Encomendas e comidas da China podem ter coronavírus? É pouco provável, dizem médicos

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Stringer / Correspondente

Recém-descoberto, o novo coronavírus tem causado inúmeras dúvidas na população e gerado uma onda de propagação de informações falsas sobre o 2019-nCoV. Uma delas está relacionada com a segurança de encomendas vindas da China.

Coronavírus: encomendas da China podem estar infectadas?

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Apesar de ainda não estar claro com qual facilidade isso acontece, já se sabe que o novo coronavírus - 2019-nCoV - pode e tem sido transmitido de humanos infectados para humanos, provavelmente através de gotículas respiratórias produzidas quando o indivíduo espirra ou tosse, similarmente a outras doenças respiratórias.

O risco geralmente ocorre por meio de contato próximo (cerca de 2 metros) com a pessoa contaminada, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. Porém, o órgão afirma que não está claro se é possível contrair o vírus ao tocar superfícies ou objetos infectados e então tocar os lábios, nariz e olhos.

A questão tem gerado dúvida entre quem comprou produtos chineses pela internet, que teme poder ser contaminado ao receber as encomendas em casa. Especialistas afirmam, porém, que é pouco provável que isso ocorra.

Segundo Michelle Zicker, infectologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, como o conhecimento sobre o 2019-nCoV ainda é escasso, os cientistas utilizam o conhecimento adquirido a partir dos estudo de outros tipos de coronavírus para prever ou deduzir seu comportamento.

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Tendo os outros coronavírus como parâmetro, o risco por contaminação a partir de produtos importados da China é praticamente nulo.

"Não se sabe ainda por quanto tempo o novo coronavírus sobrevive fora do organismo. Porém, outros coronavírus aguentam apenas algumas horas", diz Leonardo Weissmann, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

Michelle esclarece que SARS-CoV e MERS-CoV (coronavírus já conhecidos e que provocaram epidemias anos atrás) estão sendo as principais cepas usadas como fontes de informações. Nenhuma delas é resistente fora de organismos vivos.

“O SARS-CoV e o MERS-CoV sobrevivem por pouco tempo nas superfícies. Assim, é pouco provável que sejam disseminados através de produtos ou embalagens que permaneceram em ar ambiente e foram enviados para exportação há dias ou semanas”, diz Michelle.

Carne da China: há riscos?

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Merrimon Crawford/Shutterstock

Quanto ao consumo de produtos de origem animal produzidos na China, Michelle assegura que a carne congelada não oferece riscos à população.

“Até o momento não há evidências de que haja transmissão do vírus a partir de carne congelada importada da China”, diz a médica.

Para quem não conseguir adiar a viagem ao país, contudo, vale tomar algumas medidas de segurança.

“A Sociedade Brasileira de Infectologia recomenda que, caso uma viagem para as áreas de circulação do vírus não possa ser adiada, deve-se ingerir somente carnes e ovos bem passados e evitar o contato com animais selvagens ou de fazenda.”

Medidas de prevenção ao coronavírus

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Image Source/iStock
  • higienizar as mãos;
  • evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;
  • utilizar lenço descartável para higiene nasal;
  • cobrir o nariz e a boca ao tossir ou espirrar;
  • evitar o contato próximo com pessoas com infecções respiratórias agudas e ambientes fechados;
  • não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • manter os ambientes bem ventilados e evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.

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