Bebês com suspeita de sarampo devem tomar vitamina A dada pelo Estado: entenda

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De acordo com um boletim divulgado recentemente pelo Ministério da Saúde, o número de casos de sarampo confirmados no Brasil entre o início de junho e o final de agosto deste ano já somam 2.753 - e, durante o mesmo período, já foram notificadas quatro mortes decorrentes da doença (sendo três delas em São Paulo e uma em Pernambuco).

Diante do fato de que, das quatro mortes por sarampo identificadas, três foram de bebês com menos de um ano de vida (e a imunização não foi confirmada em nenhum deles), o órgão também manifestou uma preocupação específica com crianças, anunciando uma nova medida para assegurar a proteção delas: a distribuição de vitamina A para menores de seis meses com suspeita da doença.

Vitamina A para bebês com suspeita de sarampo

Conforme informa o comunicado, cápsulas de vitamina A na concentração de 50 mil UI serão distribuídas a todo o País, e todas as crianças de até seis meses (faixa etária que ainda não podem tomar a vacina) sob a suspeita de sarampo terão de tomar duas doses do medicamento. A medida visa, segundo o órgão, o fortalecimento do organismo dos bebês e a redução das chances de transmissão.

A orientação do Ministério é de que a primeira dose do medicamento seja administrada logo que a criança for declarada como possivelmente infectada com sarampo, ainda na unidade de saúde em que ela estiver. Já a segunda dose deve ser dada no dia seguinte, em domicílio.

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Sarampo em bebês e crianças

Segundo informações do órgão, crianças são mais suscetíveis às complicações típicas do sarampo e também à morte pela doença, mas muitas delas não são imunizadas corretamente. Durante um surto como este, é importante entender as orientações direcionadas a crianças - especialmente quem vive em São Paulo, já que 98,37% dos casos confirmados se concentram neste estado.

Bebês até 6 meses não podem tomar vacina do sarampo

Em crianças, a vacina do sarampo habitualmente é aplicada apenas a partir do primeiro ano de vida, mas, devido à preocupação com a situação, a vacinação está englobando também bebês que têm entre seis e doze meses de vida - e nunca antes disso, já que, segundo a infectologista Melissa Valentini, do Grupo Pardini, ela pode ser perigosa para os pequenos.

Conforme explica a médica, as vacinas contra o sarampo consistem no vírus causador da doença vivo, mas atenuado. Em organismos mais desenvolvidos e saudáveis, isso não representa problemas, mas, em crianças menores de seis meses (que ainda têm o sistema imunológico mais frágil), ela pode ter o efeito oposto, causando complicações graves.

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Vitamina A para sarampo: para que serve?

De acordo com Melissa, a recomendação do Ministério da Saúde quanto à administração de vitamina A em crianças menores de seis meses sob suspeita de sarampo se baseia em apontamentos de estudos que relacionam a deficiência desta vitamina a uma maior mortalidade pela doença e um maior risco de complicações graves em crianças.

“Alguns estudos mostram que, em uma população em que há deficiência de vitamina A, a mortalidade por sarampo é maior e, especialmente nas crianças, há uma possibilidade de deficiência dela. Alguns artigos colocam que crianças com deficiência de vitamina A e sarampo podem ter perda visual, cegueira, então por isso é recomendado”, esclarece a infectologista.

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Vacina do sarampo em crianças: quando tomar?

Antes do surto de sarampo acontecer, a orientação do Ministério da Saúde era a de que a primeira dose da vacina que protege contra a doença fosse dada em crianças a partir do primeiro ano de vida, seguida por uma segunda dose aos 15 meses de vida. Diante do aumento no número de casos e das mortes confirmadas, porém, as orientações da vacina do sarampo mudaram.

Agora, crianças a partir dos seis meses de vida já devem receber a vacina - a chamada “dose zero”, que reforça a imunização a longo prazo e confere proteção à criança seis meses antes da primeira dose do calendário de vacinação. É importante lembrar, no entanto, que a “dose zero” não conta como uma das duas doses requisitadas pelo calendário (entenda melhor abaixo, no item "Vacinação").

“Ela não é válida para o calendário vacinal porque os estudos mostram que, quando você faz vacina de vírus atenuado nessa população antes de um ano, a proteção cai, então você só faz isso em situações de surto”, afirma Melissa.

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Vacina de criança é a mesma dos adultos?

Conforme explica Melissa, a vacina contra sarampo aplicada em adultos e crianças é a mesma, e há alguns tipos disponíveis que, segundo o Ministério da Saúde, devem ser administradas de acordo com a situação epidemiológica e a carteirinha vacinal do paciente.

Segundo o site, os tipos se resumem à dupla viral (que protege contra sarampo e rubéola), à tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) e à tetra viral (que protege contra sarampo, caxumba, rubéola e catapora). Ao chegar ao posto, o agente de saúde deve analisar a carteirinha de vacinação do paciente e então administrar a vacina que melhor atenda seu quadro.

Riscos do sarampo em crianças

Enquanto em adultos a maior das complicações do sarampo é uma pneumonia não bacteriana (que, segundo informações do Hospital Israelita Albert Einstein, é causada pelo próprio vírus do sarampo e, em combinação com a doença principal, pode ser muito grave), em crianças a gama de complicações é bem maior - e várias delas podem levar à morte.

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De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, cerca de 30% dos casos de sarampo geram complicações, que são mais frequentes em crianças menores de 5 anos e adultos maiores de 20. Normalmente, o primeiro sinal de alerta é a continuidade da febre causada pela doença por mais de três dias após o surgimento das manchas, e então é possível que o paciente desenvolva:

  • Pneumonia

Assim como ocorre em adultos, a pneumonia causada pelo sarampo é bem perigosa nas crianças, representando uma das maiores causas da mortalidade pela doença.

