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Morre jornalista da Globo que teve trombose cerebral após contrair COVID-19

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O apresentador Rodrigo Rodrigues, do SporTV, morreu nesta terça-feira (28), aos 45 anos, após ter desenvolvido um quadro de trombose venosa cerebral em decorrência da COVID-19. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da Rede Globo em uma nota oficial. O jornalista estava internado desde o último sábado (25) na unidade intensiva do hospital Unimed-Rio, no Rio de Janeiro.

Rodrigo Rodrigues morre após trombose cerebral

No dia 13 de julho, Rodrigo Rodrigues testou positivo para COVID-19 e foi afastado do trabalho. Apesar de não apresentar sintomas, ele havia entrado em contato com um amigo que posteriormente testou positivo para o vírus e, por isso, decidiu fazer o exame, que confirmou a infecção. Nos dias posteriores, Rodrigo desenvolveu falta de paladar e olfato, dois sintomas menos comuns da doença, mas dizia se sentir bem.

No último sábado, porém, o jornalista passou mal e deu entrada na emergência do Unimed-Rio apresentando dores de cabeça, vômitos e desorientação. Segundo a nota da emissora, ele foi então diagnosticado com um quadro de trombose venosa cerebral, doença em que veias do cérebro são entupidas por coágulos e impedem a circulação sanguínea normal.

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No domingo, ele chegou a passar por um procedimento para diminuir a pressão intracraniana gerada pela doença e estava em coma induzido na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas, na manhã desta terça-feira, ele teve a morte confirmada. A nota da emissora afirma que a morte foi causada por complicações desenvolvidas pela COVID-19.

Trombose venosa cerebral: o que é

De acordo com o neurologista clínico Eli Faria, do HCor, a trombose consiste na formação de coágulos nos vasos sanguíneos (“massas” mais espessas capazes de entupir estas vias) que impedem a circulação normal. No caso da trombose venosa cerebral, também conhecida como TVC, este coágulo se forma dentro das veias cerebrais, gerando um quadro diferente de acidente vascular cerebral (AVC).

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“A trombose venosa cerebral não deixa de ser um AVC, mas o AVC mais conhecido é o que acontece em decorrência do entupimento de artérias e costuma deixar mais sequelas do que a trombose venosa”, afirma o especialista. O problema, que costuma ocorrer uma predisposição genética potencializada por fatores como tabagismo, uso de anticoncepcional, sedentarismo e desidratação, tem como principal sintoma a cefaleia.

Neste caso, o sintoma aparece exageradamente forte e contínuo, sem responder a medicamentos usados corriqueiramente contra o problema. “É comum as pessoas ficarem tomando remédio para enxaqueca para controlar a dor quando na verdade é um sintoma de trombose”, alerta o médico, indicando que dores prolongadas e muito fortes requerem avaliação médica.

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Além das dores de cabeça, também é possível que o paciente apresente alterações na coordenação motora, na visão e na fala. Já no caso da trombose em outras partes do corpo – como na perna, região em que é bem comum este problema se manifestar –, os sintomas incluem inchaço de uma das pernas e coloração vermelha ou arroxeada na região, e estes sinais também indicam a busca por atendimento emergencial.

O que se sabe sobre a relação entre COVID-19 e problemas de circulação

Ainda que estudos sobre isso ainda estejam sendo conduzidos, especialistas no mundo todo têm apontado uma possível relação entre o SARS-CoV-2 e problemas de circulação. Isso porque, em meio à pandemia diversos pacientes sem histórico de doenças circulatórias estão apresentando trombose – alguns com casos mais simples e outros mais graves, como o ator Nick Cordero, que teve de amputar uma das pernas.

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De acordo com o angiologista e cirurgião vascular Ricardo Brizzi, a infecção pelo novo coronavírus proporciona uma hipercoagulação sanguínea e, por isso, medicamentos anticoagulantes têm sido usados até de forma preventiva em quadros graves de COVID-19. Segundo ele, quem já tem propensão a problemas circulatórios ou apresenta fatores de risco (como ser fumante, sedentário ou tomar pílulas) deve redobrar a atenção.

Não há, porém, um consenso sobre isso entre especialistas; apesar de os índices de trombose terem aumentado nos últimos meses, alguns médicos apontam outros fatores que podem causar isso. De acordo com Aline Lamaita, angiologista membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), nos casos de trombose após internação, a condição pode estar relacionada ao fato de o paciente estar acamado.

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“De forma geral, todos os pacientes com doenças graves – qualquer virose, qualquer outra situação clínica que cause uma internação a longo prazo – têm um risco aumentado de desenvolver trombose pelo fato de ficarem acamados, desidratados, com um processo inflamatório no corpo”, explica ela, informando que é de praxe dar anticoagulantes a pacientes que devem ficar internados por tempo indeterminado.

Além disso, ela também afirma que pacientes com quadros infecciosos graves que chegam à sepse (infecção generalizada) e não estão necessariamente ligados ao novo coronavírus podem apresentar um problema chamado coagulação intravascular disseminada (CIVD), em que a coagulação sanguínea ocorre de forma indiscriminada, podendo formar coágulos e afetar extremidades, como pernas, pés e mãos.

A quarentena em si, segundo ela, pode ser outro fator que tem levado a um aumento nos casos de trombose. “O problema é: como está todo mundo em quarentena ‘imobilizado’ na frente da televisão sem se movimentar, nós não sabemos se é alguma coisa relacionada ao vírus ou se tem relação com a quarentena em si. Era esperado mesmo que aumentasse a incidência de trombose por inatividade”, conclui.

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