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Por que os vilões de "Pega Pega" roubaram protagonismo: até mocinhos concordam

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Paulo Belote/Globo

"Pega Pega" acabou quebrando um dos estereótipos que mais se repete quando se trata de novela. Na trama lançada originalmente em 2017, os vilões acabaram ganhando favoritismo e despertando mais torcida do que os mocinhos, que ficaram em segundo plano.

Existe uma explicação para isso e o próprio elenco entregou motivos ao VIX durante coletiva. Malagueta (Marcelo Serrado), Júlio (Thiago Martins), Sandra Helena (Nanda Costa) e Agnaldo (João Baldasserini) eram, na visão de outros atores, "um quarteto apaixonante". Até Camila Queiroz, que vivia a mocinha Luiza, reconheceu que eles eram os favoritos do público, e não sua protagonista.

Por que os vilões de "Pega Pega" superaram os mocinhos

#1. Motivações boas

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Estevam Avellar/Globo

Em "Pega Pega", o quarteto se une para roubar o Carioca Palace, hotel onde trabalham, depois que o estabelecimento é vendido para Eric Ribeiro (Mateus Solano) por 40 milhões. Malagueta é a mente do crime que acaba dando certo.

Bom, pelo menos por um tempo. Sem poder gastar o dinheiro e tentando fugir da polícia a qualquer custo, Malagueta, Júlio, Sandra Helena e Agnaldo ganharam o apoio do público e sua torcida, ainda que tenham cometido um roubo.

Desde o primeiro capítulo, os vilões conquistaram muito mais do que os mocinhos e assim permaneceu. Um dos fatores que levou a esse amor é que todos, sem exceção, possuem características e motivações muito humanas para fazer o que fizeram.

#2. Humanização

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Rafael Campos/Globo

Os personagens de "Pega Pega" não são retratados como mentes criminosas. "Embora tenha a divisão certo/errado, a gente descobre cada personagem e cria uma afinidade com ele porque ele mostra que somos seres humanos, na tela ou fora dela", opinou Virgínia Rosa.

Todos nós temos um lado vilão e um lado mocinho. "Os ladrões são mostrados de um jeito muito humano. Quando você humaniza um personagem, ele cria essa identificação com o público, não tem mais o estilo antigo de é má ou é boa, não somos assim", explica a intérprete da Madalena.

#3.Carisma

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Paulo Belote/Globo

Na posição de mocinha, Camila Queiroz concorda que não teve jeito de vingar perto do restante: "Ficou até difícil para a gente!". O quarteto esbanja sintonia de sobra em cena e não tem como segurar o riso toda vez que aparecem com algum plano mirabolante.

Intérprete do Agnaldo, João afirmou durante a coletiva que o carisma é grande entre o grupo e isso foi fundamental para o sucesso: "Personagens foram tão bem escritos, as características estão bem colocadas, a gente teve oportunidade de desenvolver essas relações que acho que trouxe uma espontaneidade para esses personagens".

"Essa leveza, essa graça, que fazia com que as pessoas torcessem por esses cara", concordou Marcelo Serrado, o Malagueta. Isso permitiu que o público não só colocasse os ladrões no topo da lista de favoritos, mas também passasse a torcer por eles com unhas e dentes.

#4.Gente como a gente

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Marília Cabral/ TV Globo

Outro motivo que pode ter determinado o favoritismo é o fato dos ladrões serem "gente como a gente" em alguns momentos por trás do roubo, desde a impulsividade, o jeito estabanado, os sonhos, medos e até mesmo as contas para pagar.

"Os personagens tomam atitudes inconsequentes assim como a gente tem, todo mundo no dia a dia", defendeu João Baldasserini. Thiago Martins aposta que a reprise mantenha o mesmo padrão: "Acredito que as pessoas ainda vão se identificar".

A sociedade pode ainda encontrar mensagens em comum por trás das cenas. "Foram seduzidos para ter esse dinheiro que não cabia, mas todos tinham uma intenção boa do que fazer com esse dinheiro. Não justificando o roubo, mas é o anseio de uma sociedade que se sente injustiçada", analisa Virgínia.

#5. Ladrões com caráter

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João Miguel Júnior/Globo

Os ladrões de "Pega Pega" não são nada tradicionais e sofrem ao mesmo tempo que são impulsivos e irracionais. O ator que dá vida para o Agnaldo acredita que o público consiga diferenciar esses criminosos de outros que estão soltos por aí. "Acho que o público enxerga, é diferente de ver pessoas de um caráter ruim".

Mais uma integrante do time, Nanda Costa concorda com essa visão. "Tinha essa loucura, essa impulsividade, vai no meio de uma mesa da praça da tijuca, fala vamos roubar o hotel, todo mundo entra, quem não quer 40 milhões? Nem pensaram no caráter, na consequência, na ética, foram impulsivos".

#6. Sensualidade

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Mauricio Fidalgo/TV Globo

"Pega Pega" é uma novela sobre um roubo que permite discutir pautas sociais, como ética, preconceito e racismo, no meio de uma história leve e, ao mesmo tempo, divertida, mas conta ainda com muita sensualidade, como analisa Irene Ravache, a Sabine.

"A novela é de uma sensualidade, é extremamente sedutora, todos os personagens são sedutores". A atriz veterana acredita ainda que essa é a razão para o favoritismo dos ladrões: "Por isso as pessoas torcem pelos bandidos".

#7. A vida como ela é

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Paulo Belote/Globo

As mensagens de "Pega Pega" são o retrato de nossa sociedade que, na visão dos colaboradores, nunca deixará de ser atual. Podemos enxergar um pouco de nós mesmos e dos que convivem ao nosso redor quando se trata da discussão da ética.

"Acho que a novela lembra a gente que somos mocinhos e vilões da própria vida, que todos fazemos nossas escolhas, elas podem estar de acordo com nós ou com a lei, é legal para apontar o dedo para si próprio na hora de lutar por um mundo melhor".

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