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Filha de Justus sofreu a pior complicação da fertilização in vitro: hiperestímulo ovariano

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Thiago Duran/AgNews

Mãe das gêmeas Chiara e Sienna, de sete meses, Fabiana Justus travou uma verdadeira batalha para engravidar. Sem conseguir fazê-lo de forma natural, ela apostou na fertilização in vitro, mas o processo lhe rendeu uma complicação bem grave: a síndrome da hiperestimulação ovariana, algo que ela relembrou recentemente em um papo para o canal da influencer Gabriela Pugliesi no YouTube.

Fabiana Justus teve complicação da fertilização

No vídeo, Fabiana contou sua experiência com o processo de fertilização, explicando que, no caso dela, a aposta foi em uma técnica chamada transferência de embriões criopreservados (TEC). Neste processo, os embriões são congelados antes de serem implantados - e essa escolha se deu à complicação com a qual ela foi diagnosticada logo após a coleta dos óvulos.

Em outro vídeo, publicado no canal da própria empresária, ela explicou que tudo começou com o fato de que, ainda adolescente, ela fora diagnosticada com ovários policísticos (síndrome que faz vários cistos se formarem nos órgãos) e passou então a tomar pílula anticoncepcional para conciliar o problema. Ao deixar o remédio de lado para engravidar, porém, ela não voltou a menstruar.

Segundo Fabiana, como ela não menstruava nem ovulava, teve de tomar medicamentos para estimular seus ovários. Após os remédios via oral não fazerem efeito, seu médico na época lhe recomendou injeções que ela tomou durante algum tempo - e que, além de não fazerem com que ela menstruasse, desencadearam um efeito indesejado nos órgãos.

Isso porque, neste momento, os ovários da empresária começaram a crescer devido ao desenvolvimento dos folículos dentro deles. Em vez de apenas um se desenvolver e ocasionar a ovulação, vários começaram a crescer e, segundo o médico, isso era arriscado. Sendo assim, em vez de seguir tentando engravidar naturalmente, era mais seguro coletar os óvulos e fecundá-los em laboratório.

Com ovários que chegaram a cerca de 12 centímetros (sendo que o normal é aproximadamente 3 centímetros), Fabiana teve 22 óvulos coletados - mas os 11 embriões aos quais eles deram origem não puderam ser implantados logo após a coleta porque, depois do procedimento, ela teve o diagnóstico de hiperestimulação ovariana e precisou entrar em um período de repouso.

Durante três semanas, ela não saiu de casa, e afirmou que o problema era extremamente doloroso e desconfortável. “Estava com uma dor tão grande na minha barriga. [Tinha] Um líquido… Caiu minha pressão, eu quase desmaiei de dor”, disse ela sobre o momento após a coleta dos óvulos, logo antes de ser orientada a fazer o repouso absoluto para que a condição regredisse.

Síndrome da hiperestimulação ovariana: o que é?

De acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), a síndrome da hiperestimulação ovariana atinge, com intensidade moderada, entre 3% e 6% das mulheres que estão em tratamento de fertilidade, enquanto casos mais graves do problema representam menos de 1% das pacientes - mas é a complicação mais grave de um processo como esse.

Ela consiste, assim como descreveu Fabiana, em uma resposta exagerada do organismo aos medicamentos utilizados para estimular o crescimento dos folículos e então liberar os óvulos. Enquanto o esperado é que a mulher ovule e possa engravidar (ou ter óvulos coletados), quem tem essa síndrome tem os órgãos aumentados e o extravasamento do líquido de seus vasos sanguíneos.

Sintomas

Conforme o líquido dos vasos sanguíneos fica “solto” na cavidade abdominal, a mulher tem uma série de sintomas - alguns deles citados pela empresária. Além da dor abdominal e do inchaço, ela pode ter dificuldade para respirar e ingerir líquidos, náuseas e vômitos, fraqueza, ganho de peso anormal (1 kg por dia) e o quadro pode inclusive evoluir para uma trombose.

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Backgroundy/Shutterstock

Causas

Embora o problema possa acontecer com qualquer mulher que passa por um processo de fertilização, alguns fatores fazem com que exista mais chances de o quadro se desenvolver. Segundo a SBRA, mulheres com ovários policísticos, níveis de hormônio anti-mulleriano elevados e contagem de folículos elevadas têm uma predisposição à síndrome.

Prevenção e tratamento

Segundo o órgão, a melhor forma de prevenir o surgimento de um quadro como esse é a busca de um tratamento de fertilização personalizado, do qual fazem parte medicamentos que reduzem as chances de a mulher desenvolver a síndrome. Além disso, para evitar complicações, quando há sintomas do problema, a implantação dos embriões deve ser adiada até que haja melhora.

Uma vez diagnosticada, a síndrome requer repouso para que possa regredir, mas, em casos mais graves, esse repouso precisa ser feito no hospital para que os desequilíbrios gerados por ela sejam tratados. Nestes casos, é possível, por exemplo, fazer a drenagem do líquido que fica na região abdominal.

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Chinnapong/Shutterstock

Complicações da gravidez