Viseira de proteção é mais segura que a máscara? Quem deve usar?

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Obrigatórias em diversas cidades, as máscaras de proteção se tornaram um item indispensável para quem sai na rua, mas há também quem aposte não apenas na peça de tecido, mas nos chamados “face shields” (“escudos faciais” em português, também conhecidos como viseira de proteção), estruturas feitas de um tipo de plástico resistente que protegem o rosto como um todo. Segundo médicos, porém, este item não é recomendado para o dia a dia, e o mau uso traz mais riscos do que não usar.

"Face shields": recomendações de uso

Cada vez menos raro nas ruas, o “face shield” é, segundo o infectologista João Prats da BP, a Beneficência Portuguesa de São Paulo, um equipamento voltado para a prevenção de contaminação em âmbito hospitalar. “A gente usa quando vai ter uma exposição muito grande às secreções das vias aéreas do paciente, como quando você vai fazer uma intubação, uma broncoscopia, um procedimento que envolve a garganta, etc.”, afirma ele.

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Segundo o médico, ele se faz necessário nestas situações específicas porque, ao realizar uma intubação, por exemplo, o paciente libera microgotículas que podem contaminar áreas do rosto do profissional que a máscara e os óculos de proteção não cobrem. Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também recomenda seu uso para profissionais que estão em contato próximo com pacientes infectados pelo novo coronavírus.

Em outras situações, ele não é necessário – e isso vale tanto para profissionais da saúde que não têm proximidade com pacientes de COVID-19 nem contato extremo com secreções quanto para o uso no dia a dia fora do hospital.

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Segundo Ingrid Cotta, também infectologista da BP, não há evidências científicas sobre o benefício de usar o “face shield” na rua, e o médico concorda, citando ainda que ele pode criar mais um risco em vez de proteger. “A gente usa em um procedimento médico, ele vai ficar contaminado, aí a gente tira e higieniza. Para o uso do dia a dia, você vai por a mão o tempo inteiro, pode acabar se contaminando e é difícil controlar, porque não tem uma regulamentação para fora do hospital de como limpar esse equipamento”, afirma.

Para Ingrid, o melhor a se fazer no dia a dia é apostar nas máscaras (lembrando sempre de colocar e tirar o item da forma correta, bem como fazer uma boa desinfecção com água e sabão ou água sanitária diluída), manter distância de dois metros de outras pessoas, lavar as mãos frequentemente ou desinfetá-las com soluções alcoólicas próprias para a pele e evitar proximidade com pessoas doentes.

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É melhor que máscara?

Além disso, Prats explica que, ao contrário do que muita gente pensa, a viseira não é mais efetiva que a máscara e não funciona sem que o item de tecido também seja usado para complementar a proteção do escudo. “O face shield não bloqueia tão bem a tosse, o espirro, então você vai tossir e continuar espalhando secreções, gotículas com vírus, no ambiente”, esclarece o infectologista, lembrando que o uso hospitalar também se dá em conjunto com outros equipamentos de proteção individual (EPI).

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