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Possível cura da Aids: homem está há mais de 1 ano sem o vírus após tratamento da Unifesp

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Jarun Ontakrai/Shutterstock

Um estudo brasileiro tem dominado os noticiários científicos do mundo ao anunciar que um paciente soropositivo de 35 anos está há mais de um ano sem sinais de HIV no corpo após receber um tratamento desenvolvido na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Caso sejam confirmados resultados a longo prazo, esta pode ser a primeira iniciativa eficaz em eliminar o vírus causador da Aids a partir do uso de medicamentos.

Estudo brasileiro aponta possível cura para a Aids

Embora seja possível controlar os efeitos do HIV no organismo a partir de um coquetel antirretroviral (que, no Brasil, pode ser obtido gratuitamente), as buscas pela cura da Aids ou vacina contra o vírus nunca foram deixadas de lado – e uma pesquisa divulgada recentemente e conduzida pelo infectologista brasileiro Ricardo Sobhie Diaz pode ter encontrado uma combinação promissora de medicamentos contra o vírus.

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Ezume/Shutterstock

Conforme explicou em uma coletiva de imprensa online da 23ª edição da International Aids Conference, realizada nesta terça-feira (7), um homem de 35 anos (34 na época do estudo) está agora há mais de um ano em processo de remissão do vírus (quando não há sinais de atividade dele no organismo) após a administração de três medicamentos durante 48 semanas. O brasileiro já vinha tomando antirretrovirais regulares há dois anos antes disso e integrou então o grupo do experimento realizado entre 2016 e 2019.

O estudo em questão consistiu na administração de três medicamentos em uma série de pacientes: o Dolutegravir (um antirretroviral já geralmente usado no tratamento contra o HIV), o Maraviroc (também antirretroviral) e a Nicotinamida (vitamina do complexo B). Após as 48 semanas com a medicação, o paciente apresentou declínio na quantidade de anticorpos produzidos contra o HIV, e então retomou o uso do coquetel regular.

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gevende/iStock

Por três anos, ele seguiu usando os remédios que usava antes do experimento e, em seguida, entrou em um processo de interrupção analítica do tratamento (esquema chamado de ATI que consiste na pausa em quaisquer tratamentos contra a ação do vírus para avaliar se eles mantêm ou não seus efeitos no organismo). Segundo Diaz, testes laboratoriais rotineiros não identificaram mais o material genético do vírus no paciente.

Isso significa, segundo com o pesquisador, que ele está há 64,7 semanas com carga viral indetectável, ou seja, em remissão há cerca de um ano e dois meses. Na coletiva, Diaz disse também que, para assegurar que o paciente não tomou antirretrovirais sem o conhecimento dos cientistas, foram feitos testes para identificar estes medicamentos no organismo, além de análises nos registros de retirada dos remédios no sistema público de saúde (já que eles não estão à venda).

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wavebreakmedia/Shutterstock

Apesar da descoberta ser bastante animadora, porém, não fica claro qual foi o resultado do experimento para os outros integrantes do grupo que integrou o estudo, e outras lacunas foram apontadas por médicos durante a apresentação de Diaz na conferência. Foi apontado, por exemplo, que é preciso assegurar o efeito duradouro deste tratamento, bem como realizar mais estudos com mais de um indivíduo.

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