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Sintomas que implantes causaram em ex-BBB são comuns na "doença do silicone"

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Assim como outras famosas, a ex-BBB Amanda Djehdian fez recentemente um explante mamário para retirar dos seios as próteses de silicone que implantara há 14 anos – e, conforme contou aos seguidores, a decisão veio após o surgimento de um conjunto de sintomas persistentes que se encaixam na chamada “doença do silicone” ou siliconose, síndrome relativamente comum entre quem tem esse tipo de implante.

Amanda Djehdian faz explante após sintomas da "doença do silicone"

Em seu perfil no Instagram, Amanda Djehdian publicou uma foto na qual aparece segurando as próteses de silicone que foram recentemente retiradas em uma cirurgia de explante mamário, e se mostrou satisfeita com o procedimento. “Estou LIVRE, livre de dores, livre de choro, livre dessa bomba-relógio!”, escreveu, ressaltando que crê ter enfrentado a "doença do silicone".

Conforme contou, na época, a ex-BBB foi informada de que ter aquelas próteses seria seguro, mas, com o passar do tempo, ela passou a duvidar disso. “Meu corpo automaticamente e muito sábio, passou a tentar me proteger, mas não foi o bastante, passei a ter muitos sintomas ao longo desses anos e nada tinha explicação”, escreveu a ex-BBB, afirmando ter trocado as próteses em 2014.

“A médica afirmava que estavam rompidas (e nunca estiveram), me enganaram dizendo que essas novas próteses eram vitalícias, e a partir daí tudo começou a piorar”, disse ela, lembrando que os exames nunca chegavam a um diagnóstico. “Nunca era nada, os exames sempre ok. De um ano para cá, os sintomas passaram a gritar no meu corpo, como se fosse um pedido de socorro”, descreveu a ex-BBB.

Segundo Amanda, o quadro ocorreu graças à chamada “doença do silicone” ou siliconose, e ela descreveu os sintomas que apresentou. “Cabelo caindo, fadiga crônica, desmaios, vômitos, enxaquecas, sudorese, noturna, névoa cerebral, insônia, dores musculares, perda de memória, moscas volantes na visão, dentre outros”, listou ela, afirmando ter desenvolvido também uma contratura na região.

Ao buscar atendimento médico, porém, suas queixas não foram ouvidas. “Fui em médicos, disseram que era tudo coisa da minha cabeça essa tal ‘doença do silicone’, e que sim, estava com contratura, mas era só TROCAR de prótese, porque eu não ficaria bonita sem elas”, escreveu a ex-BBB, que se decidiu, então, por realizar o explante – algo que lhe devolveu qualidade de vida.

“Doença do silicone” ou siliconose: o que é?

Embora mulheres que realizaram explantes por estes sintomas estejam começando a conhecer e discutir a questão da “doença do silicone” atualmente, o cirurgião plástico Marcelo Olivan afirma que este diagnóstico vem sendo debatido por especialistas há pelo menos dez anos. Conforme explica, a siliconose se enquadra na chamada Síndrome Imunológica Induzida por Adjuvantes (conhecida também pela sigla ASIA).

Esta, por sua vez, é uma reação do organismo a materiais médicos como cateteres, placas, pinos metálicos, stents e implantes em geral causada pelo fato de que o corpo tem a capacidade de reconhecer substâncias estranhas e reagir na intenção de eliminá-las. É o mesmo processo, segundo o médico, que o de defesa do organismo, responsável por combater fungos, bactérias, vírus, entre outros.

Justamente por este motivo, todos estes materiais são fabricados de forma a torná-los compatíveis com o organismo, mas, ainda assim, pode ocorrer a ASIA, que não necessariamente ocorre logo após o implante, não se manifesta apenas quando as próteses se rompem e é caracterizada por sintomas sistêmicos, ou seja, sem relação aparente uns com os outros.

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Sintomas

De acordo com Olivan, os sintomas podem incluir:

  • Fraqueza ou dor muscular;
  • Artrite ou dores nas articulações;
  • Fadiga crônica, sono agitado ou distúrbios do sono;
  • Manifestações neurológicas;
  • Problemas cognitivos e perda de memória;
  • Febre e secura na boca.
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Diagnóstico

Ainda que, assim como mostra o quadro de Amanda, a doença do silicone apresente uma série de sintomas intensos, Olivan explica que ainda é muito difícil diagnosticá-la – e isso acontece por diversos motivos. Em primeiro lugar, os sintomas não parecem ter ligação entre si, são inespecíficos (ou seja, podem ter diversas causas), não dependem da integridade da prótese e podem acontecer anos após o implante.

“Imagine uma paciente com implantes há seis anos que, de repente, passa a se queixar de dificuldade de concentração. Teria associação ou não com o implante? Os profissionais não sabem responder”, explica o cirurgião plástico, lembrando que ainda há poucos estudos acerca do tema, e que os existentes não abrangem todos os sintomas possivelmente causados por ela.

Como a síndrome ainda não é tão estudada, fechar diagnósticos da "doença do silicone" é uma raridade entre médicos e, para fazer isso, é necessário que o paciente não só esteja sendo examinado por um profissional atualizado no assunto, como também apresente critérios específicos. Segundo o especialista, estes se dividem entre principais (que são os sintomas já citados) e secundários, que são:

  • Presença de anticorpos dirigidos contra o “corpo estranho”;
  • Síndrome do intestino irritável;
  • Genes HLA de tipos específicos (HLA DRB1, HLA DQB1);
  • Presença de uma doença autoimune como esclerose múltipla ou sistêmica.
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A ASIA, de acordo com o médico, é diagnosticada quando o paciente apresenta ao menos dois critérios principais ou então um principal e dois secundários. Entre os critérios principais, está também a presença de um “corpo estranho”, seja ele uma prótese de silicone ou outros objetos citados anteriormente, como stents, pinos, etc.

Tratamento

Assim como aconteceu com Amanda e outras mulheres afetadas pela “doença do silicone”, os sintomas tendem a desaparecer só quando a causa do problema é eliminada – como o explante das próteses, caso a paciente tenha um. Olivan lembra, no entanto, que a retirada do implante deve ser realizada a partir de um critério de exclusão devido ao fato de que a doença pode ser confundida com outras patologias.

Isso significa, portanto, que é necessário sempre mencionar a existência do implante em consultas médicas, para que o especialista possa descartar todas as hipóteses e encaminhar o paciente para o tratamento ou procedimento mais apropriado.

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Saúde