Máscara, chá imunológico, chá de erva-doce: o que ajuda ou não a prevenir coronavírus?

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Getty Images / Handout

Desde que foi identificado pela comunidade científica, o novo coronavírus (2019-nCoV) tem gerado muitas dúvidas na população.

Ainda são primárias informações como a origem do vírus e quais são os métodos mais eficazes para brecar sua disseminação - o que abriu espaço para a circulação de informações falsas, as chamadas fake news do coronavírus, nas redes sociais.

O VIX conversou com infectologistas para saber quais destas afirmações, de fato, procedem. Confira a seguir:

Fake news coronavírus: o que ajuda mesmo a prevenir

Usar máscara?

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Stringer / Correspondente

Verdade. A máscara de fato pode ajudar a prevenir a transmissão do coronavírus, já que os cientistas acreditam ele esteja sendo compartilhado por gotículas respiratórias produzidas quando o indivíduo espirra ou tosse, similarmente a outras doenças respiratórias.

Porém, aqui vale uma ressalva: de acordo com Leonardo Weissmann, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, o acessório só é importante onde está ocorrendo transmissão ativa do vírus. “No momento, a transmissão só acontece na China”, diz o médico.

De fato, até o momento a Organização Mundial de Saúde (OMS) só identificou o território chinês com área de transmissão ativa.

Usar álcool gel?

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tong patong/shutterstock

Verdade. De acordo com Michelle Zicker, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, a higiene frequente das mãos com água e sabão ou álcool gel previne a transmissão de vírus e bactérias.

Lavar as mãos?

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Photodisc

Verdade. Além de higienizar as mãos com álcool gel, também é importante lavar as mãos o máximo possível ao longo do dia.

Tomar vitamina C ou D?

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superoke/istock/thinkstock

Mentira. Ainda não há qualquer evidência científica que demonstre ação das vitaminas C e D na prevenção ou no tratamento do novo coronavírus e, portanto, não há indicação de suplementação para esse fim, diz Michelle.

Usar óleo de orégano?

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Madeleine Steinbach/shutterstock

Mentira. Michelle afirma que tampouco há evidências científicas que comprovem o uso de óleo de orégano como método eficaz de prevenção para a infecção pelo novo coronavírus.

Segundo Leonardo, o uso do óleo é uma orientação baseada em tradições populares, mas que ainda não tem embasamento científico.

Tomar chá de erva-doce?

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By naramit/shutterstock

Mentira. A ingestão do chá de erva-doce tem sido bastante recomendado. Isso porque a planta teria, em sua composição, a substância fosfato de oseltamivir, princípio ativo do medicamento Tamiflu, que seria recomendado contra o coronavírus.

Nenhuma destas informações procede, segundo os especialistas. “O chá de erva-doce não possui o princípio ativo do Tamiflu (fosfato de oseltamivir). Além disso, o oseltamivir está indicado somente para tratamento e prevenção de infecção pelo vírus influenza. Não há um medicamento específico para tratamento do novo coronavírus”, alerta Michelle.

Tomar solução de água e sal?

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Kristi Blokhin/Shutterstock

Mentira. Ingerir soluções salinas, como o indicado em mensagens que circulam pela internet, não é eficaz para prevenir o coronavírus.

“O novo coronavírus infecta as células do trato respiratório. Higienizar a boca não elimina o vírus do trato respiratório”, explica Michelle.

Tomar chá imunológico?

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Divulgação/Ministério da Saúde

Mentira. Outra fórmula natural que circula pela internet e está sendo indicada como método de prevenção ao novo coronavírus é um "chá imunológico" à base de gengibre, alho, capim-limão, tomilho, hortelã, limão e água alcalina.

O próprio Ministério da Saúde já desmentiu a eficácia da bebida e lembrou que não há qualquer medicamento específico, infusão ou vacina desenvolvido que possa prevenir a infecção pelo novo coronavírus.

Encomendas da China estão contaminadas?

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cybrain/Shutterstock

Mentira. Se você está com medo de que produtos importados da China, o epicentro de casos do novo coronavírus, venham contaminados, fique tranquilo. Segundo os médicos entrevistados, isso não acontece.

“Até o momento, não há evidência de casos associados a produtos importados. Enquanto não temos as informações a respeito do novo coronavírus, utilizamos o que sabemos sobre os outros dois coronavírus (SARS e MERS) para nos guiar. Em geral, esses dois coronavírus sobrevivem por pouco tempo nas superfícies, assim é pouco provável que sejam disseminados através de produtos ou embalagens que permaneceram em ar ambiente e foram enviados, por navio, há dias ou semanas”, tranquiliza Michele.

Evitar locais onde haja multidão?

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Kevin Frayer / Correspondente/gettyimages

Verdade. Evitar frequentar locais de grande circulação do vírus é uma medida que ajuda a evitar a contaminação. Porém, os médicos lembram que isso ainda não acontece, por ora, no Brasil.

“É o caso da China. É importante ressaltar que até o presente momento não temos casos confirmados no Brasil”, pontua Michelle.

Ingerir MMS?

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David Tadevosian/Shutterstock

Mentira. O "MMS"(“Miracle Mineral Supplement", ou “suplemento mineral milagroso" em tradução livre) é uma substância polêmica disseminada como uma suposta cura do autismo, Aids, malária, hepatite e até câncer.

Agora, com a descoberta do novo coronavírus, o MMS voltou a ser recomendado para prevenir e tratar o vírus. Porém, seu uso não deve ser feito em nenhuma circunstância.

O produto, segundo a Anvisa, é utilizado na formulação de produtos de limpeza, como alvejantes e tratamento de água - o dióxido de cloro não tem aprovação como medicamento em nenhum lugar do mundo. ”Trata-se de substância perigosa com efeitos colaterais graves e permanentes se ingerida”, diz Michelle.

Prevenção ao coronavírus: recomendações oficiais

Apesar de todas as controversas em volta dos métodos de prevenção ao coronavírus, a infectologista Cinthya M. Ozawa resume que as melhores estratégias para assegurar o corpo contra o vírus são:

  • higienizar as mãos;
  • evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;
  • utilizar lenço descartável para higiene nasal;
  • cobrir o nariz e a boca ao tossir ou espirrar;
  • evitar o contato próximo com pessoas com infecções respiratórias agudas e ambientes fechados;
  • não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • manter os ambientes bem ventilados e evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.

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