Novo sintoma de COVID-19 em crianças alertou a Espanha: especialistas explicam

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Um novo sintoma de coronavírus (SARS-CoV-2) intrigou médicos na Espanha. Estudos dermatológicos mostraram que a infecção pelo novo vírus também pode se manifestar na pele, através de vermelhidão ou inchaço das extremidades do corpo.

Nos últimos dias, dermatologistas espanhóis verificaram o novo sintoma como um sinal para a COVID-19 e o observaram especialmente entre crianças e adolescentes.

Consultada pelo VIX, a dermatologista brasileira Marcela Condé confirma que a doença pode se manifestar por meio de sintomas na pele, mas diz que estes podem ocorrer em pacientes de qualquer idade.

Sintomas comuns do coronavírus

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A evolução do novo coronavírus continua intrigando os cientistas a nível global. Enquanto medidas de prevenção adotadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) se difundem, o comportamento da enfermidade ainda é um enigma.

De modo geral, os resultados das investigações sobre o novo coronavírus levadas a cabo até agora apontam os seguintes fatos conclusivos sobre a COVID-19: a doença afeta com maior gravidade os idosos e/ou pessoas com doenças crônicas, e os sintomas mais comuns são dor de garganta, tosse, febre e falta de ar.

Sintoma na pele em casos de coronavírus é visto em jovens

Entretanto, um novo sintoma deixou os médicos da Espanha intrigados: vermelhidão ou inchaço das extremidades do corpo. Segundo a dermatologista espanhola Cristina Galván explicou em entrevista ao canal "Antena 3", a vermelhidão de extremidades chama atenção por demonstrar maior incidência em pacientes com menos predisposição ao contágio (desde recém-nascidos até os adolescentes), e destacou que seus colegas médicos detectaram tal sintoma em muitos pacientes jovens que testaram positivo para o coronavírus.

"A pele das extremidades tende a ficar vermelha em um setor da população que, em um primeiro momento, não se considerava 'de risco' [para a COVID-19]. A inflamação avermelhada está sendo produzida, majoritariamente, em casos onde existem sintomas leves ou muito iniciais de COVID-19 (...) Embora este novo sintoma não possa ser limitado a pessoas jovens", diz Cristina.

Além de enfatizar que o sintoma foi visto em jovens, a dermatologista espanhola também fez questão de sinalizar que os sinais dermatológicos visto por ela e outros médicos não podem ser tomados como conclusivos para o diagnóstico de COVID-19. Segundo Cristina, ela e os colegas estão determinando a correlação deste sintoma com o SARS-CoV-2.

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Médica brasileira diz que sintoma pode acometer todas as idades

De acordo com a dermatologista brasileira Marcela Condé, da Clínica Penchel, a COVID-19, de fato pode se manifestar por vias dermatológicas.

"Os sinais na pele são como manchas avermelhadas, denominadas petéquias, com ou sem urticária. Elas ocorrem devido a pequenos sangramentos, como consequência da diminuição do número de plaquetas no sangue. Essa alteração laboratorial, chamada plaquetopenia, é um achado comumente presente na doença que gera alteração na cascata de coagulação do sangue", explica a especialista.

Marcela alerta que outras doenças também se manifestam por meio dessas vermelhidões, como é o caso da dengue, mononucleose, entre outras. A dermatologista brasileira também fala que manifestações dermatológicas da COVID-19 podem aparecer em qualquer paciente contaminado pelo Covid-19.

"Não existem estudos que indiquem prevalência de acordo com idade ou sexo, mesmo porque o número de casos em que foram encontradas as manifestações na pele são relativamente baixas, em proporção aos casos confirmados pela COVID-19", diz Marcela.

Recomendações aos pais

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A recomendação de Cristina para os pais, desse modo, é que os pais fiquem atentos à pele dos filhos. Em casos assintomáticos ou muito leves de COVID-19, a vermelhidão da pele pode ser um sinal para a doença.

"Fique atento a vermelhidão de mãos, pés, dedos, calcanhares e tornozelos. Tivemos casos positivos para COVID-19 que foram acompanhados de erupções parecidas com as de sarampo. Há pacientes que desenvolveram pontinho de cor violeta e requerem monitoramento especial: as bolhas podem virar úlceras e se infectarem facilmente", diz Cristina.

A médica espanhola também recomendou que não se subestimem irritações presente na pele. "Se uma criança apresenta vermelhidão das extremidades, não é necessário levá-la à emergência do hospital. Se trata de um espaço muito suscetível ao contágio. Os pais devem tomar a decisão de avaliar o estado da criança (ou qualquer paciente afetado) seguindo os protocolos de saúde de sua localidade", diz Cristina.

A recomendação de Marcela dialoga com a de Cristina. Segundo a dermatologista brasileira, lesões na pele não costumam aparecer como sintoma único para COVID-19. Quando surgem, são sempre mais tardios e associados a outros sintomas da doença.

Desse modo, ter um sintoma de pele não é o suficiente para levar crianças à uma unidade de saúde aqui no Brasil. "Nesse momento de quarentena, está autorizado aos médicos realizarem consulta por teleconferências. Então, o ideal é conversar com seu dermatologista de confiança", diz a especialista brasileira.

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Coronavírus

Matéria traduzida do original de VIX espanhol, do autor Carol Sandoval.