Último comentário de Boechat foi justamente sobre sucessão de tragédias no Brasil: ouça

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Divulgação/Band

A última coluna feita pelo jornalista Ricardo Boechat antes de sua trágica morte na tarde desta segunda-feira (11) foi justamente sobre a sucessão de marcos tristes que o brasileiro vem enfrentando em menos de dois meses do início de 2019.

O apresentador de 66 anos, que morreu em um acidente de helicóptero, era âncora do Jornal da Band e da rádio BandNews, onde fazia comentários diários sobre assuntos pertinentes do momento. No último programa do qual participou, poucas horas antes do acidente, trouxe uma reflexão importante justamente sobre a sucessão de acontecimentos desastrosos no país.

A aeronave onde estava Boechat caiu em um trecho do Rodoanel no sentido Castelo Branco, em São Paulo, e levava o jornalista de volta à capital paulista após um evento em Campinas do qual ele participara mais cedo. Além dele, o piloto e o co-piloto do helicóptero também morreram.

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Divulgação/Band

Última coluna de Boechat traz reflexão sobre tragédias brasileiras

Na coluna, Ricardo Boechat deu informações atualizadas sobre o desastre em Brumadinho – que deixou 325 mortos – e sobre o incêndio no Ninho do Urubu – onde 10 atletas adolescentes da categoria de base do Flamengo morreram. Além disso, ele também relembrou o rompimento de outra barragem, em Mariana (MG), há três anos e usou uma matéria publicada pelo jornal “O Globo” para listar outras tragédias brasileiras ocorridas nas últimas décadas (como o incêndio na boate Kiss, no RS, e o desabamento de um prédio no Largo do Paissandu, em São Paulo), mostrando que todas elas têm algo em comum.

“A culpa [do desastre em Brumadinho] está no campo da Vale, no campo da fiscalização, no campo do legislativo, e a cumplicidade por isso está no judiciário que de Mariana para cá pouco fez para dar efetividade às punições, às sanções que poderiam ter feito de Mariana um exemplo não só para a Vale, protagonista das duas tragédias, mas para as mineradoras de uma maneira geral. [...] A impunidade é o que rege, é o que comanda a orquestra das tragédias nacionais”, disse ele.

Ao fim da coluna, o jornalista se mostrou pesaroso a respeito da sucessão de tragédias, e deixou sua reflexão sobre o tema para o público.

“Quando a gente chora, sofre, lamenta o fato ocorrido ontem, a gente parece estar anestesiado ou gostar da anestesia que nos faz esquecer desse fato tão logo surge o fato de amanhã que terá o mesmíssimo tratamento”, afirmou.

Ouça a coluna completa:

Morte de Ricardo Boechat