Apesar de não matar o coronavírus, lavar o nariz com soro ajuda a evitar infecções e é indicado

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Apesar de não ter ação direta sobre o novo coronavírus, limpar as narinas com soro fisiológico ajuda a proteger as vias respiratórias contra infecções virais de forma geral e, por isso, é um hábito positivo para se adotar durante a pandemia de COVID-19, segundo especialistas consultadas pelo VIX.

Limpar nariz com soro fisiológico previne infecções

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O nariz humano é responsável por filtrar de forma grosseira o ar atmosférico, por captar inúmeros odores e por pré-condicionar o ar (filtrar, aquecer e umidificar), e, além disso, exerce uma importante função imunitária, atuando como barreira contra a entrada de elementos estranhos.

Manter as narinas limpas, livres de impurezas e umidificadas garante que elas exerçam essas funções de forma adequada, além de evitar que o indivíduo respire pela boca devido à obstrução do nariz, o que não é ideal, já que perde-se a função de filtragem. Uma das formas de garantir que as condições estejam ideais é fazendo lavagem nasal com soro fisiológico.

"A solução fisiológica a 0,9% conserva a umidade da mucosa nasal e promove um ambiente adversário para os micro-organismos patogênicos. Quando a solução penetra na cavidade nasal, ajuda a eliminar as impurezas, limpando os agentes agressores (irritantes e alérgicos), prevenindo o desenvolvimento de infecções por vírus ou bactérias, o que ajuda a reduzir as chances de a pessoa de contrair doenças respiratórias, pulmonares, doenças do ouvido, além de reduzir sintomas já existentes", diz Gilmara Souza, enfermeira especialista em Ciências Pneumológicas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

“Se a mucosa nasal estiver ressecada ou se os cílios presentes nesta cavidade estiverem sujos ou sem movimentação mucociliar adequada, não teremos a garantia da defesa contra os agentes externos, além de favorecer o acúmulo de muco, gerando maior suscetibilidade para as infecções respiratórias, pulmonares e alérgicas”, adiciona.

Desse modo, o uso de soro fisiológico é importante para manter as narinas sempre hidratadas, umidificadas e bem higienizadas, o que ajuda a prevenir infecções e alergias. Além disso, o uso de solução salina ajuda na remoção de agentes nocivos, como vírus e bactérias, e de alérgenos, como poeira, ácaros e fungos.

“Ao respirarmos, inalamos esses agentes nocivos que entram em contato com a mucosa nasal. A lavagem nasal com soro fisiológico remove estes agentes agressores da mucosa nasal, reduz o tempo de contato com a mucosa e reduz a chance de infecções respiratórias e alergias”, explica Maura Neves, otorrinolaringologista da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia.

Soro fisiológico X coronavírus

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Apesar de contribuir para a saúde das narinas, as especialistas enfatizam que a higienização com soro fisiológico não tem ação direta contra o SARS-CoV-2: trata-se de um hábito de saúde que ajuda a reduzir os riscos de contrair agentes infecciosos por inalação de forma geral.

De acordo com as especialistas consultadas pelo VIX, ainda não há evidências científicas de que lavar o nariz com a solução salina combate o vírus diretamente ou que sua composição tenha a presença de algum componente antiviral.

O que o soro fisiológico faz é hidratar e limpar as narinas, além de promover a redução da sensibilidade da mucosa, edema (inchaço), congestão e o evitar acúmulo de secreções.

“Desta maneira, podemos concluir que a higienização das narinas e cavidade nasal pode contribuir na recuperação de uma congestão nasal. Facilita, também, a eliminação de elementos prejudiciais ao nariz, às vias respiratórias e ao pulmão, por exemplo, de uma pessoa infectada pelo SARS-CoV-2, mas não combate a contaminação pelo vírus”, explica Gilmara.

Como hidratar e limpar as narinas com soro fisiológico

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A orientação das especialistas é que a limpeza e hidratação das narinas seja feita com solução salina a 0,9% comprada em farmácia.

A aplicação pode ser com seringas de 5 ou de 10 ml (sem a agulha) ou com dispositivos chamados “irrigadores nasais”, que são e vendidos em farmácias. A recomendação é que a higienização seja realizada, pelo menos, duas vezes ao dia, todos os dias, preferencialmente após acordar (já que à noite a produção de secreção é maior) e antes de dormir.

“É a melhor maneira de promover a hidratação, restaurar as células presentes na mucosa nasal e manter as funções do nariz e deve ser vista como um hábito diário, principalmente em épocas de mudança climática, como acontece no outono e no inverno, onde temos queda da temperatura, redução da umidade relativa do ar e aumento da poluição atmosférica, fatores que podem comprometer as funções do nariz”, diz Gilmara.

Para fazer a higienização com a seringa, o indivíduo deve inclinar o corpo para frente e manter a cabeça de lado, preferencialmente sobre a pia ou um recipiente. Respirando pela boca, posicione a seringa na entrada de uma das narinas e pressione até que o soro saia pela outra narina. Se for usar aplicador, é importante não posicionar a ponta na direção central do nariz, mas sim para fora, evitando riscos de lesões e sangramentos. Repita o processo de três a quatro vezes por higienização. Ao final, remova o excesso de umidade com um lenço descartável.

Armazene o frasco de soro sob refrigeração. Na próxima higiene, aspire o líquido com a seringa alguns minutos antes de aplicá-lo no nariz, já que não é recomendado fazer a higienização com o soro gelado.

Vírus não entra só pelo nariz

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Vale lembrar que a transmissão do SARS-CoV-2 (e outros vírus) acontece pelo nariz, mas também pela boca e olhos.

Portanto, as medidas de limpeza nasal enquanto práticas de prevenção ao novo coronavírus ajudam a reduzir o risco de contágio por vias respiratórias, mas não excluem a necessidade de manter a higiene e etiqueta respiratória.

“Levar as mãos [infectadas] à boca e olhos é grande fonte de infecção. Espero que, ao final da pandemia, as medidas de higiene difundidas, como lavar as mãos, espirrar ou tossir no lenço de papel, tirar o sapato ao entrar em casa, entre outras, realmente entrem na rotina da população”, comenta Gilmara sobre outros meios de difusão do vírus.

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