Colocar DIU com anestesia é contraindicado e pode ser perigoso, afirma médica

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Não é raro encontrar mulheres que, insatisfeitas com outros métodos contraceptivos, têm vontade de colocar o DIU (dispositivo intrauterino), que faz efeito durante anos sem depender de, por exemplo, tomar um remédio todos os dias. Muitas delas, porém, ficam receosas ao ouvir que a colocação pode ser dolorosa, algo que as faz buscar médicos que realizam o procedimento com anestesia.

Apesar de ser comum encontrar profissionais que optam pela sedação nestes casos, a ginecologista Ilza Monteiro afirma que, além de não ser recomendada, esta técnica também proporciona o surgimento de certos riscos no processo.

O que é o DIU?

O DIU é um dispositivo que está entre os LARCs (sigla para “Long-Acting Reversible Contraception” que, em tradução livre, significa “métodos contraceptivos reversíveis de longa duração”) e funciona tornando o ambiente uterino inabitável para os espermatozoides, algo que impossibilita a fecundação e impede que a mulher engravide.

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Este efeito, por sua vez, é criado pelo material com que o DIU é feito; enquanto um dos tipos disponíveis do mercado é de cobre (metal que deixa o ambiente uterino “tóxico”), o outro, chamado Mirena, atua por meio de hormônios. Enquanto o primeiro pode ser usado por entre cinco e dez anos, o segundo deve ficar no corpo da mulher por até cinco anos.

Quanto à eficácia, o DIU “ganha” da pílula porque, ainda que ambos tenham uma taxa de falha de três gestações a cada mil mulheres, a pílula deve ser tomada todos os dias e depende da memória da usuária - algo que, hora ou outra, falha -, além de ter seu efeito reduzido quando a mulher consome bebida alcoólica ou tem vômito ou diarreia perto da ingestão.

Isso, segundo Ilza, faz com que a taxa de falha da pílula suba para 80 gestações a cada mil mulheres, enquanto a do DIU não é abalada por estes fatores

Como o DIU é colocado?

Para colocar o DIU, a mulher precisa ser devidamente examinada, já que determinados tipos de útero impossibilitam a colocação do dispositivo, e o tipo a ser escolhido dependerá tanto dos planos futuros da mulher (em quanto tempo ela pretende ter filhos, por exemplo) quanto das características de seu ciclo menstrual.

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O DIU é colocado sem cortes nem necessidade de internação já que, por ser pequeno, ele passa facilmente pela vagina. No processo, o médico utiliza um aparelho chamado espéculo para afastar as paredes do canal vaginal e, em seguida, introduz o dispositivo (que, apesar de se alojar no útero, tem um pequeno fio que fica no canal).

DIU com anestesia: pode?

Como o procedimento é feito no consultório e o DIU é inserido pelo canal vaginal, são comuns os relatos de que ele é marcado por dores - algo que faz muitas mulheres cogitarem a possibilidade de estar sob sedação durante este momento. Conforme explica Ilza, porém, colocar DIU com anestesia é uma prática contraindicada, justamente porque oferece riscos às pacientes.

Em primeiro lugar, a anestesia geral é algo que oferece riscos a determinados grupos de pessoas (especialmente se administrada incorretamente) e, em segundo, ter a paciente acordada durante procedimentos assim é essencial. “Há risco pela possibilidade de perfuração do útero. Se a paciente estiver acordada, a dor ajuda o médico a se orientar”, afirma Ilza.

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Ainda assim, ela enfatiza que a dor para colocar o DIU não é algo muito expressivo. “Em 80% das colocações, o DIU passa assim, em três minutinhos. Pegar veia, às vezes, dói mais que aquela cólica que você vai sentir [para colocar o dispositivo]. Além disso, a ansiedade, o medo da dor, é o principal motivo dela, isso está claro em todos os estudos”, afirma a médica.

Para assegurar que não haverá um desconforto forte no momento da colocação do DIU, a médica aconselha que a paciente busque um profissional em quem confie para poder ficar tranquila, além de recorrer a medicamentos analgésicos para amenizar a dor (já que, após o processo, é possível que a mulher sinta certa cólica por alguns dias).

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Métodos contraceptivos