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Casos de demência e a pandemia de Covid-19: como estes fatores se relacionam?

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Causada pelo declínio progressivo da capacidade intelectual, a demência é uma doença sem cura caracterizada, basicamente, pela dificuldade de memorização e de resolver problemas cotidianos.

Estudos recentes apontam que a pandemia de Covid-19 deve aumentar a incidência de demência em todo o mundo, afetando principalmente a população idosa. E os fatores de risco podem ser tanto físicos quanto comportamentais.

Qual é a relação entre Covid-19 e demência

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joshimerbin via Shutterstock

Já se sabe que o isolamento, a ausência de contato social e a falta de estímulos cognitivos aumentam os riscos de desenvolvimento de demência.

Durante a pandemia, sem poder sair de casa, encontrar conhecidos e realizar tarefas do dia a dia, como fazer compras ou praticar exercícios, por exemplo, os idosos já estariam consequentemente mais vulneráveis.

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Isso porque, na senescência, a ausência de contato social e de estímulos cognitivos pode ter consequências graves: em alguns casos, ela é um fator de risco para o desenvolvimento de demência. Já existe uma epidemia de demência no mundo.

“O ser humano é um animal social, não foi programado para viver em isolamento. Então, a obrigação de nos isolarmos causa grande estresse (...) Não é possível que isso não seja ruim para o cérebro. Quebrar o contato, não ter nenhum estímulo, nenhum desafio cognitivo. Isso não é natural, e as consequências acontecem”, afirmou o neurologista especializado em demência Fábio Porto em entrevista à BBC News Brasil.

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Ferenc Cegledi/istock

De acordo com o médico, o isolamento imposto pela pandemia ainda contribui para as chances de demência ao afetar as reservas cognitivas, que são como bancos de ideias, conhecimentos, saberes e afetos que acumulamos ao longo da vida. "Quanto mais acumulamos, mais temos recursos para resistir quando uma doença degenerativa se instala no nosso cérebro”, explica.

Impacto da Covid-19 no cérebro

Mas não é apenas a ausência de contato e atividades sociais que podem elevar os riscos de demência. Pesquisas mostraram, por exemplo, que a própria Covid-19 pode afetar o cérebro.

Em quem teve Covid, os estudos mostram uma grande prevalência de declínio cognitivo. A pessoa fica mais desatenta, menos motivada, mais indecisa ou pode apresentar demência, afirma Porto.

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De acordo com o neurologista Saulo Nader, do Hospital Israelita Albert Einstein (São Paulo), apesar de ser conhecido por atuar no trato respiratório, o SARS-CoV-2 também pode atingir o sistema nervoso central e fazer com que o paciente apresente sintomas neurológicos.

Isso acontece porque o tecido do cérebro, assim como os sistemas respiratório e gastrointestinal, abriga grandes quantidades de células receptoras ECA-2 (enzima conversora da angiotensina), que interagem muito bem com o coronavírus.

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Nader explica ao VIX que o SARS-CoV-2 pode chegar ao cérebro por meio da corrente sanguínea, após o vírus contaminar o corpo pelas vias respiratórias, boca ou olhos, ou diretamente pelo nariz, “pegando carona” com o nervo olfativo, que é um tecido que conecta o nariz diretamente ao cérebro.

Sintomas neurológicos causados pelo coronavírus

Por atuar no sistema nervoso, o novo coronavírus faz com que parte das pessoas que desenvolvem a doença apresente sintomas neurológicos, como tontura, dor de cabeça, alteração da consciência e até mesmo acidente vascular cerebral (AVC).

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Um estudo de casos de Covid-19 em Wuhan, na China, verificou que 36,4% dos pacientes apresentaram manifestações neurológicas, sendo que os casos graves tinham mais chance de desenvolver este tipo de consequência.

Efeitos da pandemia