Objeto sexual vai parar na bexiga de mulher: é raro, mas possível quando se usa errado

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AZFamily/Reprodução

Um caso bizarro e perigoso viralizou nos últimos dias ao alertar sobre um risco pouco conhecido do uso do vibrador. Uma mulher dos Estados Unidos usava o brinquedo sexual quando foi surpreendida por uma dor horrível e, ao se encaminhar para a emergência, descobriu que o ele havia acidentalmente entrado em seu corpo e se alojado em sua bexiga.

Vibrador vai parar na bexiga de usuária

Em entrevista ao canal AZFamily, veículo local do Arizona (Estados Unidos), a moça - que preferiu não ser identificada - afirmou que estava usando o objeto externamente quando, subitamente, sentiu uma forte dor. Ao tentar ver o que tinha acontecido, ela e o parceiro não conseguiram encontrar o brinquedo erótico em lugar algum, mas vibração que ele ainda emitia a fez concluir que ele estava “perdido” dentro do corpo.

"Eu me movi e aí do nada senti uma dor realmente aguda. Minha primeira reação foi o pânico, porque eu havia perdido algo dentro de mim que ainda estava ligado, ainda estava vibrando”, afirmou ela. “Toda vez que ele ligava, era como se meu abdômen inteiro estivesse vibrando."

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Divulgação/Crave

No hospital, ela teve a vagina examinada, mas nada foi encontrado, e foi só após uma radiografia que os médicos encontraram o vibrador na bexiga.

“Eu fiquei muito surpreso quando olhei o abdômen e percebi que o vibrador estava, na verdade, dentro da bexiga. Eu nunca vi um caso assim em minha carreira”, disse o ginecologista e obstetra Greg Marchand, médico que a atendeu no pronto-socorro. A partir da descoberta, a paciente passou por uma cirurgia e teve o vibrador removido de dentro da bexiga.

Vibrador entrar no corpo: é possível?

Apesar de casos assim serem raros, o urologista Sandro Nassar de Castro Cardoso, do Hospital Edmundo Vasconcelos, afirma que é, sim, possível um dispositivo erótico passar pela uretra e se alojar na bexiga. Dado o tamanho do canal, porém, isso não ocorre sem que a pessoa sinta uma dor bastante forte durante o processo, não importa quão fino seja o dispositivo.

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Eillen/Shutterstock | Divulgação/Crave

No caso da norte-americana, o vibrador utilizado tinha apenas 8 milímetros de diâmetro (à direita na foto acima). Os vibradores bullet tradicionais, que são os menos espessos do mercado (como o da esquerda na imagem acima), costumam ter espessura de pelo menos 1,3 centímetros.

Segundo o médico, o diâmetro da uretra em geral fica entre 6 e 8 milímetros, sendo a primeira medida a do canal “fechado” e a segunda a medida que ele chega a ter no momento de urinar. Isso, porém, pode variar de pessoa para pessoa, e alguns canais chegam a alargar até um centímetro durante a micção - algo comum especialmente para quem já fez procedimentos cirúrgicos na região ou teve de usar sondas.

Por ser uma musculatura lisa, a uretra tem, portanto, a capacidade de se esticar, e apesar de o médico assegurar que forçar um objeto para dentro dela é certamente algo bem doloroso, ele também afirma que casos assim realmente acontecem. “Não é frequente, mas a cada dois, três, quatro anos, você acaba vendo histórias de pacientes que introduziram - tanto homens quanto mulheres - dispositivos via uretral”, afirma.

Segundo o médico, o objeto é facilmente removível, mas o procedimento para fazê-lo requer sedação. “A gente faz um exame, uma citoscopia, procedimento que já é feito corriqueiramente na urologia para avaliar a bexiga, quando tem tumores, cálculos… Você entra com uma câmera e, a partir dela, pode fragmentar o dispositivo, quebrar e ir tirando. Dura coisa de 15 minutos, no máximo”, explica.

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Reprodução/AZFamily

Riscos para a saúde

O perigo de se inserir objetos assim na uretra já começa no ato de forçá-lo para dentro. “Você pode rasgar a uretra, perfurar a uretra, perfurar a bexiga, causar hemorragias, porque está lesando a parede da uretra, da bexiga, e isso vai sangrar”, afirma ele, citando também o risco de haver infecções geradas pelo trauma físico e a inserção de um corpo estranho.

Outro problema, de acordo com o urologista, é a pessoa ter vergonha de buscar um médico ao notar o que aconteceu, fazendo com que o objeto calcifique no interior do órgão. “Ele vai causar infecção e calcificar, formar um cálculo dentro da bexiga, porque é um corpo estranho”, afirma Cardoso, ressaltando que, em quadros assim, as infecções se tornam crônicas.

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ANN PATCHANAN/Shutterstock

Cuidados com o uso de vibradores

Ao usar tanto dispositivos mais finos (como o da norte-americana) quanto “sex toys” de outros tamanhos, é preciso ter cuidado e, especialmente, seguir as instruções de uso da embalagem. Acima disso, porém, o urologista também cita o autoconhecimento como uma boa forma de prevenção para “acidentes” com esse tipo de dispositivo.

Isso porque, apesar de normalmente estar claro que eles só devem ser utilizados no canal vaginal ou no clitóris, muitas mulheres não conhecem bem a região íntima - onde tudo é bem próximo. “O clitóris e a uretra são muito próximos, estão a uma distância de um, dois centímetros”, diz Cardoso, afirmando ser possível introduzir o objeto no lugar errado caso a mulher não tenha familiaridade com o corpo.

Apesar de a região vaginal e até exames ginecológicos ainda serem um tabu para muitas pessoas, o urologista aconselha que as mulheres tentem conhecer a região, usando até mesmo um espelho, se necessário.

Tem uma dúvida de saúde? Envie para vixresponde@vix.com e ela poderá ser respondida por um especialista em nossa nova coluna: VIX Responde.

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bombardir7/shutterstock

Cuidados com a região íntima