Renata Dominguez revela luta de 10 anos contra transtorno sério de saúde

Em entrevista ao programa "Papo de Almoço", da rádio Globo, a atriz Renata Dominguez revelou sua luta contra um acometimento que a afligiu por pelo menos dez anos: a síndrome do pânico.

Na conversa, a atriz, conhecida por trabalhos em novelas da Rede Globo e Record, sendo seu projeto mais recente a novela “Deus Salve o Rei”, da emissora global, contou como a síndrome impactou sua vida e como conseguiu contornar esse quadro de saúde que vem se tornando cada vez mais comum.

Renata Dominguez lutou por 10 anos contra síndrome do pânico

A síndrome do pânico de Renata manifestou seus primeiros sinais na época em que a atriz trabalhava em São Paulo, em uma produção na qual interpretava uma vilã - sem especificar a personagem.

Ao perceber que algo estava acontecendo consigo, Renata chegou a realizar exames para ver se fisicamente estava bem. "Tinha aquela sensação de morte, taquicardia, mal-estar, tinha certeza que eu estava morrendo. Aí eu ia ao hospital, fazia exames e não dava nada”, disse a atriz.

As manifestações do pânico, Renata contou, chegavam a impactar o dia a dia. Por conta da síndrome, a atriz ficou sete anos sem dirigir e por dez anos teve dificuldade de dormir sozinha. “Gravei uma novela em São Paulo na época e levava minha avó comigo porque eu não dormia sozinha”, disse.

Ainda que todos os sintomas do pânico tenham sido difíceis de lidar, Renata contou que a parte mais complexa de todo o processo foi escutar de pessoas próximas que sua síndrome era “coisa da sua cabeça”.

“Aquilo gera mais pânico e mais medo ainda. Então, optei na época por não comentar com ninguém. Fiz a novela inteira sem ninguém saber que eu estava doente, o que me ajudou muito porque eu tinha que driblar o mal-estar para não dar bandeira de que eu não estava doente.”

Apesar das dificuldades, o processo de cura do quadro, Renata contou,começou com o enfrentamento de seus próprios medos – o que não foi uma tarefa nada fácil. Além disso, a atriz não negligencia a importância do tratamento contra o pânico para o sucesso de seu tratamento, feito com o uso de medicamentos e sessões de psicoterapia.

"O pior medo que a gente tem é o medo de sentir pânico porque em função disso, parei de dirigir, parei de dormir sozinha, passava mal em avião. Quando você consegue se libertar disso, esse medo vai perdendo espaço na sua vida."O começo da minha cura, era quando começava o mal-estar eu dizia, 'pode vir, eu sei que você vai passar'. Essa forma de enfrentar, foi o começo da minha cura, mas eu tive tratamento."

Síndrome do pânico

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studiostoks/Shutterstock

A síndrome do pânico pertence ao grupo de transtornos de ansiedade e é caracterizada por crises súbitas de medo intenso, as crise de pânico, que fazem com uma pessoa acredite que algo ruim está para acontecer.

A periodicidade e a duração das crises variam para cada paciente. "Há casos em que há ataques um tanto quanto frequentes, como um por semana, durante meses. Outros com pequenos surtos ainda mais frequentes, como diários, por exemplo, com intervalo assintomático de semanas ou meses. E ainda os menos contínuos, que duram muito tempo, como dois por mês", explica o psiquiatra Rafael Brandes Lourenço.

Sintomas da síndrome do pânico

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pathdoc/shutterstock.

A grosso modo, os sintomas da síndrome são semelhantes a reações provocadas por um grande susto: as mãos transpiram, as pernas tremem, o coração palpita e a boca seca. "São mecanismos de defesa, é como se o corpo se preparasse para a fuga", explica a psicóloga e psicoterapeuta especializada em síndrome do pânico, Fátima de Camillo.

Outra característica marcante da síndrome do pânico é sentimento de despersonalização que a síndrome provoca. “O paciente se sente constantemente fora da realidade e muito distante dele mesmo. Ele sente medo de perder o controle sobre si, de enlouquecer e de morrer. Muitas pessoas não saem mais de casa, pois este é o único lugar em que elas se sentem seguras”, pontua Fátima.

Na entrevista, Renata comentou que na época em que o pânico esteve presente em sua vida, a sensação de apatia foi detectada por ela. “Como a personagem que fazia era psicopata, eu fiquei meio apática. Tive que amadurecer 10 anos em um, foi muito difícil, saí outra pessoa”, lembrou a atriz.

Além dos sintomas citados, a síndrome do pânico também pode causar:

  • Palpitação ou taquicardia;
  • Suor excessivo;
  • Tremores;
  • Falta de ar ou sensação de sufocamento/asfixia;
  • Dor ou incômodo no tórax;
  • Enjoo;
  • Desconforto no abdômen;
  • Tontura, instabilidade ou vertigem;
  • Desmaio;
  • Boca seca;
  • Calafrio ou ondas de calor;
  • Formigamento ou sensação de anestesia;
  • Sensação de irrealidade;
  • Despersonalização ou indiferença, em que a pessoa sente-se distanciada de si mesmo;
  • Medo de enlouquecer, adoecer ou morrer.

Por que a síndrome do pânico está tão comum?

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MatiasDelCarmine/Shutterstock

Renata não foi a primeira pessoa que revelou sua luta contra síndrome do pânico. Muito pelo contrário. A atriz une-se a outras tantas pessoas que vem batalhando contra a síndrome. Recentemente, Bianca Bin, Lucas Lucco, o padre Fábio de Melo, dentre outras personalidades, também pronunciaram sobre o pânico.

Diferentes fatores podem explicar a ocorrência cada vez mais frequente da síndrome do pânico nos dias atuais.

Segundo a psicóloga junguiana Janete Esposito, especializada em Psicossomática e Psicologia Hospitalar, a síndrome do pânico se caracteriza por uma crise aguda de ansiedade associada a um ritual de passagem, ou seja, um período de mudança que causa medo e ansiedade.

Por exemplo, mudar de casa, ter um projeto novo, trocar de escola, perder um ente querido, terminar um relacionamento e qualquer outra coisa nova e desconhecida.

"Hoje em dia, as pessoas são muito diagnosticadas com síndrome do pânico, pois há uma pressão interna para cumprir obrigações que a sociedade impõe como urgentes, por exemplo, se casar, escolher uma faculdade, tirar boas notas, ser mãe, ter um bom salário, etc", conta Janete,

As novas tecnologias e a internet também provocam grande impacto na ansiedade e fazem com que diagnósticos de síndrome de pânico sejam cada vez mais comuns. As informações recebidas pelas redes sociais, por exemplo, podem inconscientemente ser interpretadas como cobranças, aumentando as chances de surgimento da condição.

Tratamento para a síndrome do pânico

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George Rudy/shutterstock

É possível se curar da síndrome do pânico e quanto antes o diagnóstico, melhor para o sucesso de seu tratamento.

O cuidado para o pânico é multidisciplinar e envolve acompanhamento com um psiquiatra, que investigará o diagnóstico por meio de métodos clínicos. Sefor confirmada, é necessário recorrer a remédios para ansiedade e antidepressivos.

Além disso, a psicoterapia também é fundamental no processo. O tipo de terapia com maior evidência de melhora para transtorno do pânico é o cognitivo-comportamental, que ajuda o paciente a modificar e controlar pensamentos automáticos e errôneos - como a ideia de que a crise pode levar à morte -, reconhecer que deixar de sair de casa por ansiedade causa prejuízos, aprender a relaxar e lidar com os fatores que desencadeiam as crises", conclui Lourenço.

Saúde mental