Novo câncer de pulmão de Ana Maria Braga é mais agressivo e não pode ser operado

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Globo/João Cotta

Durante o encerramento de seu programa desta segunda-feira (27), Ana Maria Braga revelou que está enfrentando um novo câncer, pegando fãs de surpresa e gerando uma onda de comoção e apoio à apresentadora do "Mais Você" nas redes sociais.

Ana Maria Braga já enfrentou o câncer em diversas situações: primeiro um de pele, em 1991; depois um tumor colorretal, em 2001; e dois tumores pequenos no pulmão, em 2015. Agora, a apresentadora afirmou que está com um novo câncer no pulmão, desta vez mais grave do que os anteriores.

Ana Maria está com câncer no pulmão de novo

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Ricardo Augusto/Divulgação

Nesta segunda-feira (27), a apresentadora encerrou o “Mais Você” (Rede Globo) de forma diferente, tomando um tempo para revelar que, novamente, está lutando contra um câncer. No relato, ela relembrou os tumores anteriores que teve no pulmão - um tratado com cirurgia e outro com radiocirurgia - e afirmou que o tratamento para o novo tumor já está encaminhado.

“Agora, infelizmente, eu fui diagnosticada com outro câncer de pulmão, é adenocarcinoma o nome científico, semelhante aos outros, mas que é mais agressivo e não é passível de cirurgia ou de radioterapia”, compartilhou Ana Maria, afirmando que, desta vez, dadas as circunstâncias, o tratamento ao qual ela está sendo submetida é o de quimioterapia atrelada a imunoterapia.

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Conforme contou a apresentadora, o primeiro ciclo do tratamento foi realizado recentemente, três dias antes de ela fazer a revelação sobre o novo câncer no pulmão, e que ela decidiu tocar no assunto porque não sabe se em algum momento estará muito debilitada pelas medicações para comandar o programa. A primeira dose, porém, não a deixou mal, e ela está confiante quanto à cura.

“Quem está me tratando é meu médico de sempre, Dr. [Antonio Carlos] Buzaid. Ele disse que entrou nessa briga comigo da mesma forma que entrou nas outras: entrou para ganhar, e eu não tenho dúvida nenhuma que eu vou ganhar mais essa briga”, afirmou Ana Maria, que recebeu inúmeras mensagens de apoio nas redes sociais após a revelação.

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Reprodução/Rede Globo

Adenocarcinoma pulmonar: o que é

O adenocarcinoma revelado é, de acordo com informações do Hospital A.C. Camargo, um dos subgrupos entre os quais se dividem os cânceres de pulmão. A doença é classificada entre câncer de pulmão de células pequenas ou de células não pequenas, sendo o adenocarcinoma um dos subtipos da segunda categoria.

Ele representa 40% dos casos de câncer de pulmão e começa nos alvéolos, estruturas que realizam a hematose, ou seja, a troca gasosa que ocorre durante a respiração. Ao chegar nestas estruturas, o oxigênio é transferido do pulmão para o sangue, enquanto o gás carbônico presente no sangue dos capilares que envolvem os alvéolos são difundidos por eles.

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Kateryna Kon/Shutterstock

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de pulmão é o segundo mais frequente no Brasil (independente do tipo), perdendo apenas para o câncer de pele não melanoma. Em escala global, porém, ele é o primeiro mais frequente e mais mortal desde 1985 - e, em 85% dos casos, ele está associado ao tabagismo.

Segundo a oncologista Clarissa Mathias, do Grupo Oncoclínicas, o câncer de pulmão é algo mais comum de se diagnosticar a partir dos 60 anos de idade e que possui uma relação bastante direta com o tabagismo. "Cerca de 90% dos casos são associados com tabagismo, apesar de ser um câncer que pode acontecer também em não fumantes", afirma a médica.

Além da grande influência do tabagismo sobre o aparecimento do câncer de pulmão, o INCA também cita o fumo passivo, a alta exposição à poluição ou certos componentes químicos, infecções pulmonares de repetição, fatores genéticos e histórico familiar como fatores de risco que podem ocasionar a doença, enquanto o A.C. Camargo lista ainda que ter histórico de radioterapia na região do tórax impulsiona estas chances.

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Adenocarcinoma é mais grave?

Conforme explica Clarissa, o tipo de câncer não é o que torna a doença mais ou menos agressiva, e o principal fator que pode aumentar a gravidade do quadro é o estágio em que ela se encontra (tumores descobertos mais tardiamente costumam ser mais agressivos que aqueles descobertos de forma precoce).

Enfatizando que não conhece as particularidades do caso de Ana Maria, a médica também afirma que a gravidade de um tumor pode estar relacionada à possibilidade ou não de atacá-lo com certos tratamentos.

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Quando um câncer é inoperável?

A oncologista esclarece que a forma de se tratar um câncer depende de inúmeros fatores.

