Maisa revela problema de saúde por excesso de doces e besteiras na alimentação

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Francisco Cepeda/AgNews

Nos últimos meses, a apresentadora e atriz Maisa Silva tem compartilhado com os seguidores seu recente empenho nas atividades físicas e em uma alimentação diferente - algo que, conforme contou em seu perfil do Twitter, vem especialmente do fato de que, mesmo magra e jovem, ela teve alterações em seus exames.

Maisa relata problemas de saúde

Na rede social, ela publicou quatro fotos de diferentes pratos de salada que consumiu em um final de semana, todas bem coloridas e repletas não só de folhas, mas de grãos e legumes, como feijão, abobrinha, edamame, azeitonas e quinoa. Junto delas, ela surpreendeu ao afirmar que já perdeu 2 kg em duas semanas.

“Espero que meus exames melhorem também! Projeto vida longa”, escreveu a apresentadora, detalhando, em outro tweet, que seus exames apresentaram alterações na quantidade de ferritina (proteína que ajuda a avaliar o nível de ferro no organismo). Além disso, a jovem de apenas 17 anos está com glicose alta, ou seja, muito açúcar no sangue.

Conforme uma de suas respostas a perguntas de seguidores, a apresentadora não está tomando remédios para controlar as alterações, preferindo fazê-lo com exercícios e mudanças em sua alimentação. Segundo Maisa, ela já praticava atividades físicas, mas era bastante descuidada na hora de fazer suas refeições.

Além disso, a atriz também afirmou que, como não está acima do peso, não imaginou que comer da forma que comia pudesse se transformar em um problema, e ressaltou que a necessidade deste acompanhamento nutricional também vem do fato de que, ao se tornar vegetariana, ela não estava conseguindo compensar a ingestão de proteínas.

Alteração na glicose e na ferritina requerem atenção

Embora ter uma alimentação de alto índice glicêmico interfira no resultado do exame que detecta o nível de açúcar no sangue, Andressa Heimbecher, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional de São Paulo (SBEM-SP) explica que essa não é a causa de um quadro pré-diabético ou diabético.

“O paciente que não é diabético pode consumir o quanto de açúcar for que o pâncreas consegue produzir insulina e reduzir os níveis de glicose sem alcançar os níveis necessários para fazer o diagnóstico de diabetes”, afirma ela, explicando que, ao contrário do que muitos pensa, o diabetes não surge exclusivamente da má alimentação.

“No [diagnóstico de] diabetes, tanto tipo 1 quanto tipo 2 e outras formas de diabetes está incluído que esse paciente não tem a capacidade de produzir insulina ou que essa insulina é fraca para baixar os níveis de glicemia”, diz ela, citando também sedentarismo, ganho progressivo de peso e fatores genéticos para que haja, junto da alimentação, o aparecimento da doença.

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Africa Studio/Shutterstock

Embora uma pessoa saudável e que está em seu peso ideal não apresente alteração na glicemia ao comer, por exemplo, um pedaço de bolo, ter uma dieta constantemente rica em doces e carboidratos pode levar à obesidade, e controlar a glicemia mesmo antes de um quadro diabético ser detectado é essencial para minimizar o risco.

A menos que ela seja muito grande, a alteração no nível de glicose no sangue é assintomática, e deve ser verificada a partir de exames clínicos. Estes exames, segundo a médica, são a glicemia de jejum, a hemoglobina glicada ou a curva glicêmica. Conforme explica, um resultado maior ou igual a 126 no primeiro, maior ou igual a 6,5 no segundo ou maior que 200 na segunda hora do terceiro exame (após uma sobrecarga com 75 gramas de glicose) indicam o diabetes.

Quando a glicose está muito alterada, o paciente pode apresentar os sintomas comuns do quadro diabético (urina, sede e fome excessivos, somado a um emagrecimento rápido), ou sintomas mais inespecíficos, como cansaço e tontura. “Não são quadros que vão chamar atenção e levar o paciente a um pronto-socorro”, diz ela.

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Syda Productions/Shutterstock

Caso o diagnóstico de diabetes ou pré-diabetes não seja fechado, é preciso avaliar a glicemia do paciente em relação às particularidades de seu organismo e, se necessário, controlá-la - algo que, de acordo com Andressa, pode ser feito a partir da adoção de hábitos de vida mais saudáveis.

“Ele precisa incluir uma atividade física - a que ele conseguir no dia a dia - e corrigir a alimentação. {Ele deve] buscar alimentos com baixo índice glicêmico, por exemplo, trocar arroz branco por integral, pão branco por integral, excluir o leite integral e preferir o desnatado, consumir frutas e evitar alimentos ultraprocessados”, afirma.

Já sobre a ferritina - cujo nível Maisa não disse estar alto ou baixo -, a médica explica que ela se trata de uma proteína produzida no fígado que tem a ver com a concentração de ferro no organismo. Estes níveis de ferro, por sua vez, podem ficar alterados por uma série de razões.

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Magic mine/Shutterstock

Conforme explica Andressa, a ferritina alta pode estar relacionada com um quadro inflamatório presente no organismo, sobrecarga de ferro no fígado ou ainda a presença de gordura no fígado. Já a ferritina baixa geralmente está ligada à pouca quantidade de ferro no organismo - algo que pode ter diferentes motivos para ocorrer.

A perda de ferro pelo corpo pode estar relacionada à perda de sangue, então um fluxo menstrual muito intenso ou um sangramento intestinal (mais comum em idosos) são fatores que podem ocasionar uma ferritina baixa, e o diagnóstico depende de uma examinação caso a caso.

Para equilibrar a ferritina, as estratégias mudam de acordo com a causa da alteração; se ela está baixa, a saída pode ser controlar o fluxo menstrual, cessar possíveis sangramentos ou apostar em uma dieta rica em ferro. Já se ela está baixa, costuma-se reduzir o consumo de carne vermelha, entre outros tratamentos.

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Vlasov Yevhenii/shutterstock

“Se é por conta de hemocromatose (doença de depósito de ferro, que é genética), a gente vai precisar indicar sangria para esse paciente, fazer uma dieta mais pobre em ferro, com redução de carne vermelha principalmente”, afirma ela, explicando que, caso isso seja causado por presença de gordura no sangue, a conduta é outra.

“Se a ferritina alta é devido à gordura no fígado, aí a gente precisa atuar na alimentação com foco em perda de peso. Fazer atividade física, melhorar a qualidade da alimentação, reduzir o valor calórico e os ultraprocessados… Tudo isso a gente trabalha junto com o paciente”, conclui.

Maisa Silva: saúde, moda, maturidade e mais