Relato de Joaquim Lopes sobre ter cogitado desistir da vida mostra: pode atingir a todos

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João Cotta/TV Globo

No clima do Setembro Amarelo, o mês de prevenção ao suicídio, Joaquim Lopes escreveu um longo desabafo sobre pensamentos que já teve ao longo de sua trajetória sobre desistir da vida.

Em seu perfil no Instagram, o ator relatou os sentimento que o levaram a cogitar tal hipótese, como a sensação é capaz de atingir qualquer pessoa e como conseguiu sair da situação e usar sua experiência para ajudar outras pessoas.

Joaquim Lopes: engajamento no Setembro Amarelo

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Orawan Pattarawimonchai/Shutterstock

Setembro é o mês dedicado a conversas, reflexões e medidas que visem o combate ao suicídio. De acordo com o Centro de Valorização à Vida, a cada 45 minutos, um brasileiro tira a vida. No mundo, 1 milhão de pessoas morrem por suicídio ao ano.

Tirar o tabu acerca do tema é o jeito mais viável de tratar do assunto e enfrentar a questão, indicam organizações como CVV ou mesmo a Organização Mundial de Saúde. Por esse motivo, campanhas de conscientização como o Setembro Amarelo vigoram desde 2015.

Engajado no tema, Joaquim relatou a experiência própria que viveu com o pensamento suicida, em um longo texto publicado em sua conta no Instagram, no intuito de ajudar outras pessoas que já cogitaram a tirar a vida ou que passam por isso no momento.

Desabafo de Joaquim Lopes sobre desistir da vida

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Globo/João Miguel Júnior

Segundo o ator, o sentimento de caminho sem final feliz não é algo incomum. É bem possível que todas as pessoas já tenham vivido a sensação de não ter saída e soluções para determinadas situações - o que é bastante sufocante.

“E os “porquês” se acumulam. Por que continuar? Por que lutar? Por que tentar mudar? E muitos acabam decidindo por desistir infelizmente. Acham que não fazem diferença. Muito pelo contrário. Acham que o mundo seria melhor se não estivessem aqui", escreveu.

Todos os sentimentos descritos, como o de frustração e de beco sem saída, de acordo com Joaquim, foram vivenciados por ele. E o sentimentos ruins quase o levaram a pensamentos extremos.

“Já pensei em desistir. Entrei num espiral de autopiedade insana que me deixava impotente de pensar. De entender. Estava absolutamente dormente e dormindo. E não tinha nada que me fizesse mudar de ideia. Imaginei como faria... Como seria.... Imaginei como ficariam meus pais, amigos etc. E era uma dor dilacerante. Uma tristeza paralisante.”

A reviravolta na vida de Joaquim, por ironia, veio em dia de “particularmente difícil”, como o próprio descreveu.

Enquanto permanecia deitado no quarto, Joaquim fez algumas reflexões sobre o momento pelo qual passava. E foi nesse período que ele encontrou a paz para as turbulências que lhe afligiam.

“Não sentia NADA. E entendi que estava no fim da linha. Que nada restava. Que tudo que eu era até aquele momento tinha que acabar... e acabou. Porque no exato momento em que eu senti que não havia mais NADA, não havia mais dor. Não havia mais autopiedade. Não havia espaço para auto sabotagens e sentimentos de vitimização. Não havia mais NADA... e isso me apresentou uma outra oportunidade.”

Virada

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Globo/Ramón Vasconcelos

A oportunidade, segundo Joaquim, foi a de recomeçar sua vida do zero, com escolhas melhores para seu dia a dia, com um estilo de vida que lhe trouxesse mais tranquilidade e, principalmente, sem estresses que lhe faziam mal, como a necessidade de aprovação constante de terceiros.

“No propósito de não me comparar com NINGUÉM, a não ser com quem eu era, ontem! Se você consegue ser 0,001% melhor do que você era ontem... vitória! Entendi quem eram meus amigos. Entendi que a gente na verdade, verdade a gente só precisa mesmo do nosso próprio amor.”

Amor-próprio é a saída

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Globo/Estevam Avellar

Com a experiência que teve, Joaquim diz a todos que passam pela mesma situação que é importante que essas pessoas entendam que, ao contrário do que pensam, sua presença no mundo é muito válida - para si e para muita gente ao seu entorno.

“Para sua família, para os seus amigos, pra Deus (seja lá o nome que vc da a ele), para mim, para todos nós. Sabe quando você está andando na rua distraído e você é quase atropelado por uma bicicleta, ou um pássaro faz cocô no seu ombro, você sempre pensa: 'Se eu tivesse saído só 2 segundos depois de casa, isso não teria acontecido!' Né? Nesses momentos percebemos o quanto tudo e todos estamos interligados.”

“O que quero dizer é que a sua existência torna possível a minha existência e a existência de todos os outros seres desse planeta. É tudo uma grande sinfonia caótica que funciona na mais perfeita ordem. Como deve ser. Então saiba que todos nós PRECISAMOS de você!! E muito! Não há NADA que não possa ser transformado. NADA. E o nada às vezes é JUSTAMENTE o primeiro passo desse recomeço!”, finalizou o ator.

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Todos passamos por momentos em que achamos que não tem mais saída. E os “por quês” se acumulam. Por que continuar? Por que lutar? Por que tentar mudar? E muitos acabam decidindo por desistir infelizmente. Acham que não fazem diferença. Muito pelo contrário. Acham que o mundo seria melhor se não estivessem aqui. So to passando pra dizer que eu também já me senti assim. Já pensei em desistir. Entrei num espiral de autopiedade insana que me deixava impotente de pensar. De entender. Estava absolutamente dormente e dormindo. E não tinha nada que me fizesse mudar de ideia. Imaginei como faria... Como seria.... Imaginei como ficariam meus pais, amigos etc. E era uma dor dilacerante. Uma tristeza paralisante. Um dia, e esse particularmente difícil, estava deitado na minha cama com as luzes apagadas e senti no fundo do meu peito um vazio absoluto. Não sentia NADA. E entendi que estava no fim da linha. Que nada restava. Que tudo que eu era até aquele momento tinha que acabar... e acabou. Porque no exato momento em que eu senti que não havia mais NADA, não havia mais dor. Não havia mais autopiedade. Não havia espaço para auto sabotagens e sentimentos de vitimização. Nao havia mais NADA... e isso me apresentou uma outra oportunidade. Me apresentou uma oportunidade de recomeçar. Do zero. Escolhendo melhor. Um passo de cada vez. Com tranquilidade. Na certeza de não precisar da aprovação de ninguém. No propósito de não me comparar com NINGUÉM, a não ser com quem eu era, ontem! Se você consegue ser 0,001% melhor do que vc era ontem... vitória! Entendi quem eram meus amigos. Entendi que a gente na verdade, verdade a gente só precisa mesmo do nosso próprio amor. Entenda que você importa PRA CARALHO. Pra sua família, pros seus amigos, pra Deus (seja lá o nome que vc da a ele), pra mim, pra todos nós. Sabe quando vc tá andando na rua distraído e você é quase atropelado por uma bicicleta, ou um pássaro faz cocô no seu ombro, você sempre pensa: “Se eu tivesse saído só 2 segundos depois de casa, isso não teria acontecido!” Né? Nesses momentos percebemos o quanto tudo e todos estamos interligados. 🔽

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