Vitamina D contra coronavírus: o que se sabe e quais as recomendações dos médicos?

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Muito se fala sobre o uso da vitamina D como método de prevenção ao novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Contudo, segundo recomendação de especialistas, não há qualquer evidência que a substância aja diretamente contra o vírus.

Vitamina D combate o coronavírus?

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A vitamina D atua como reguladora do metabolismo ósseo, sendo fundamental na manutenção desta estrutura. Apesar de ser relacionada ao fortalecimento da imunidade, este efeito é incerto, segundo os especialistas consultados pelo VIX.

A principal fonte desta substância para o nosso corpo é sol, que provém 90% da vitamina D necessária. "Os raios ultravioletas tipo B ativam a produção de vitamina D pela pele", explica a endocrinologista Rosália Padovani. Segundo ela, cinco a dez minutos de exposição diária são suficientes para a síntese.

Os 10% restantes vêm através da alimentação, por meio de comidas como atum, salmão, sardinha, leite de vaca, iogurte, fígado de boi e gema de ovo, dentre outros.

Pela suposta relação com o sistema imunológico, a vitamina D tem sido divulgada nas redes sociais como uma possível prevenção ao novo coronavírus. Porém, o Ministério da Saúde já desmentiu esta informação em uma publicação sobre as fake news acerca da COVID-19, a doença causada pelo vírus.

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Billion Photos/Shutterstock

Setsuo Maeda, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional de São Paulo (SBEM/SP), reforça o dado: “Não existem comprovações científicas, até o momento, de que a vitamina D deva ser utilizada para combater a COVID-19”.

Sobre a relação da vitamina com um possível fortalecimento da imunidade, Rosália Padovani diz que não há qualquer estudo conclusivo sobre isso. “Defender o uso de vitamina D como estratégia de prevenção ao coronavírus ainda é extremamente precoce e inapropriado”, diz a médica.

Segundo Rosália, uma pesquisa italiana recente chegou a relacionar a vitamina D à redução de fatores de risco da COVID-19, mas se trata de um estudo de associação entre pacientes idosos com comorbidades, o que pode ter enviesado o resultado, já que pessoas mais velhas tendem a apresentar deficiência desta substância.

Desta forma, ela conclui que a suplementação de vitamina D poderia ser benéfica em pacientes que não possuem os níveis ideais da substância no organismo, atuando na redução do risco de infecções agudas do trato respiratório. Já para jovens com níveis adequados da vitamina, não se pode comprovar a eficácia da suplementação na proteção ou tratamento da COVID-19 - e, mais do que isso, ela pode ser maléfica se feita sem indicação médica.

Superdosagem de vitamina D é perigosa

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NatchaS/shutterstock

Além de não haver comprovação da eficácia da vitamina D contra o coronavírus, elevar os níveis desta substância no corpo pode ser nocivo. Fácil de ser encontrada em farmácias ou mesmo na internet, a substância pode trazer complicações ao corpo quanto ingerida em quantidades excessivas.

A vitamina D é lipossolúvel e, portanto, pode causar intoxicação se consumida em quantidades exageradas. Os possíveis sintomas disto são:

  • perda de apetite,
  • náusea e vômitos,
  • anorexia,
  • dor abdominal,
  • prisão de ventre,
  • sede excessiva,
  • eliminação de urina em excesso,
  • desidratação,
  • cálculos renais,
  • diabetes,
  • nefrite intersticial crônica,
  • insuficiência renal aguda e crônica,
  • hipotonia (diminuição do tônus muscular e da força),
  • formigamento,
  • confusão mental,
  • crise convulsiva,
  • apatia,
  • coma;
  • arritmia,
  • diminuição na frequência cardíaca,
  • hipertensão,
  • cardiomiopatia;
  • fraqueza muscular,
  • calcificação (quando sais de cálcio se acumulam nos tecidos moles),
  • osteoporose;
  • calcificação conjuntival.

Por isso, caso haja necessidade de suplementar a vitamina D no corpo, ela sempre deve ser feita com supervisão médica.

Prevenção ao coronavírus

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As medidas de prevenção contra o SARS-CoV-2, desse modo, continuam sendo aquelas já conhecidas: distanciamento social, higiene e cuidados pessoais.

O isolamento social é amplamente defendida por profissionais de saúde e governos como uma estratégia de prevenção e gerenciamento da crise. De acordo com João Prats, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, a medida ajuda a diminuir o número de casos de COVID-19, assim como o pico da epidemia, e a não sobrecarregar o sistema de saúde.

Além disso, técnicas de higiene e cuidados pessoais são de extrema importância. São eles:

  • Evitar tocar olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas;
  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool;
  • Higienizar objetos de uso frequente, como celulares;
  • Manter-se a dois metros de distância de pessoas que estejam tossindo ou espirrando;
  • Ao tossir ou espirrar, cobrir o rosto com a parte interna do cotovelo ou usar um lenço - e fazer uma higienização imediatamente, assim como jogar o material fora;
  • Evitar contato com pessoas com doenças respiratórias;
  • Ficar em casa, especialmente se estiver doente.

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