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Quem deve ou não usar máscara contra coronavírus e como? Regras mudaram

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Antonio Rico/Shutterstock

Desde o início da pandemia de COVID-19, tanto órgãos de saúde brasileiros quanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) indicavam o uso de máscaras apenas para profissionais da saúde, pessoas com sintomas e as que estão cuidando de pacientes da infecção. Agora, porém, o Ministério da Saúde mudou a recomendação e passou a indicar o uso de máscaras caseiras para a população geral – diretriz que vem acompanhada de alertas e instruções importantes.

Máscara contra o coronavírus: o que muda na recomendação

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Angelina Bambina/Shutterstock

Assim como a influenza (gripe) e outras infecções virais, o SARS-CoV-2 – novo coronavírus descoberto na China em 2019 – é transmitido especialmente pelo contato de gotículas infectadas com as vias aéreas de uma pessoa saudável – e, como máscaras são usadas com o fim de evitar esse tipo de contágio, muitas pessoas vêm usando o acessório desde o início da pandemia.

Porém, tanto a OMS quanto do Ministério da Saúde vinham orientando o contrário até agora: segundo os órgãos, como as máscaras poderiam ser um vetor de transmissão se usadas da forma incorreta, além de passarem uma falsa sensação de imunidade ao vírus, e principalmente levando em consideração a escassez deste material no mundo todo, o que tem colocado médicos, cuidadores e pacientes em situação vulnerável, o indicado era que apenas profissionais de saúde e pessoas com sintomas de gripe usassem máscara.

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Artreef/Shutterstock

Porém, conforme a pandemia tem avançado, e após estudos apontarem que pacientes com sintomas imperceptíveis ou assintomáticos podem transmitir o vírus, o Ministério da Saúde mudou as diretrizes para o uso da máscara pela população geral nesta quarta-feira (1).

Durante uma coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reconheceu que o uso de máscaras pela população como proteção pode ajudar na contenção do vírus, mas fez orientações claras para que o uso seja feito da maneira correta e eficaz, e também garanta que profissionais de saúde não fiquem sem o acessório.

Orientação é fazer a própria máscara em casa

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kckate16/Shutterstock

“Qualquer pessoa pode fazer sua máscara de pano e utilizar, porque vai funcionar e [a pessoa] vai estar ajudando o sistema de saúde”, afirmou ele, ressaltando que, em um momento como este, a sociedade deve “lutar com as armas que tem”, e que cada pessoa deve fazer de quatro a cinco máscaras para ter como se proteger enquanto uma delas está sendo lavada ou secando.

Quanto às máscaras cirúrgicas e a N95, normalmente utilizada por pintores (mas que também já têm sido adquirida pela população em geral), a orientação segue sendo a de não comprá-las para não prejudicar profissionais da saúde. A recomendação, segundo o ministério, é a de que apenas médicos, enfermeiros, doentes e pessoas que cuidam destes pacientes tenham acesso a elas.

Apesar da mudança de tom do ministério da Saúde e do fato de que outros países já têm orientado a população desta forma, o posicionamento da OMS sobre o item segue o mesmo. Em uma coletiva de imprensa, o diretor-geral do órgão, Tedros Adhanom voltou a recomendar o uso de máscaras apenas para doentes e profissionais da saúde.

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DimaBerlin/Shutterstock

“Há um debate em andamento sobre o uso de máscaras a nível comunitário. A OMS recomenda o uso de máscaras cirúrgicas para pessoas que estão doentes e para aquelas cuidando delas. [...] A OMS continua reunindo todas as evidências disponíveis e continua avaliando o potencial do uso de máscaras de forma mais ampla para o controle da transmissão do COVID-19”, afirmou Tedros.

Quando usar máscara?

Para pessoas que testaram positivo para COVID-19, a orientação é ficar em isolamento, mesmo dentro de casa. Caso precisem se aproximar de outra pessoa, devem usar a máscara (preferencialmente cirúrgica).

Para as pessoas que não estão com sintomas de gripe, a máscara é indicada somente ao sair de casa (para trabalhar ou acessar serviços essenciais, como mercado e farmácia), sendo descartada ou lavada ao voltar para casa.

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Para quem passa horas fora de casa (no trabalho, por exemplo), ou para o caso de a máscara ficar molhada devido a tosse, espirro ou fala durante o uso, é indicado ter mais de uma unidade disponível para realizar a troca quantas vezes forem necessárias. Neste caso, armazene a máscara de tecido em um saco plástico com fecho hermético e só tire de lá quando for lavá-la. Máscaras descartáveis não devem ser lavadas ou reutilizadas.

