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Problema não são os seios da Marquezine: é a desvalorização do natural e diferente

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Daniel Pinheiro/AgNews

O Carnaval de 2018 foi marcado por polêmicas que vão desde desfiles que desmascaram a política até o estilo de famosas. Um dos mais marcantes foi o debate que se iniciou após usuários de redes sociais publicarem críticas sobre os seios da atriz Bruna Marquezine, expostos na fantasia usada por ela no Bloco da Favorita, no Rio de Janeiro.

Críticas sobre seios de Marquezine

Para o evento, a atriz escolheu um visual ousado e sexy: micro-top bordado com pedras que cobriam somente os mamilos e uma estrutura que contornava e dava suporte aos seios, hotpant, meia arrastão, tênis e maxi-óculos. Mas não foram os comentários sobre seu look que dominaram a web.

Muitos internautas comentaram que os seios da atriz eram caídos, pequenos e até mesmo murchos. Alguns insinuaram que a atriz tem muito dinheiro e, por isso, deveria colocar próteses de silicone.

Cada corpo (e peito) é diferente

As críticas foram contra-atacadas por uma avalanche de comentários que defendiam a naturalidade do corpo feminino e destacavam que seios grandes, duros e empinados são possíveis apenas com cirurgias plásticas.

Alguns lembraram que seios podem ser de vários tamanhos e formatos, inclusive bem diferentes da imagem que se tornou o padrão desejável, e sugeriram que os críticos não sabiam mais o que eram peitos naturais, pois só sabiam valorizar aqueles com silicone.

Apesar disso, era tarde demais e o debate havia dominado o cenário cibernético. Mas afinal, por que a estética dos seios de alguém pode ser motivo de uma discussão tão acalorada?

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Anderson Borde e Daniel Pinheiro/AgNews

Padrão de beleza afeta todos

A psicóloga Adriana Guimarães, proprietária do Instituto de Medicina Tradicional e Psicologia e mestre em educação, acredita que a polêmica é fruto do padrão estético que ainda acreditamos ser ideal.

"As pessoas veem imagens de celebridades e influenciadoras com seios siliconados e pensam que aquilo é normal. Com isso, há uma inversão de valores em que a exceção se torna regra e qualquer pessoa que fuja dela é ridicularizada", esclarece.

Para ela, o Brasil passou a assimilar a cultura norte-americana do silicone de uns tempos para cá e o advento das redes sociais reforçou esse estereótipo.

"Se alguém ficar nas redes sociais por muito tempo e vir muitos corpos plastificados, vai querer ser igual porque, infelizmente, somos seres muito influenciáveis", afirma a especialista sobre como as mídias sociais interferem em nossa autoestima.

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Daniel Pinheiro/AgNews

Origem e consequência das críticas

Adriana ressalta que, embora não haja nada de errado com os seios de Marquezine, tais comentários podem influenciar negativamente outras mulheres com mesmo biotipo da atriz, reduzindo a autoestima e autoconfiança delas.

A psicóloga acrescenta que a baixa autoestima pode estar, inclusive, presente nos críticos, criando um mecanismo de defesa que os faz desmerecer e desqualificar outras pessoas para se sentirem melhor consigo. 

Corpo não é público

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Jorge Bispo/harper's bazaar

Esta não é a primeira vez que o corpo de uma famosa é tratado como um bem público: o corpo da cantora Rihanna já foi criticado, assim como o estilo de Anitta sofreu julgamentos também, além de muitas outras mulheres, sejam conhecidas ou não. 

Embora a beleza seja subjetiva, ainda há quem insista em avaliá-la, mesmo quando esta opinião não é pedida ou bem-vinda. 

"Para terceiros, não deve importar se alguém tem seios maiores, menores, caídos ou empinados. A única pessoa que pode se importar com isso é a própria mulher, que precisa cultivar amor próprio, reconhecer seus atributos e se fortalecer mentalmente para que críticas assim não a prejudiquem", aconselha a psicóloga Adriana Guimarães.

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