Falta de ar por ansiedade: psicóloga ensina a identificar (e diferenciar de COVID-19)

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A falta de ar é um dos sintomas que caracterizam casos graves de COVID-19, mas, como ela também pode aparecer em decorrência de ansiedade ou pânico, e a pandemia do novo coronavírus tem desencadeado medo em muita gente, é possível que pessoas desenvolvam este sintoma por um quadro emocional, sem saber como diferenciar os dois tipos de dificuldade respiratória.

Segundo especialistas, no entanto, a duração do sintoma, a forma como ele aparece e os outros sinais que o acompanham são fatores que podem ajudar a entender se o quadro está ligado a um distúrbio de origem psicológica ou a males físicos (como a infecção pelo novo coronavírus).

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Situação é propícia para ataques de pânico

De acordo com a psicóloga clínica Marina Prado Franco, ataques de pânico surgem em decorrência da ansiedade, distúrbio psicológico de que muitas pessoas sofrem na atualidade. “É como se fosse a ansiedade num pico muito elevado, é por isso que chamamos de episódios de pânico ou ataques de pânico”, esclarece a especialista.

Conforme explica, as causas dos ataques vão além de situações pontuais – mas o momento é propício para o surgimento deles. “A gente fica vendo notícias que provocam transformações na rotina, assim como o medo de ficar doente. Todas essas mudanças podem ser fatores que propiciam o surgimento de um ataque de pânico junto de fatores de ordem biológica e genética”, afirma.

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Falta de ar por coronavírus e por pânico: como diferenciar

Além dos sintomas mais comuns de COVID-19, como tosse e febre, casos graves da doença têm sintomas característicos, e um deles é a falta de ar. Até agora, a indicação do Ministério da Saúde é a de buscar atendimento emergencial apenas caso o paciente apresente este sintoma – mas o pânico, mal intensificado por situações alarmantes como a atual, também pode gerar esta manifestação.

“O ataque de pânico surge aparentemente sem uma causa específica, pode surgir quando a pessoa está dormindo, e pode estar associado a sintomas como taquicardia, sudorese, tremores, formigamento e boca seca. Além disso, há também um medo da morte, medo do que vai acontecer, medo do que [a pessoa] está sentindo e medo de perder o controle”, lista a psicóloga.

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Segundo ela, este quadro é bem diferente do que o característico para pacientes de COVID-19 que manifestam sintomas. “No coronavírus, seria uma coisa associada a outros sintomas de gripe, congestão nasal, tosse e febre, não necessariamente associada a esses pensamentos de perder o controle e do medo da morte”, esclarece Marina,

Outra diferença, segundo ela, está na duração dos sintomas; conforme explica, ataques de pânico duram, em média, cerca de dez minutos, fazendo com que a falta de ar desapareça aos poucos, enquanto a doença causada pelo vírus afeta os pulmões e, por isso, pode gerar uma dificuldade respiratória mais prolongada (especialmente se não houver assistência médica).

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Além disso, a psicóloga afirma também que é possível a falta de ar decorrente do pânico aparecer sem estar associada aos outros sintomas físicos, como a sudorese e o formigamento, mas é raro ela não estar associada aos pensamentos fatalistas citados por ela.

“Ela pode ter uma falta de ar associada aos medos em um primeiro momento, e depois podem surgir os outros sintomas ou não. Geralmente, ela vem associada no mínimo a esses pensamentos e tem um pico: dura alguns minutos e passa”, afirma Marina.

O que fazer em cada um dos casos

Em casos assim, o indicado é tentar espairecer, buscando um local calmo que, de preferência, seja aberto, e fazendo exercícios de respiração (inspirar e expirar lentamente, se concentrando no processo). Já nos quadros de coronavírus com falta de ar, o mais indicado é buscar atendimento emergencial. Se não houver falta de ar, a orientação é ficar em casa ou, no máximo, ir a um posto de saúde.

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