Colocar e tirar máscaras requer cuidado

Apesar da orientação para que se use máscaras caseiras se for necessário sair de casa, utilizá-las de forma indevida pode fazer com que elas sejam, em vez de uma proteção, um vetor de contágio. Isso porque, caso a pessoa seja exposta a gotículas transmissoras do vírus, elas ficam na parte de fora, e a falta de cuidado ao tirar ou o manuseio indevido durante o uso facilitam a contaminação.

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Africa Studio/Shutterstock

Além da higiene das mãos, do ambiente e dos materiais usados para fazer as máscaras, é extremamente importante não tocar o tecido durante o uso – já que, caso a pessoa, por exemplo, coce o nariz por cima da máscara, a mão pode contaminar o tecido e vice-versa. Uma vez tocada, a máscara deve ser substituída.

A máscara deve ser colocada de frente e diretamente sobre o nariz e a boca (e não, por exemplo, ser colocada sobre olhos ou testa e então puxada para baixo), e, ao retirá-la, também é necessário mantê-la virada para frente, evitando contorcê-la de modo que a parte frontal se vire contra o rosto. É muito importante realizar todo o manuseio somente tocando os elásticos, já que o toque no tecido pode comprometer a barreira.

Como higienizá-las?

Após a retirada, a máscara (de tecido) deve ser devidamente lavada. Segundo Mandetta, as máscaras caseiras de pano devem ser higienizadas a cada uso, e é possível usar água sanitária para realizar o processo. Além desta substância, também é possível lavá-las com água e sabão, como se faz com peças de roupa, e é ideal que os itens sequem ao sol.

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Como fazer máscaras em casa?

As máscaras caseiras, que estão sendo indicadas pelo ministério da Saúde para ajudar na prevenção contra o novo coronavírus, são fáceis de fazer e há diferentes formas para isso.

A mais fácil é usar um quadrado grande de tecido, dobrá-lo ao meio duas vezes, obtendo um retângulo, e envolver as laterais com um elástico de cada lado. Dobre as pontas remanescentes em direção ao centro, de forma que os elásticos possam ser posicionados em torno das orelhas.

Também é possível costurar o tecido na máquina ou na mão. Todo este processo deve ser realizado com as mãos devidamente higienizadas (lavadas com água e sabão ou com álcool 70%), em uma superfície desinfetada e com tecido e elásticos limpos.

Confira diferentes formas de fazer máscara caseira:

Máscara é uma forma a mais de proteção: higiene ainda é principal medida

Um dos maiores medos de órgãos e profissionais de saúde quando se fala em recomendar o uso de máscaras pela população é a falsa sensação de segurança absoluta que elas passam – quando, na realidade, até médicos se contaminam por doenças na hora de remover tanto este item quanto outros equipamentos de proteção, como macacões e luvas.

Com isso, há, junto da recomendação sobre as máscaras, uma forte orientação para que as pessoas não descuidem dos hábitos de higiene já amplamente divulgados. Assim, lavar as mãos com frequência, higienizá-las com álcool em gel na ausência de água e sabão, não tocar o rosto, desinfetar superfícies de uso comum e praticar o distanciamento social seguem sendo medidas essenciais.

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Summer Photographer/Shutterstock

Máscaras profissionais não devem ser compradas

Na coletiva, Mandetta afirmou que tem se estudado a possibilidade de se produzir máscaras diferentes da cirúrgica para oferecer à população, fabricadas com tecido ou TNT, mas, enquanto isso não acontece, a recomendação é a de que as pessoas que não estão doentes ou cuidando de infectados usem apenas as máscaras caseiras.

Isso, no caso, se deve à escassez deste equipamento de proteção, que deve ser destinado a quem está na linha de frente do combate ao novo coronavírus. Sem os devidos itens de proteção, médicos e enfermeiros podem se contaminar, e em meio à pandemia é essencial que estas pessoas estejam saudáveis e funcionais, cuidando dos doentes e prevenindo mortes.

Orientação sobre luvas continua a mesma

Luvas cirúrgicas, geralmente usadas por profissionais da saúde, também têm sido compradas e utilizadas pela população – mas a recomendação dos órgãos de saúde quanto a este item não mudou. Por enquanto, elas devem ser usadas apenas por médicos, enfermeiros e por aqueles cuidando de pacientes infectados pelo novo coronavírus.

Vale lembrar que, ao tocar uma superfície contaminada, tanto as mãos quanto as luvas são infectadas, sendo necessário evitar tocar o rosto em ambas as circunstâncias e descartar o acessório ou lavar as mãos na sequência - ou seja, o uso das luvas não oferece proteção ao coronavírus superior à higienização das mãos e pode até aumentar o risco devido à falsa sensação de segurança.

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