Por que síndrome que Padre Fábio de Melo enfrenta está ficando cada vez mais comum?

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Sobre o teto do Municipal.

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Famoso pelas canções e livros católicos e pelo bom-humor nas redes sociais, o padre Fábio de Melo revelou sofrer de síndrome do pânico, transtorno de ansiedade caracterizado por crises de profundo medo e desespero. 

Padre Fábio de Melo tem síndrome do pânico

O padre Fábio de Melo recentemente contou ao apresentador Otaviano Costa no programa “No Ar”, da Rádio Globo, que desenvolveu a síndrome do pânico devido a um “desgaste natural” decorrente de todas as suas atividades. “Eu sou extremamente aberto a contar minhas fraquezas. Eu estou enfrentando síndrome do pânico”, disse.

“Sei que sou afetivamente exigido o tempo todo e faz parte do meu trabalho. Quando as pessoas se aproximam de mim, chegam muito afetuosas e cheias de histórias. E é claro que há um desgaste emocional e natural de tudo aquilo que faço. Então, estou vivendo um tempo muito difícil na minha vida, mas com muita disposição também”, desabafou ao explicar a razão de sua angústia.

Depois disso, ele detalhou o que vem passando ao Fantástico, programa da Rede Globo: 

"Eu estava pousando em Fortaleza [...] e de repente tive um sintoma muito semelhante ao que tive há dois anos atrás, quando fui diagnosticado com síndrome do pânico. E ali eu já não senti vontade de sair do avião. Aí, para descer do avião, ali mesmo sentado, eu já peguei o medicamento que eu tinha dentro da bolsa, tomei, desci, entrei no hotel em estado de desespero, de mal-estar, mas o remédio fez efeito e passou. Mas quando eu cheguei em casa na segunda-feira, que eu desci do carro, eu desabei."

Fábio de Melo disse ainda que chegou a se esconder embaixo da cama e encontrou na mãe um refúgio nos momentos em que chegou a pensar em desistir de ser padre e ser apenas o "Fabinho", como ela o chama. Hoje medicado, ele diz estar bem melhor e que resta "o medo do medo", como ele chama o receio de ter uma nova crise. 

Por que síndrome do pânico é tão comum hoje?

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Mixmike/iStock

Segundo a psicóloga junguiana Janete Esposito, especializada em Psicossomática e Psicologia Hospitalar, a síndrome do pânico se caracteriza por uma crise aguda de ansiedade associada a um ritual de passagem, ou seja, um período de mudança que causa medo e ansiedade.

Por exemplo, mudar de casa, ter um projeto novo, trocar de escola, perder um ente querido, terminar um relacionamento e qualquer outra coisa nova e desconhecida.

No caso do padre Fábio de Melo, a adaptação à rotina agitada e exigente foi o principal fator que o levou ao problema. É justamente essa correria do dia a dia que justifica a ansiedade aguda - que desencadeará a síndrome - em muitas pessoas.

Recentemente, a atriz Giovanna Ewbank também contou que conciliar o trabalho e a maternidade lhe causaram uma crise de síndrome do pânico que precisou de internação para ser tratada. 

"Hoje em dia, as pessoas são muito diagnosticadas com síndrome do pânico, pois há uma pressão interna para cumprir obrigações que a sociedade impõe como urgentes, por exemplo, se casar, escolher uma faculdade, tirar boas notas, ser mãe, ter um bom salário, etc", conta. 

Além disso, não saber lidar com as informações recebidas pelas redes sociais pode fazer com que sejam interpretadas como cobranças próprias, o que aumenta a chance de apresentar o problema.

Sintomas de síndrome do pânico

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wavebreakmedia/Shutterstock

Começa com uma ansiedade muito intensa que evolui para os seguintes sinais de crise do pânico:

  • Mudança nos batimentos cardíacos;
  • Sudorese;
  • Tremor;
  • Falta de ar ou sensação de asfixia;
  • Dor ou incômodo no tórax;
  • Ânsia;
  • Desconforto no abdômen;
  • Tontura, instabilidade ou vertigem;
  • Desmaio;
  • Boca seca;
  • Calafrios ou ondas de calor;
  • Formigamento ou falta de sensibilidade;
  • Sensação de irrealidade;
  • Sensação de estar se distanciado de si mesmo;
  • Medo de enlouquecer, adoecer ou morrer.

Os sintomas podem serão tão assustadores que muita gente confunde a crise de pânico com infarto, o que aumenta a sensação de morte.

Tratamento

A cura da síndrome do pânico existe e quanto mais cedo for diagnosticado o transtorno, mais fácil é alcançá-la.

O tratamento é multidisciplinar e evolve principalmente o psiquiatra - que confirmará o diagnóstico e poderá indicar medicamentos para aliviar a ansiedade - e o psicólogo - o qual ajudará o paciente a controlar os pensamentos ansiosos e de medo e lidar com as situações com uma perspectiva menos danosa.

Famosos com síndrome do pânico