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Convencer-se de que você dormiu bem faz sua mente trabalhar melhor, mesmo que seja mentira

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Passou a noite em claro, ficou rolando na cama, enfim, teve uma noite de sono ruim? Um atalho simples pode "enganar" sua mente e fazê-la trabalhar bem no dia seguinte: fingir para si mesmo e se convencer de que dormiu tranquilamente (mesmo que seja mentira!).

Pelo menos é o que aponta um estudo publicado no Journal of Experimental Psychology, realizado por pesquisadores do Colorado College, nos Estados Unidos, que explorou os efeitos do que eles chamaram de “sono placebo”.

Como o sono placebo “engana” o cérebro

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De acordo com o trabalho científico, de 2014, acreditar que teve uma boa noite de sono, mesmo que não tenha sido uma realidade, pode "enganar” o cérebro e realmente fazer com que uma pessoa se sinta bem e competente no dia seguinte.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores promoveram dois experimentos. Em um primeiro momento, os voluntários (alunos de graduação) relataram como haviam dormido na noite anterior, em uma escala de 1 a 10 de profundidade.

Os participantes receberam uma aula rápida de cinco minutos sobre o efeito do sono na função cognitiva e foram informados de que o tema era apenas um pano de fundo para o estudo.

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David Prado Perucha/shutterstock

Durante a aula, foi dito que adultos normalmente passam entre 20% e 25% do tempo de sono no estágio REM, e que dormir menos do que isso tende a diminuir o desempenho nos testes de aprendizagem.

Foi afirmado também que quem passa mais de 25% do tempo de sono no estágio REM geralmente tem um desempenho melhor nesses testes.

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O REM (do inglês, Rapid Eye Movement, ou movimento ocular rápido) diz respeito à fase do sono na qual os olhos mexem de um lado ao outro, mesmo que as pálpebras estejam fechadas.

Em seguida, os participantes foram conectados a um equipamento que, supostamente, mediria pulsação, frequência cardíaca e frequência das ondas cerebrais. Na verdade, o aparelho media apenas a frequência das ondas cerebrais.

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Eles foram informados de que essas medições permitiriam aos pesquisadores dizer quanto sono REM eles tiveram na noite anterior. O que não era verdade.

Então, um dos pesquisadores fingia calcular que cada participante teve 16,2% de sono REM ou 28,7% de sono REM na noite anterior. Depois da medição, os voluntários fizeram um teste que mediria, segundo o estudo, “a atenção auditiva e a velocidade de processamento, habilidades mais afetadas pela privação de sono”.

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Um segundo teste repetiu essas mesmas condições, enquanto controlava o viés do experimento.

Foi possível descobrir que os participantes que foram informados de que tinham sono REM acima da média tiveram melhor desempenho no teste, e aqueles que foram informados que seu sono REM estava abaixo da média tiveram pior desempenho, mesmo quando a qualidade do sono relatada pelos próprios participantes foi controlada.

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O estudo mostrou, portanto, que se você acredita e se convence de que está bem descansado, seu cérebro terá um desempenho melhor, independentemente da qualidade real do seu sono.

O que a ciência sabe sobre o sono