Corote faz mais mal que outras bebidas? Dá mais ressaca? O que você deve saber sobre o drink

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Divulgação/Missiato/Corote Sabores

Disponível em dez sabores que vão de morango e pêssego a baunilha com limão e canela, o Corote, coquetel alcoólico à base de vodca, está fazendo cada vez mais sucesso entre os jovens, mas relatos sobre efeitos exagerados e ressacas intensas têm levantado debates sobre quão seguro é seu consumo. Saiba o que especialistas têm a dizer sobre os efeitos do Corote e a forma como ele é consumido.

Corote: composição, teor alcoólico e mais

Fabricado pela empresa Missiato, o Corote é vendido em embalagens de 500 ml e aparece nos sabores blueberry, pêssego, morango, maracujá, tutti frutti, baunilha com limão, menta, limão, canela e açaí e Catuaba. Segundo o rótulo do coquetel, o teor alcoólico do coquetel é de 13,5% - algo que, a critério de comparação, é mais que o dobro do teor alcoólico de marcas populares de cerveja (cerca de 5%) e bem menor do que o da vodca pura (40%).

Ainda de acordo com a embalagem, cada dose de 100 ml do coquetel possui 322 calorias - totalizando 1.610 kcal por garrafinha (o equivalente a cerca de cinco caipirinhas ou dois sanduíches do tipo fast food ou quase uma pizza de muçarela inteira). Na composição, o produto possui vodca, açúcar, conservantes, acidulantes, aromas e corantes, todos regulamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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Divulgação/Missiato/Corote Sabores

Corote faz mais mal que outras bebidas?

Nas redes sociais, não é raro encontrar pessoas que costumam consumir o coquetel relatando bebedeiras intensas seguidas por uma ressaca desagradável e, com isso, o Corote ganhou a reputação de mais “perigoso” que outras bebidas alcoólicas. Estes efeitos, no entanto, não têm necessariamente relação com componentes do produto ou seu teor alcoólico.

Na divulgação do produto, é comum ver a afirmação de que o Corote tem em sua composição uma vodca tridestilada - e, como a cada processo de destilação o álcool fica mais puro e mais forte, muita gente acha que o coquetel tem um teor alcoólico muito mais alto do que o de 13,5% informado na embalagem. Segundo Carlos Gabriel Pelingrin, químico da empresa, porém, isso não é real.

Conforme explica o especialista, o processo de tridestilação significa que a vodca usada na fabricação do Corote - Skarloff Seven, da mesma marca - foi destilada três vezes, dando origem a um álcool mais livre de impurezas e também mais alcoólico. Na hora de fabricar o coquetel, porém, ela é misturada aos outros componentes da bebida e à água, algo que faz o teor alcoólico do produto final baixar até chegar nos 13,5%.

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Antonio Guillem/ShutterStock

Analisando a composição do coquetel, o Corote não oferece mais ou menos riscos que outras bebidas alcoólicas semelhantes, tampouco elementos que poderiam agravar a ressaca no dia seguinte - mas, segundo a nutricionista Angélica Grecco, nutricionista do Instituto EndoVitta, o fato de ela ser doce, ter sabor agradável e um teor alcoólico relativamente baixo torna o consumo mais fácil e, assim como ocorre com caipirinhas doces, é natural que as pessoas bebam quantidades maiores.

Conforme explica a especialista, o consumo excessivo pode ser facilitado pelo quão palatável é a bebida - e é na falta de atenção com a quantidade consumida que mora o problema. “A presença de corantes e saborizadores, por propiciar um consumo maior de bebida alcoólica, pode favorecer uma maior desidratação e desgaste muscular maior”, afirma, explicando que, para alguns, os corantes podem ser um problema.

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fizkes/Shutterstock

Segundo ela, embora seja relativamente incomum, há quem tenha alergia a alguns corantes (mesmo os liberados por órgãos de saúde), e consumi-los pode desencadear reações adversas como urticária, inchaço das vias respiratórias e, por vezes, dores de cabeça. O uso de corantes em alimentos, por sua vez, é regulamentado pela Anvisa e precisa seguir determinados padrões para que o produto chegue ao mercado.

Outro fator relacionado ao Corote que acaba facilitando o consumo em grandes quantidades é o preço do coquetel (que gira em torno de R$ 3 e R$ 4 cada garrafinha), bem como a “moda” que ele virou entre os consumidores. “Ela é mais gostosa, tem um preço baixo e, principalmente, está muito implantada entre os jovens”, afirma a nutricionista.

Consumo de álcool é sempre arriscado

Embora o Corote em si não ofereça um perigo maior do que outros produtos alcoólicos comuns entre os jovens, o consumo de qualquer bebida alcoólica requer atenção já que, de acordo com médicos, não existe uma quantidade considerada segura para a ingestão delas. Aqui, tanto Angélica quanto Eduardo Grecco, gastrocirurgião e endoscopista do mesmo instituto, recomendam cautela e certos hábitos.

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“Deve-se evitar o consumo de álcool sempre que possível, mas o que a gente precisa orientar é: beber com moderação, ter atenção na escolha da bebida e alternar o consumo com hidratação. Sempre que tomar um copo de bebida alcoólica, [é indicado] alternar com dois copos, pelo menos, de água, água de coco ou isotônicos”, afirma a nutricionista.

Já o médico lembra que os efeitos do álcool mudam de organismo para organismo, e também aconselha ter atenção. “Uma pequena dose para uma pessoa pode ser extremamente maléfica se ela não estiver acostumada. Uma dose mínima considerada segura não existe, o que existe é você recomendar que a pessoa se alimente bem antes, coma carboidratos e se hidrate muito”, conclui.

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Tem uma dúvida de saúde? Envie para vixresponde@vix.com e ela poderá ser respondida por um especialista em nossa nova coluna: VIX Responde.

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