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Filha de Kelly Key revela deformação na coluna causada por usar andador na infância

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Francisco Cepeda / AgNews

A filha de Kelly Key, Suzanna Freitas, revelou lidar com um problema nas costas que desenvolveu enquanto era bebê.

De acordo com a jovem, ela pulou a fase de engatinhar, o que ocasionou uma malformação nas costas que hoje em dia lhe causa muita dor.

Usar andador causou problema nas costas de Suzanna Freitas

Por meio da ferramenta Stories, do Instagram, Suzanna desabafou sobre uma terrível dor nas costas que estava sentindo. Aos fãs que a acompanham na rede social, a jovem explicou que o desconforto era fruto da formação de sua coluna vertebral.

De acordo com Suzanna, sua coluna é reta, uma consequência por ter pulado a etapa de engatinhar enquanto ainda era bebê.

“Não sei com quantos anos eu comecei a andar. Minha mãe diz que eu fui me segurando nas coisas e ela botava em andador. Isso não é bom porque a criança está se desenvolvendo, ela precisa criar a curvinha [na coluna] e eu não a tenho. Minha coluna é reta”, disse Suzanna.

Para lidar com a dor, a filha de Kelly Key recorre a sessões de quiropraxia. “Me ajuda muito nisso.”

Engatinhar: por que fase é importante para o bebê?

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Dmytro Zinkevych/shutterstock

O processo de engatinhar é essencial para a formação humana, tanto do ponto de vista psicomotor quanto físico.

Segundo Cezar de Oliveira, neurocirurgião, chefe de equipes do núcleo avançado de neurocirurgia do Hospital Sírio-Libanês, engatinhar é importante porque é nessa etapa que a criança se descobre ao longo das atividades do dia a dia.

Em relação ao desenvolvimento físico, o ato de engatinhar contribui para o alinhamento correto da coluna.

Coluna vertebral: como se desenvolve

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Joyseulay/Shutterstock

A nossa coluna vertebral não é uma estrutura reta, mas sim um conjunto de ossos dispostos ao longo de quatro curvas: a cervical (pescoço), a torácica (⅔ das costas), a lombar (na região final das costas) e a sacral (região glútea).

O equilíbrio da coluna depende principalmente de seu formato, e as curvas dependem uma das outras para manter a estabilidade e bem estar do corpo.

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udaix/shutterstock

André Evaristo, ortopedista especialista em cirurgia da coluna no Hospital Sírio-Libanês, explica que, ao nascer, a coluna do bebê apresenta um formato convexo (como a letra “C”).

“Esse alinhamento da coluna é chamado de curva primária e se desenvolve dentro do útero. Bebês recém-nascidos não possuem força muscular para sustentar a cabeça, por isso precisam ser carregados, cuidadosamente, e com suporte no pescoço e cabeça”, explica Evaristo.

Posteriormente, os bebês passam a ter mais força para sustentar a cabeça e corpo e, conforme seus músculos do pescoço começam a se desenvolver, eles começam a desenvolver a chamada curva cervical. Por fim, a curva lombar se cria quando o bebê começa a rastejar e engatinhar.

Essas curvaturas ao longo da coluna, o que lhe confere um formato de “S”, são essenciais para que uma pessoa consiga sustentar o próprio corpo - e que o bebê consiga dar os seus primeiros passos.

Pular a fase de engatinhar: problemas possíveis

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staras/Shutterstock

Não vivenciar a fase de engatinhar pode ser prejudicial ao bebê. Do ponto de vista neurológico, Oliveira explica que pode haver prejuízo à função psicomotora (como movimento ou cognição) da criança.

Já do ponto de vista da estrutura óssea, Evaristo explica que, se o bebê não consegue passar pela fase de engatinhar, as curvaturas da coluna não serão formadas corretamente.

“Isso pode resultar em problemas cervicais, torácicos, lombares e sacrais pelo resto da vida”, pontua o ortopedista.

Quando a curvas da coluna não se formam corretamente, o que ocasiona uma estrutura mais retificada ou até mesmo com curvas mais acentuadas, é possível que a pessoa lide para o resto da vida com escoliose postural, má postura, dores musculares, entre outros problemas de saúde.

Forçar o bebê a engatinhar é a solução?

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Oksana Kuzmina/shutterstock

Se você perceber que o seu bebê não está engatinhando, a solução não é forçá-lo ao movimento.

Segundo Evaristo, o recomendado é nunca forçar a criança durante seu desenvolvimento, mas sim procurar um médico para investigar as possíveis causas que levam o bebê a não engatinhar.

“Devemos lembrar que cada um deles tem seu tempo próprio de desenvolvimento e, caso não esteja realizando alguma das etapas esperadas para a idade, pode existir algum problema ou doença por trás que necessite de auxílio médico e investigação para ser tratado.”

Andador para bebê é recomendado?

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Patryk Kosmider /Shutterstock

Uso de andadores por bebês pequenos ou com o intuito de ajudar as crianças a caminhar não é recomendado.

De acordo com o ortopedista, bebês aprendem a sentar, rastejar e engatinhar naturalmente, sozinhos. Consequentemente, seus ossos, músculos, tendões e ligamentos se desenvolvem, se fortalecem e se preparam para conseguir vencer a gravidade.

O uso de andadores, desse modo, facilita a criança a pular essa etapa fundamental para que estruturas do corpo se desenvolvam corretamente, como a coluna.

"Além disso, esses dispositivos também prejudicam o desenvolvimento da coordenação, do equilíbrio e da capacidade dos bebês de reconhecer espaço”, explica Evaristo.

Como tratar problemas na coluna

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Maridav/Shutterstock

Caso a pessoa venha a desenvolver problemas na coluna, o indicado é procurar um especialista para identificar o problema a ser tratado. Em crianças e adolescentes, o problema mais comum devido à falta de engatinhar ou por má utilização de andadores é a má postura e a presença de escoliose, de acordo com Evaristo.

"Como tanto crianças quanto adolescentes ainda se encontram em fase de crescimento, orienta-se tratamentos como fisioterapia, RPG e natação para auxiliar na melhora da postura e no desenvolvimento muscular", cita o ortopedista.

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