhar como é a educação deles e quais desafios enfrentam.

As diferentes respostas públicas dadas sobre o mesmo assunto permite ter uma ideia de como Maria Antônia e João Vicente são criados - e embora não exista fórmula exata, certamente Taís e Lázaro estão fazendo um excelente trabalho e servem de inspiração.

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Agnews / Agnews

Relação baseada no diálogo

Um dos conselhos mais modernos, eficientes e consensuais entre diferentes profissionais é a importância de estabelecer uma relação em pais e filhos baseada no diálogo. Em entrevista ao site Purepeople, a atriz contou que ela e o pai das crianças apostam em uma relação de diálogo com as crianças. “Fico atenta, procuro saber tudo o que está acontecendo. A gente vai aprendendo a ser mãe no dia a dia. Conversamos bastante", explicou a atriz.

Limite estabelecido com carinho e amor

Para Lázaro, além do diálogo, a criação deve ocorrer na base do respeito e sem medo. Ou seja, os filhos precisam compreender que é essencial respeitar os pais através dos exemplos e da disciplina positiva, sem que para isso eles precisem usar de qualquer artifício violento. Em entrevista ao Purepeople, ele comentou que para a sua família limite é sinônimo de amor. “Eles são meio criados à antiga, a palavra da gente tem muito valor para eles. Somos amigos na hora que tem que ser, mas também somos pais na hora que tem que ser", disse o ator.

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Anderson Borde / AgNews

Consciência e conscientização sobre o racismo

Em uma palestra no TEDx São Paulo, Taís contou como é sua experiência ao criar os filhos no Brasil, um país altamente racista. "(...) Meu filho é um menino negro e liberdade não é um direito que ele vai usufruir. No Brasil, a cor do meu filho é o que faz que as pessoas mudem de calçada, segurem suas bolsas, blindem os seus carros”, desabafou a atriz.

Por isso, na tentativa de minimizar estas tristes consequências para seu pequeno e para todos os outros jovens negros, o casal insistentemente trava debates sobre a discriminação racial existente no país.

Além disso, dentro de casa, buscam reforçar a representatividade negra através de brinquedos, personagens e produtos. "Meu filho nasceu depois de Karatê Kid (2010), a versão que traz Jaden Smith no papel principal (...), o Homem-Aranha Negro da Marvel (2015); Doutora Brinquedos (2012-2014)”, escreve em seu livro, "Na minha pele”. “Hoje também existem bonecas negras e vários livros infantis que contemplam a cultura negra. Isso é um alívio”.

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William Oda/ AgNews

Valorização e auto-estima

Outro aspecto que preocupa o casal é o desenvolvimento afetivo e da auto-estima de seus pequenos. Este é um ponto importante e desafiador na família porque, como analisa em seu livro, muitas pessoas negras, em resposta e defesa ao racismo que sofrem, acabam criando um tipo de "amor embrutecido". “Eu me policio a cada dia para criar meus filhos com mais toque, com mais afeto e com mais consciência”, conta.

Luta contra o machismo

Por ter filhos dois dois gêneros, a educação contra o machismo também está presente na vivência da família. "A gente vive numa sociedade muito machista, não é? Eu tenho um filho menino uma filha menina. A gente tem que prestar muita atenção na maneira com que educa os filhos para não educar nessa cultura do machismo que a gente tem em nosso país", desabafou durante uma participação no programa “Domingão do Faustão”, da Tv Globo.

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Webert Belicio/ AgNews

Desafio de criar meninas emancipadas

No Instagram, a atriz também compartilhou um desabafo sobre a liberdade que os pais devem dar às escolhas dos filhos desde a primeira infância. O relato é sobre as escolhas de brinquedos que Maria Antônia fez. A pequena optou por brincar de boneca, casinha e adora a cor rosa. Esse universo é “de menina”, segundo o senso comum. Isso é uma repetição do mundo e é um ato inconsciente que toda criança faz, segundo o texto de Taís.

“A minha primeira ação foi apresentar a ela outras opções, para que ela pudesse perceber que além do mundo de fadas, bonecas, saias, panelinhas e princesas existe muita coisa legal com que ela também pode brincar. Eu, como mãe, acredito que devo continuar dando opções para que ela sempre saiba que pode sim ser o que quiser: astronauta, bailarina, bombeira, princesa, médica, fada, engenheira, cozinheira, professora, princesa, passadeira… não importa, o que importa é ela conquistar a liberdade de ser o que ela quiser”, concluiu a atriz na postagem que teve mais de 130.000 curtidas.

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Anderson Borde/AgNews

Respeito às diferenças

Constantemente, o casal também fala sobre a necessidade de que os dois filhos, desde muito pequenos, aprendam a aceitar, conviver e essencialmente respeitar as diferenças, sejam elas de qualquer origem. "Como criar crianças que acreditem que pluralidade e diversidade são riquezas, em um país que é tão plural, que é tão diverso e que é tão desigual? As diferenças não são um problema, desde que elas não causem desigualdade e para isso acontecer, eu tenho a sensação de que a gente tem que começar a olhar para o outro com humanidade, com afeto. É um exercício.", comentou.

Exemplo e mão na massa

Na palestra, a atriz contou que tomar consciência de que atitudes individuais suas podem contribuir para um mundo melhor para eles é um dos passos mais importantes. "Como eu posso melhorar a vida das pessoas? Fico pensando que talvez a gente tenha que transformar nossos pensamentos, nossas falas, em ação. E entender que as ações individuais geram impacto no coletivo e o coletivo é a nossa sociedade. As pequenas ações são valiosas e são capazes de mudar o mundo", defendeu.

Educação dos filhos: lições sobre tolerância