  • Otite média

Ao lado da pneumonia, esta é uma das complicações mais comuns em crianças, e consiste em uma infecção do ouvido médio que tem dor e até perda da audição como sintomas. Quando ocorre em bebês, eles podem manifestar o desconforto com irritabilidade ou dificuldades para pegar no sono, e em geral a doença é tratada com antibióticos.

  • Diarreias

Boa parte das crianças menores de dois anos infectadas com sarampo apresenta este sintoma durante ou depois da fase aguda da doença, algo que agrava o estado de saúde geral por ter como possíveis consequências a desidratação e a desnutrição.

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  • Desnutrição

Tanto devido a episódios de diarreia quanto a outros fatores (como falta de apetite, ulcerações na boca devido ao sarampo, desmame precoce e febre), é bem frequente que a criança fique desnutrida quando contagiada com a doença - algo que agrava ainda mais o estado de saúde, já que faz as defesas do corpo se enfraquecerem.

Nos casos em que o paciente fica profundamente desnutrido, é possível haver óbito até dois meses depois da fase aguda do sarampo (especialmente quando se trata de crianças com desnutrição).

  • Complicações neurológicas

Uma em cada mil a 2 mil crianças infectadas pelo sarampo podem desenvolver encefalite transitória, uma inflamação no cérebro que se manifesta a partir de dor de cabeça, confusão mental, febre e convulsões. Em casos ainda mais raros, é possível que a encefalite se torne crônica, evoluindo ao longo dos anos e quase sempre levando à morte.

  • Ceratite e cegueira

Em pessoas com deficiência de vitamina A, é possível que a doença desencadeie uma ceratite, que é uma inflamação da córnea. Em casos mais graves, o sarampo causa cegueira.

Sarampo é mais perigoso para crianças?

De acordo com Melissa, o sarampo é mais perigoso para dois grupos: o de crianças abaixo de cinco anos e o de adultos acima dos 20. No caso das crianças, ela explica que a grande possibilidade de a doença ser mais grave e ocasionar complicações perigosas está no fato de que o sistema imunológico delas ainda é frágil.

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Sarampo: informações gerais

Além de manter a vacinação em dia para prevenir a doença, também é importante ter em mente algumas informações essenciais sobre o sarampo para melhor identificá-la e saber quando buscar auxílio médico. São elas:

Como pega sarampo?

O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa e, como outras doenças do tipo, o contágio se dá a partir de secreções respiratórias. Sendo assim, é possível pegar sarampo entrando em contato com a saliva de uma pessoa infectada ou gotículas expelidas na tosse e no espirro dela - e, como crianças costumam ter bastante contato deste tipo, o contágio é grande entre elas.

É importante lembrar, inclusive, que a transmissão do vírus causador do sarampo ocorre tanto antes do surgimento das manchinhas características da doença quanto até quatro dias após as erupções aparecerem. Uma vez que o vírus se instala na mucosa do nariz, ele passa então a se reproduzir e cai na corrente sanguínea.

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Sintomas do sarampo

Quando uma pessoa é infectada pelo sarampo, costuma apresentar os seguintes sintomas:

  • Febre alta e persistente;
  • Alterações no apetite;
  • Manchas brancas na parte interna das bochechas;
  • Erupções vermelhas na pele alguns dias após o início da febre (geralmente, elas começam a aparecer atrás das orelhas e se espalham pelo corpo a partir daí);
  • Mal-estar geral;
  • Coriza;
  • Tosse.

Três dias após o aparecimento das manchinhas vermelhas pelo corpo, elas começam a descamar e desaparecer, bem como a febre. Caso estes sintomas persistam após esta duração, é possível que o paciente desenvolva complicações decorrentes da doença

Tratamento do sarampo

O sarampo é confirmado a partir de um exame de sangue e o tratamento consiste em amenizar os sintomas ou complicações decorrentes da doença. Assim, é possível que sejam usados medicamentos antitérmicos para controlar a febre e antibióticos para tratar complicações bacterianas (como uma possível pneumonia, por exemplo).

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Vacinação

Em meio ao surto, a primeira vacina contra sarampo deve ser tomada aos seis meses de vida - mas, como ela é uma “dose extra”, ainda é preciso seguir o calendário normalmente. Assim, com um ano, a criança deve tomar outra dose e repeti-la também aos 15 meses de vida, sendo esta a última dose para a vida toda.

Já pela campanha de vacinação criada para conter o surto da doença, quem tomou apenas uma dose até os 29 anos de idade precisa completar o esquema vacinal com uma segunda. Caso a pessoa não tenha tomado nenhuma dose ou não possa comprová-las, são administrada duas em quem tem até 29 anos e apenas uma em quem tem de 30 a 49. Pessoas acima de 50 anos não são contempladas pela campanha, mas podem vacinar-se em clínicas particulares.

Quem não pode tomar a vacina do sarampo?

A vacina contra sarampo é contraindicada para mulheres grávidas, já que, por serem produzidas com o vírus vivo (atenuado), podem desenvolver a doença ao se deparar com um sistema imunológico já possivelmente enfraquecido pela gestação. Caso haja planos de engravidar, a mulher precisa tomar todas as doses da vacina antes.

Além disso, bebês com menos de seis meses de vida também não podem tomar esta vacina, já que, por terem uma imunidade mais frágil, a imunização pode ter o efeito contrário e gerar complicações sérias.

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Dúvidas sobre sarampo