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Plano de vacinação para Covid-19 no Brasil: quem toma antes, quantas doses haverá e mais

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Conforme os testes de diversas vacinas contra COVID-19 se aproximam do fim, o Ministério da Saúde realizou, na última terça-feira (1), uma reunião técnica para determinar as diretrizes preliminares de um possível programa de imunizações no País – e, segundo as autoridades presentes, a ideia é dividir este plano em quatro fases, priorizando a vacinação de pessoas dos grupos de risco da vacina já no início de 2021.

Vacinação contra COVID-19 no Brasil: plano preliminar

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Apesar de nenhuma das vacinas para COVID-19 em desenvolvimento no mundo ter recebido a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) até agora e de os testes das que estão sendo estudadas no País não terem chegado ao fim, o Ministério da Saúde já está fazendo planos para colocar em prática um programa de imunização assim que houver os devidos registros para algumas delas.

O planejamento foi anunciado em uma reunião técnica da pasta da qual participaram também a Anvisa, o Instituto Butantan, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), entre outros e, nas medidas preliminares, fica estabelecida a vacinação de pessoas dos grupos de risco da doença em quatro fases. Segundo o Ministério, é estimado que estes grupos totalizem 109,5 milhões de pessoas – mais da metade da população brasileira (211,8 milhões).

Quatro fases com grupos prioritários

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Conforme explicou Francieli Fontana, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério – órgão responsável por todas as vacinas que já são aplicadas na população pelo Sistema Único de Saúde (SUS) –, a vacinação contra COVID-19 deve ocorrer em quatro fases, cada uma desenhada especificamente para incluir determinados grupos de risco da doença.

  • Na primeira fase, entram profissionais da saúde (devido à alta exposição ao novo coronavírus), população idosa (ou seja, acima dos 75 anos), pessoas com 60 anos ou mais que vivem em instituições de longa permanência (casa de repouso ou clínicas psiquiátricas) e a população indígena (que é mais vulnerável em termos de alcance dos programas de saúde disponibilizados no País).
  • Na segunda fase, está prevista a vacinação das pessoas que estão entre os 60 e 74 anos.
  • Na terceira fase, a ideia é imunizar pessoas com comorbidades apontadas cientificamente como agravantes da COVID-19, como males renais crônicos, doenças cardiovasculares, diabetes, entre outros problemas de saúde.
  • Na quarta e última fase do programa inicial, há a previsão de vacinar professores, forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e população privada de liberdade.

Qual vacina será usada e quantas doses foram negociadas?

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mi1333/Shutterstock

Neste momento, no Brasil, há acordos e conversas em andamento sobre compra de vacinas e transferência de tecnologias tanto por parte do governo federal quanto por parte de governos estaduais – e, conforme explicou o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, nenhuma das iniciativas que aguardam a finalização de testes e a autorização da Anvisa estão descartadas para o programa de imunização da COVID-19.

Há, no entanto, algumas iniciativas adiantadas. Com o consórcio Universidade de Oxford – AstraZeneca, o Brasil já fez um acordo para a aquisição de um total de 100,4 milhões de doses cujo primeiro lote está previsto para chegar em dezembro de 2020 e o segundo, em janeiro de 2021 segundo Arnaldo Medeiros, secretário de Vigilância em Saúde da pasta. O País receberá 30,4 milhões de doses nestes dois lotes.

Além disso, em setembro deste ano, o Brasil aderiu ao Instrumento de Acesso Global de Vacinas COVID-19 (Covax Facility), ação internacional integrada por governos de diferentes países e ao menos nove vacinas em desenvolvimento. Com isso, segundo o Ministério da Saúde, conforme os testes necessários forem concluídos, o País terá acesso a 42,5 milhões de doses de algum dos imunizantes desta iniciativa.

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Lisa Maree Williams/Correspondente

No estado de São Paulo, o governo tem acordo com a farmacêutica Sinovac para importação de doses, transferência da tecnologia de produção e importação de insumos para que se possa fabricar a CoronaVac em território nacional, em fábricas do Instituto Butantan. Assim como outras vacinas, ela aguarda o registro da Anvisa, mas o primeiro lote importado com 120 mil doses já chegou a São Paulo em novembro e um segundo lote com insumos para a produção de 1 milhão de doses chegou em dezembro.

Segundo Arnaldo, o programa busca vacinas com certas características tidas como “ideais” pelo Ministério da Saúde, como segurança garantida, eficácia elevada, capacidade de indução da memória imunológica, possibilidade de uso em diversos grupos populacionais e termoestabilidade (longa durabilidade sob conservação em temperaturas que vão de 2°C a 8°C).

A questão da termoestabilidade, por sua vez, exclui a possibilidade de se utilizar a vacina do consórcio Pfizer – BioNTech, que devem começar a ser aplicadas no Reino Unido nas próximas semanas. Isso porque, devido à formulação dela, há a necessidade de que as doses sejam armazenadas em uma rede de frio com temperaturas que cheguem a -70°C, e a rede brasileira não tem esta capacidade.

Além disso, o secretário citou que um bom valor de aquisição das vacinas, bem como a possibilidade de se imunizar com uma única dose também estão na lista de características desejadas (embora haja flexibilidade quanto a isso, já que boa parte das iniciativas em estágio avançado atualmente considera mais de uma dose para uma imunização satisfatória).

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Rodrigo Paiva/Correspondente/Getty Images

Previsões de datas

De acordo com o secretário, o esperado é ter a capacidade de vacinar a população brasileira a partir do primeiro trimestre de 2021, mas a questão das datas depende dos resultados de testes que ainda estão sendo realizados com as vacinas e da liberação delas por parte da Anvisa, ambos fatores imprescindíveis para garantir qualidade e segurança dos imunizantes.

Além disso, é importante lembrar que o plano ainda é preliminar e que, por isso, além de ser difícil fazer previsões quanto a datas, as diretrizes propostas pelo Ministério da Saúde podem sofrer alterações conforme novos resultados e decisões começarem a ser divulgados pelos órgãos responsáveis.

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