"O tumor somente é operado ou tratado com quimioterapia e radioterapia se for localizado seguindo um protocolo de estadiamento [avaliação da extensão e localização do câncer] bem estudado. O tamanho, o envolvimento de linfonodos, a idade, comorbidades e envolvimento de outros órgão são alguns fatores que podem inviabilizar uma cirurgia", esclarece ela, afirmando que não é possível precisar qual é o caso da apresentadora.

Felipe Marques, pneumologista da rede de hospitais São Camilo de São Paulo, reforça a fala de Clarissa, detalhando por que o estadiamento do tumor o torna inoperável. "Vai depender da fase de comprometimento, se está dentro do tórax, se é localizado, se é localmente avançado, acometendo outras estruturas torácicas ou eventualmente metastático", afirma.

Segundo ele, quanto menos avançado é o tumor, mais chances há de se operar - e a cirurgia é uma opção importante de tratamento. "É o padrão 'ouro', o melhor tratamento possível, o que busca cura e que tem melhores taxas de cura", explica ele.

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Sintomas

De acordo com a médica, os sintomas do câncer de pulmão costumam aparecer apenas quando a doença já está em estágio avançado - então é comum, portanto, que os diagnósticos ocorram tardiamente, algo que prejudica as chances do paciente. Quando começam a se manifestar, os sintomas podem incluir:

  • Tosse constante;
  • Dores constantes no peito;
  • Dores no braço ou no ombro;
  • Presença de sangue ao tossir ou expulsão de catarro com cor de ferrugem;
  • Falta de ar, chiado no peito e/ou rouquidão;
  • Crises constantes de bronquite ou pneumonia;
  • Inchaço no rosto e na região do pescoço;
  • Fadiga;
  • Perda de apetite ou de peso sem que haja outros fatores contribuindo para isso.
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Em fases mais avançadas, quando o câncer se espalha para outras partes do corpo, os sintomas também podem incluir dores nos ossos, fraqueza nos braços e pernas, dores de cabeça, tontura, convulsões, icterícia (amarelamento da pele) e inchaço nos gânglios linfáticos do pescoço ou dos ombros.

Diagnóstico

Em geral, o câncer de pulmão pode aparecer durante exames cardiológicos e outros procedimentos rotineiros e de monitoramento para pacientes de alto risco (como tomografia do tórax, por exemplo). A partir da suspeita, o médico pode pedir uma biópsia para confirmar a presença da doença.

Dada a alta frequência e mortalidade da doença, Clarissa afirma que o rastreamento é algo importante de se fazer entre pacientes de alto risco. "Existem vários estudos mostrando os benefícios do rastreamento para pacientes fumantes e, com isso, a gente conseguiu reduzir a mortalidade do câncer, segundo a maioria deles, em torno de 20%", afirma, indicando que estas pessoas devem realizar exames anualmente.

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bendao/Shutterstock

Prognóstico

Conforme explica Clarissa, é difícil precisar o prognóstico do câncer de pulmão, já que as chances que o paciente tem de se recuperar dependerão de uma série de fatores. "Vai depender muito da resposta ao tratamento iniciado, e da extensão da doença também", afirma a oncologista.

De acordo com Marques, apesar de cânceres serem sempre algo assustador, houve muito avanço nas pesquisas com relação aos adenocarcinomas - e isso mudou um pouco o prognóstico de quem é diagnosticado com ele. Conforme explica, isso ocorre porque, por ser o tumor pulmonar mais comum, mais pacientes têm chances de recorrer a um tratamento melhor a partir destes estudos acerca de mutações e imunoterapia.

"Mesmo pacientes que anteriormente tinham um prognóstico muito desfavorável de meses, hoje em dia com essa nova pesquisa mutacional, com tratamentos mais direcionados, o adenocarcinoma (particularmente, porque é o mais comumente visto no Brasil) está passando por uma grande revolução e esses pacientes conseguem sobreviver mais tempo com esse tipo de tumor", afirma.

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Tratamento e prevenção

Em geral, o tratamento para o câncer de pulmão é feito através de cirurgia, radioterapia, quimioterapia, combinações entre estas técnicas e, em certos casos, com o uso de drogas imuno-oncológicas, como no quadro de Ana Maria. "A imunoterapia é um 'destravamento' do sistema imunológico para que ele mesmo reconheça o tumor como não pertencente e lute contra as células, e isso é associado à quimioterapia", explica, ressaltando que esse tipo de tratamento tem demonstrado uma eficácia surpreendente.

Já quanto à prevenção, o INCA afirma que não fumar, evitar o tabagismo passivo e também a exposição a agentes químicos como arsênico, asbesto, berílio, cromo, radônio, urânio, níquel, entre outros, são formas de evitar o aparecimento da doença.

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Câncer de pulmão: informe-se