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Após morte de Tarcísio Meira, infectologista explica casos graves após 2 doses da vacina

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Globo / Joao Miguel Junior

O ator Tarcísio Meira morreu na manhã desta quinta-feira (12), vítima de complicações causadas pela Covid-19. O ator estava internado desde a última sexta-feira (6), mas infelizmente perdeu a luta contra o vírus.

Tarcísio tinha 85 anos e já havia recebido as duas doses da vacina e, por isso, muitas pessoas se perguntaram por que o imunizante não evitou a morte do ator. Para tirar essa dúvida, uma médica infectologista fez um vídeo explicando.

Médica explica gravidade mesmo após vacinação

Desde o dia que foi internado, Tarcísio Meira foi intubado e encaminhado para a UTI. Dias depois, ele começou a realizar diálise, para a filtragem do sangue, pois seus rins não estavam funcionando como deveriam, segundo boletim divulgado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, onde o ator estava internado, em São Paulo.

Tanto Tarcísio, como Glória, que também está internada no mesmo hospital, mas com um quadro leve da doença, haviam se vacinado com as duas doses da vacina em março deste ano, na cidade de Porto Feliz, interior de São Paulo, onde se isolaram durante a pandemia.

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Globo/João Miguel Júnior

Por esse motivo, muitas pessoas estão se questionando a eficácia da vacina, já que ele estava imunizado e, mesmo assim, desenvolveu um quadro mais grave e acabou falecendo.

Vacina não age sozinha

A infectologista Luana Araújo, fez um vídeo para explicar por que isso aconteceu e aproveitou para lembrar que mesmo estando vacinado, é preciso continuar com as medidas de prevenção, como máscara, distanciamento e higienização das mãos.

"A grande dúvida das pessoas com relação ao que aconteceu com o ator é sobre ele ter tomado as duas doses da vacina, então vamos lá: a vacina, ela é mais uma estratégia, ela não é a estratégia definidora, ela não é a bala de prata como muita gente quer, ela é mais uma estratégia extremamente potente da qual a gente não pode abrir mão na atual luta contra a pandemia, mas ela não pode estar sozinha. É a vacinação acompanhada do distanciamento, do uso da máscara, da higiene das mãos e da ventilação natural. É isso que a gente tem hoje para diminuir ao máximo o risco das pessoas adoecerem".
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João Miguel Júnior/Globo

Além disso, a especialista também falou sobre o objetivo da vacina, que não é evitar que a pessoa pegue a doença.

"Diferente da máscara, o objetivo da máscara é impedir ou diminuir muito o seu risco de entrar em contato com o vírus. A vacina não. A vacina não impede você de entrar em contato com o vírus e do vírus entrar em você. Ela também não impede por completo que você desenvolva a doença, mas ela reduz muito a sua chance de adoecer. Ainda sim, algumas pessoas vão adoecer e dentre elas, aí sim, nós temos o maior efeito da vacina, que é a proteção contra a evolução para um quadro mais grave, em que o paciente precise ir ao hospital ou que venha a falecer. Esse é o foco principal da vacina", disse.

Efeitos da vacinação em idosos

Luana também esclareceu que os idosos, mesmo vacinados, ainda têm uma fragilidade maior e mesmo que seja raro, as pessoas com mais idade podem evoluir para um quadro mais grave ou até morrer:

"Os idosos têm uma fragilidade maior pelo próprio envelhecimento. Quando a gente envelhece, não envelhece só o rosto, só a pele, só o esqueleto da gente, nós envelhecemos como um todo. Isso significa que nosso sistema respiratório envelhece, então ele fica mais frágil, mais difícil de combater os microrganismos que tentam entrar por ele, significa que envelhece o nosso sistema imunológico, da mesma forma, então ele responde de uma forma mais lenta e menos eficiente ao estímulo da vacina, não é como um jovem. O jovem, normalmente, ele consegue responder de uma forma mais rápida e mais ágil, o idoso responde de uma forma mais lenta e menos eficaz".

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Tânia Rêgo/Agência Brasil

Ela ainda disse que isso é esperado quando uma pessoa com a idade mais avançada recebe qualquer vacina: "Quando a gente faz uma vacina para um idoso, a gente já espera que essa vacina o proteja, mas talvez não como a mesma eficácia que protege o jovem. E por isso é tão importante manter todas as medidas de precaução além da vacinação, principalmente nesses grupos que são mais frágeis".

Além da idade, a infectologista afirmou que outras comorbidades podem contribuir para um quadro mais delicado, que inspira maiores cuidados:

"Infelizmente isso aconteceu, é trágico, mas existem variações que explicam. Eu falei só da idade, mas eu não conheço o quadro dele, não sei se ele tinha outras comorbidades que o colocavam em uma situação ainda mais frágil, mas a idade, especificamente, com relação à vacina, é suficiente para a gente pensar que as outras estratégias precisam ser ainda mais fortalecidas".

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Tânia Rêgo/Agência Brasil

Depois da morte de Tarcísio, várias pessoas começaram a apontar que as vacinas não são eficazes, mas a médica desmentiu esse mito criado:

"Não adianta as pessoas falarem que a vacina não funcionou, não adiantou nada, claro que adiantou. Hoje podia ser um dia muito mais triste do que está sendo, porque a vacina, quando foi aplicada nos idosos, de uma forma prioritária, salvou muitas vidas dos idosos. A gente poderia estar numa situação muito pior do que estamos hoje".

Ao fim do vídeo, a médica ainda disse sobre uma possível terceira dose para pessoas que fazem parte desses grupos de risco.

"A terceira dose deve vir para esses grupos que respondem de uma forma não ideal, os idosos, transplantados, imunossuprimidos, esses são o alvo mais lógico e mais prioritário para uma dose de reforço. Mas tudo isso está sendo construído e deve ser oferecido assim que se mostrar lógico e concreto para todo mundo, finalizou.

Assista ao vídeo completo:

Morte de Tarcísio Meira