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Vacina de Oxford é segura e gera resposta imune ao coronavírus, dizem cientistas

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Descrita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a “principal candidata” contra a COVID-19, a AZD1222, potencial vacina para o novo coronavírus criada por cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, foi anunciada nesta segunda-feira (20) como segura e eficaz na criação de imunidade contra o vírus. Os resultados foram publicados no periódico “The Lancet” e se referem às primeiras fases de teste da vacina.

Testes apontam vacina de Oxford como segura e eficaz

Em meio à corrida pela descoberta de uma vacina para COVID-19 que seja eficiente, a AZD1222, criada por cientistas da Universidade de Oxford em parceria com a biofarmacêutica global AstraZeneca, foi avaliada como segura e eficaz na imunização de pacientes de acordo com um estudo que retrata resultados dos testes preliminares realizados com o composto.

Seguindo uma estratégia usada para imunização contra a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), esta potencial vacina usa um adenovírus de chimpanzés inativado contendo o material genético da proteína Spike do SARS-CoV-2 para incentivar o organismo a produzir não só anticorpos contra o vírus como também as células T, que impulsionam o sistema imunológico no combate a doenças.

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Para as fases 1 e 2 de testes com a vacina, que foram realizados nos últimos meses, pesquisadores reuniram 1.077 pessoas saudáveis, com idades entre 18 e 55 anos, sem histórico laboratorial de infecção pelo novo coronavírus ou relato de sintomas comuns da COVID-19, e os dividiram em dois grupos; enquanto 534 participantes receberam uma vacina contra meningite, os outros 543 receberam a AZD1222 (e nenhum foi informado sobre qual tipo de imunização foi administrada).

Segundo o estudo, os ensaios demonstraram que a vacina foi capaz de gerar resposta imune no organismo dos voluntários, com um pico na produção de células T registrado no 14º dia após a aplicação do composto e a de anticorpos no 28º dia. Com isso, um pequeno grupo foi selecionado para receber uma segunda dose da vacina e, após este reforço, a resposta imune contra o vírus nos participantes aumentou.

Além disso, foi avaliada também a ocorrência de efeitos colaterais da aplicação da imunização: assim como muitas outras vacinas, foram relatados sintomas como estado febril, calafrio, dores musculares, dores de cabeça e indisposição por participantes que receberam a imunização contra o SARS-CoV-2. Parte deles, no entanto, foi medicada com paracetamol pouco tempo após a aplicação, e os sintomas foram controlados.

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Quando ela chega?

Isso, porém, não significa que a vacina esteja pronta para ser aplicada na população geral; de acordo com o próprio estudo, o grupo no qual a imunização foi testada ainda é considerado pequeno e pouco representativo, já que não avaliou especificamente os efeitos do composto em grupos como portadores de doenças, populações de mais etnias e pessoas mais idosas.

Antes deste estudo ser publicado, a 3º e última fase de testes com a potencial vacina para COVID-19 já estava em andamento – e o Brasil é um dos países que integram estes ensaios. A ideia desta etapa é avaliar novamente a segurança e a eficácia da imunização em um grupo maior de pessoas – e, recentemente, Pascal Soriot, diretor-executivo da AstraZeneca, projetou os primeiros resultados desta fase para uma data bem próxima.

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“Se tudo correr bem, nós teremos os resultados dos testes clínicos em agosto ou setembro. Nós estamos manufaturando [a vacina] em paralelo. Estaremos prontos para entregá-la em outubro se tudo correr bem”, disse ele recentemente em uma entrevista à rádio belga Bel RTL.

A partir disso, porém, é preciso um registro realizado junto a órgãos internacionais para que a vacina possa ser produzida em outras localidades. Sobre isso, Soraya Smaili, reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), responsável pelos testes na capital, também tem previsões.

“É preciso respeitar o tempo do estudo. É preciso termos os resultados pelo menos dos seis primeiros meses para sabermos qual é o conjunto dos resultados. Serão mais de 50 mil voluntários no mundo, 5 mil no Brasil, 2 mil na cidade de São Paulo e, juntando todos esses resultados, nós poderemos ter o registro em doze meses. Isso significa junho do ano que vem”, disse ela em entrevista recente à “GloboNews”.

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Saúde