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Aborto espontâneo: como passar pela experiência sem traumas

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A alegria da confirmação da gravidez, em alguns casos é rapidamente interrompida com a notícia de um aborto espontâneo. Segundo o ginecologista e obstetra Jurandir Passos, do Delboni Medicina Diagnóstica, na espécie humana espera-se uma taxa de abortamento espontâneo que gira em torno de 10 a 25%, dependendo da idade materna. Quanto maior a idade, maior o risco.

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A fase em que o aborto é mais frequente é por volta da 14ª semana de gestação (3º mês), pois é quando o ovário da mulher deixa de ter papel importante na manutenção da gestação, passando essa função para o binômio feto/placenta. "Nos casos mais tardios, infecções congênitas como a parvovirose, a toxoplasmose, entre outras, devem ser lembradas e pesquisadas para se tentar descobrir a causa que levou ao aborto", diz.

Causas do aborto

Em cerca de 50 a 60% dos casos o aborto ocorre por alguma anomalia genética, seja ela cromossômica ou gênica. Mas outros fatores, como doenças maternas pré-existentes (hipertensão arterial, diabetes, tireoidopatias), malformações uterinas, doenças tromboembólicas e alguns tipos de medicamentos podem também ser responsáveis por fazer a mulher perder o bebê.

Quem já sofreu um aborto, não necessariamente corre um risco maior de passar novamente por isso numa segunda gravidez. Porém, acima de duas perdas consecutivas, a chance de um novo aborto aumenta muito. "Esse quadro é denominado como aborto de repetição e o casal precisa ser muito bem avaliado antes de tentarem uma nova gravidez", explica.

Mulher tem culpa no aborto?

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Quanto mais avançada a gravidez, mais a mulher tem dificuldade para encarar esse momento, pois, de acordo com o médico, vai havendo um apego ao bebê, a expectativa vai aumentando e qualquer revés torna-se um sofrimento muito grande para a gestante.

Apesar de o processo físico de curetagem uterina não ser doloroso (quando realizada, é feita em ambiente cirúrgico, de forma asséptica e sob anestesia), psicologicamente a dor costuma ser grande. "Infelizmente a perda de uma gestação não é fácil de se aceitar, principalmente quando é muito desejada. Isso leva à tentativa de se buscar uma explicação e a mulher começa a se questionar se fez algo que poderia comprometer a evolução da gravidez, se ficou muito nervosa, se tomou alguma medicação que não devia, se andou muito, etc", conta. 

Sequência de abortos

Quando o aborto acontece por várias vezes seguidas, o médico diz que a mulher deixa de se culpar e começa a perceber que algo está errado. "Ela vai atrás de uma avaliação mais detalhada para tentar achar a causa. O que acontece é que, quando ela engravida, aí sim seu estresse é grande, pois o receio de perder novamente começa a tomar a maior parte de seu pensamento e ela fica mais sensível, procurando atendimento médico com muito mais frequência do que uma gestante que nunca tenha tido uma perda gestacional", explica.

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Quem aborta precisa esperar três ciclos menstruais normais para depois voltar a tentar engravidar. Nesse período, a mulher pode realizar exames complementares paradiminuir o risco de aborto, bem como iniciar o uso do ácido fólico, que tem papel importante na prevenção de malformações do sistema nervoso central do bebê. "Uma perda gestacional anterior não significa que a gravidez que vem em seguida será de risco. Pode até ser, mas aí será por coincidência e não por causa do aborto anterior. A grande questão é esclarecer o que levou ao aborto. Se for encontrada uma causa, o tratamento fará com que as chances de nova perda sejam diminuídas", finaliza.