Bolinha na boca foi primeiro sinal do câncer de Heloisa Périssé: quando desconfiar

Globo/Marcos Rosa

Em luta contra um câncer nas glândulas salivares, Heloisa Périssé contou qual foi o primeiro sinal que a doença manifestou em seu corpo.

Em conversa com o Dr. Dráuzio Varella para o “Fantástico”, a atriz revelou que a presença de uma bolinha na boca a fez começar sua jornada contra a atual doença.

Câncer de Heloísa Périssé: bolinha na boca foi 1º sinal

Reprodução/RedeGlobo

Em agosto deste ano, Heloisa veio a público noticiar a descoberta de um tumor nas glândulas salivares.

Desde então, a atriz tem falado abertamente sobre a doença, com posts nas redes sociais e mesmo entrevistas sobre o assunto.

Ao falar sobre o tumor ao Dr. Dráuzio, Heloisa contou que o início de sua luta contra a doença começou com a detecção de uma bolinha na boca.

Em visita ao dentista para um clareamento de dentes, a atriz aproveitou para comentar que estava com a dita bolinha.

Uma médica que trabalhava com o dentista aproveitou a ida da atriz ao consultório e removeu a bolinha e encaminhou o material para biópsia - um procedimento padrão, segundo informou a profissional à artista.

“Ela disse que tinha só 1% de chance de ser alguma coisa", disse Heloisa sobre o que lhe foi explicado a respeito da possibilidade da bolinha indicar um quadro grave.

Globo/Paulo Belote

O resultado da biópsia da bolinha da boca, porém, encaixou-se precisamente na exceção. “'Lembra daquele 1%? Caiu pra você. Vamos fazer uma raspagem para garantir que não vai ter mais células malignas', a médica disse para mim.”

Posteriormente, Heloisa descobriu outra bolinha no pescoço, material relacionado também com a doença.

Para o tratamento do câncer, Heloisa foi submetida a cirurgia de remoção do nódulo maligno e sessões de radioterapia e quimioterapia, as duas ao mesmo tempo.

Tumor nas glândulas salivares

CLIPAREA l Custom media/ShutterStock

As glândulas salivares são estruturas responsáveis pela produção e secreção de saliva no corpo.

A saliva é uma secreção importante do corpo por conter enzimas que dão início ao processo de digestão dos alimentos, além de conter anticorpos necessários para a proteção do corpo.

Formadas por dois tipos, as maiores e menores, ambas as glândulas salivares podem desenvolver tumores benignos ou malignos.

Segundo informações do Hospital A.C.Camargo, o câncer nas glândulas salivares correspondem a 5% a 7% dos cânceres de cabeça e pescoço, com estimativa no Brasil de 1 a 2 casos para cada 100.000 habitantes.

Dentre os tumores malignos, os carcinomas epidermoides são os que mais atingem as glândulas salivares. De acordo com o hospital, eles tendem a se desenvolver de forma lenta e costumam reagir muito bem ao tratamento.

Bolinha na boca: é comum em câncer glandular?

Goran Bogicevic/Shutterstock

Notar a presença de “bolinhas” na boca não é algo incomum para casos de câncer de glândulas salivares.

De acordo com Artur Malzyner, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein, os tumores da cabeça e do pescoço, particularmente o câncer de glândulas salivares, com frequência se manifestam através do aparecimento de nódulos ou carocinhos seja na boca, na língua, no assoalho da boca, no céu da boca, nas têmporas entre o queixo e o pomo de Adão e nas laterais ou no pescoço ou atrás das orelhas.

“Estes caroços, em geral, são o próprio conjunto de células cancerosas que inicialmente crescem no local onde se inicia [o câncer] antes de invadir os gânglios linfáticos das proximidades ou mesmo outros órgãos”, diz Malzyner.

Quando desconfiar da gravidade das "bolinhas"

Anetlanda/shutterstock

Geralmente, essas bolinhas costumam ter crescimento lento e gradual, além de não manifestarem dor ou mesmo provocarem sangramento.

Por não chamarem tanta atenção, vale observar qualquer aumento de volume em órgãos ou região do pescoço - especialmente nódulos que aparecem nas primeiras semanas de maneira indolor e sigam crescendo em duas ou mais semanas de maneira progressiva.

“Sangramento é também um sinal suspeito para câncer, ainda que muito mais raro”, alerta Malzyner.

posteriori/shutterstock

Segundo o oncologista Auro Del Giglio, do HCor, o surgimento de ‘bolinhas” em outras regiões do corpo também pode ser sinal de doença grave.

Porém, isso só acontece em casos de metástase, que é o quadro de câncer se espalha para outras partes do corpo para além da inicial.

Outros sintomas do câncer das glândulas salivares

decade3d - anatomy online/shutterstock

Além da presença de nódulos, outros sintomas ajudam a identificar o câncer nas glândulas salivares. São eles:


  • Dor constante na boca, bochecha, mandíbula, ouvido ou pescoço
  • Assimetria entre os lados direito e esquerdo da face ou pescoço
  • Perda de sensibilidade em parte do rosto
  • Fraqueza dos músculos de um lado da face
  • Dificuldade para engolir

Tratamento

BrianAJackson/iStock

A cirurgia é o tratamento mais comumente usado nas fases iniciais do câncer, quando a doença ainda se encontra limitada à região onde se iniciou, segundo Malzyner. É possível, ainda, o uso da radioterapia e quimioterapia.

“O câncer de glândulas salivares é uma doença curável no seu início mas de difícil controle quando a doença já se disseminou”, pontua Malzyner.

Tem uma dúvida de saúde? Envie para vixresponde@vix.com e ela poderá ser respondida por um especialista em nossa nova coluna, o VIX Responde.

Câncer: cabeça, pescoço e mais