Vídeo mostra casal sendo hostilizado na volta da feira em SP; entenda melhor a quarentena

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Lightspring vía Shutterstock

A analista de processos Juliana Brocanelli, de 24 anos, e seu namorado, Guilherme, foram alvo de gritos hostis e até mesmo objetos arremessados por moradores de prédios na região central de São Paulo, no último domingo (22), ao voltar da feira. O motivo foi a interpretação errônea de que o casal estaria contrariando o pedido de isolamento social feito pelo Ministério da Saúde e as regras da quarentena em SP (que passaram a valer somente na terça-feira, 24) estabelecidas pelo governador do Estado, João Dória, em meio à pandemia do novo coronavírus.

Mas afinal, o que se pode ou não fazer neste período? Andar na rua é contraindicado? Esclarecemos a seguir.

Coronavírus: casal é hostilizado ao voltar da feira

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Gentileza de Juliana Brocanelli

Juliana e Guilherme voltavam da feira de bicicleta, no bairro Santa Cecília, no último domingo, quando começaram a receber gritos de moradores de prédio os mandando ir para casa.

Segundo Juliana, o casal estava há mais de uma semana sem comprar verduras e legumes, por medo de se expor e entrar em contato com outras pessoas em meio à pandemia de COVID-19, mas começou a ficar sem alimentos em casa.

“Decidimos ir à feira porque é muito mais barato, o produto é melhor e sabemos que os feirantes vão se prejudicar bastante por serem autônomos. Eu já fui feirante, então essa parte pesou na nossa decisão também", conta a analista.

Para tentar reduzir os danos de contágio, os dois usaram máscara e luva durante as compras, descartando-as apenas na volta para casa, já que o caminho - pelo Elevado Presidente João Goulart, o Minhocão - é um espaço aberto e estava vazio.

Neste momento, conforme mostra o vídeo acima, eles começaram a ser hostilizados. Além de gritos, Juliana conta que objetos foram jogados contra eles.

“Eu fiquei assustada, principalmente quando eu vi que estavam jogando coisas em nós e em outro casal que estava lá também. Achei que fosse bexiga d'água, mas não tenho muita certeza. Quando foi chegando no fim do Minhocão, eu fui ficando muito brava, porque ali as casas ficam mais próximas do asfalto e estavam filmando a cara do Guilherme. Me deu medo por ele também, que é negro, então criar uma narrativa de depredação é muito fácil. Demos alguns xingamentos, principalmente ali no final, mas a maior parte do tempo estávamos só tentando pedalar o mais rápido possível pra sair dali", relata a jovem.

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LenaBelkin/Shutterstock

Ao narrar sua história, Juliana ressalta que é a favor das medidas de isolamento propostas pelo governo. "Concordamos! Eu tenho mais flexibilidade no trabalho, então parei [de ir para o escritório] antes mesmo de se tornar uma 'norma'. Não saímos de casa para mais nada em quase duas semanas, só pra comprar comida."

Quarentena e isolamento: o que pode ou não fazer?

Além da orientação do Ministério da Saúde para que a população brasileira adote o autoisolamento social quando for possível e evite sair de casa desnecessariamente, algumas cidades e estados do País estabeleceram um período de quarentena para enfrentar a propagação do SARS-CoV-2.

No estado de São Paulo, o decreto passou a valer na última terça-feira (24) e tem validade até 7 de abril de 2020. Ou seja, foi posterior ao episódio vivido por Juliana e Guilherme, ainda que a população já estivesse evitando sair de casa.

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LightField Studios/Shutterstock

Sair para comprar comida e remédio ou trabalhar é permitido

Mesmo na quarentena, a orientação dada pelo governo e médicos sobre a circulação de pessoas, até este momento, é a mesma: evite sair de casa por motivos supérfluos, prefira utilizar transporte particular ao público e, se possível, não vá muito longe de casa.

Não há proibição para ir ao mercado, farmácia ou médico, mas é aconselhado usar o bom senso. Se possível, concentre as compras da família em uma única pessoa e adote intervalos maiores para as saídas. Usar o serviço de delivey de produtos também é indicado.

Apesar de não haver medidas de controle ou punitivas, idosos são orientados a não saírem de casa, já que compõem um dos grupos mais vulneráveis a complicações e mortes por COVID-19. Sendo assim, é aconselhado que parentes ou vizinhos façam compras por eles.

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Freeman Studio/Shutterstock

Vale lembrar que várias empresas não podem adotar o trabalho remoto e, por isso, muitas pessoas continuam saindo de casa para ir trabalhar.

Andar a pé

Em alguns países que estão em lockdown, não é permitido sair de casa sem uma justificativa, sob risco de multa. Em nenhuma cidade do Brasil esta medida foi adotada ainda, mas, mais uma vez, o bom senso é mais do que necessário.

Andar a pé pelo bairro não é contraindicado por especialistas ou pelo governo, mas orienta-se que o indivíduo não vá muito longe de casa e evite locais com aglomerações. Em São Paulo, parques foram fechados pelo risco de concentrarem grande quantidade de pessoas.

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Assim, caso vá ao mercado ou farmácia a pé, ou queira fazer uma caminhada, busque fazer isso em horários alternativos e escolha as rotas mais vazias. Ao voltar para casa, siga o protocolo para minimizar o risco de infecção, deixando o sapato do lado de fora e higienizando objetos que foram levados para fora.

Serviços abertos ou fechados em SP durante quarentena

Em todos os municípios e capital paulista, estão abertos na quarentena serviços essenciais, como hospitais, farmácias, clínicas médicas e odontológicas, empresas de limpeza, manutenção e zeladoria (pública ou privada), bancos, lotéricas, mercados, padarias, açougues, segurança pública ou privada, empresas de abastecimento, call centers, pet shops, postos de combustível, oficinas de automóveis, transporte público e bancas de jornais e serviços da construção civil, como descrito no Diário Oficial do Estado.

Serviços de alimentação preparada (bares, cafés e restaurantes) estão suspensos, concentrando sua atuação somente no serviço de delivery.

Parques da capital também foram fechados no intuito de evitar grandes aglomerações. Para quem busca locais para praticar atividades físicas, a dica dos especialistas é andar na rua fora dos horários de pico ou mesmo no quintal de casa.

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Rodrigo Paiva / Correspondente/gettyimages

Brasil

Oficialmente, o país não está em quarentena - mas esta determinação pode mudar conforme a epidemia evoluir por aqui. A recomendação de especialistas e de agências sanitárias é sair de casa somente quando necessário.

Isto ajuda a minimizar os riscos de circulação e contaminação pelo SARS-CoV-2, o que é crucial para fazer a cadeia de transmissão do vírus diminuir.

“A ideia é distanciar pessoa doentes das que estão suscetíveis ao vírus, especialmente as de maior risco. Quando fazemos isso, a epidemia não vai deixar de circular completamente, porque é impossível zerar as interações. Mas o número de casos vai ser menor, assim como o pico, e não sobrecarregamos o nosso sistema de saúde”, diz o infectologista João Prats, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

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