Morte de Fernanda Young: entenda quando a asma pode ser fatal e por que isso ocorre

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Globo/Paulo Belote

No último domingo (25), fãs e amigos de Fernanda Young receberam a triste notícia de que a escritora e roteirista havia falecido. Segundo sua assessoria de imprensa, a morte ocorreu após uma crise de asma seguida de uma parada cardíaca. Entenda quando a doença pode ser fatal.

Morte de Fernanda Young por crise de asma

De acordo com o comunicado, Fernanda sofria da doença desde a infância e faleceu na madrugada do dia 25 de agosto, aos 49 anos, no sítio de sua família localizado em Gonçalves, Minas Gerais, após uma crise seguida por parada cardíaca.

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TV Globo/Estevam Avellar

A escritora, roteirista, atriz e apresentadora Fernanda Young faleceu na madrugada do dia 25 de agosto, aos 49 anos, no sítio de sua família localizado em Gonçalves, Minas Gerais. Ela sofreu uma crise de asma seguida de parada cardíaca. Fernanda sofria de asma desde a infância.

O velório ocorrerá hoje (25/8/19), às 13h, no cemitério Congonhas, em São Paulo. O sepultamento será às 16h15. (aberto ao público) Fernanda deixa seu marido Alexandre Machado e quatro filhos: duas gêmeas de 19 anos, uma menina de 10 e um menino de 9 anos. “A mais criativa, a mais bondosa, a mais inteligente e a mais anárquica de todas”, segundo seu melhor amigo, o estilista Rodrigo Rosner.

Asma: quando pode ser fatal

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TV Globo/Zé Paulo Cardeal

A asma é uma das condições crônicas mais comuns: afeta, no mundo, cerca de 300 milhões de pessoas. As crises ocorrem devido à ação de algum estímulo irritante sobre as vias respiratórias, como um vírus ou até mesmo um cheiro forte. Em consequência, os brônquios se inflamam e dificultam a passagem de ar, gerando sintomas como falta de ar, tosse, chiado e aperto no peito.

Em geral, segundo o Ministério da Saúde, os sintomas da asma tendem a piorar no período da noite, nas primeiras horas da manhã e durante a prática de atividades físicas. Quanto às causas, o órgão cita histórico familiar tanto da doença quanto de rinite, obesidade (já que o sobrepeso facilita o desenvolvimento de processos inflamatórios) e o tabagismo.

Crises de asma: complicações graves colocam vida em risco

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Lightspring/Shutterstock

Conhecidas clinicamente como exacerbações, as crises de asma são manifestações que, apesar de comuns na vida de quem convive com a doença, também são temidas pois podem ser graves. Essas crises ocorrem quando a asma não está devidamente controlada, e são motivadas por uma série de fatores.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia, os gatilhos mais comuns para estas crises são infecções virais (especialmente as que afetam as vias respiratórias), a exposição a substâncias capazes de causar reações alérgicas (como poeira, ácaros, fungos, poluição ambiental e fumaça de cigarro) e uso de certos medicamentos, como anti-inflamatórios não-esteroides.

Estas exacerbações, por sua vez, podem ocorrer em diferentes graus, apresentando sintomas cada vez mais aparentes e trazendo riscos cada vez maiores de morte para o paciente.

Enquanto exacerbações leves provocam sintomas quase imperceptíveis para quem já convive com a doença, uma crise grave de asma com que o paciente apresente cianose (pele com coloração arroxeada), sudorese, exaustão, agitação, confusão mental, sonolência excessiva, dificuldade em formar frases mais longas e retrações acentuadas da musculatura do sistema respiratório.

Nestes casos, as chances de o paciente falecer caso não receba assistência médica adequada são grandes - e alguns fatores fazem com que elas aumentem ainda mais. São eles:

  • Histórico de internação por crises graves (especialmente com necessidade de ventilação mecânica);
  • Ocorrência de três ou mais visitas à emergência no ano anterior à crise;
  • Duas ou mais hospitalizações por asma no mesmo período;
  • Uso frequente de corticoides sistêmicos;
  • Uso de dois ou mais frascos de inalador pressurizado de medicamentos para asma durante um mês;
  • Problemas psicossociais como depressão, dificuldades financeiras, dificuldade de acesso a tratamentos;
  • Presença de outras doenças, especialmente as de caráter cardiovascular e psiquiátrico;
  • Má percepção da gravidade da obstrução causada pela crise por parte do paciente.

Tratamento da asma

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OnlyZoia/Shutterstock

Como a doença é crônica e não tem cura, o objetivo dos tratamentos para asma é melhorar a qualidade de vida do paciente, controlando os sintomas da doença para melhorar a função pulmonar e mantê-lo longe de crises. Além do uso de medicamentos, o tratamento também inclui medidas educativas para que a pessoa possa evitar possíveis gatilhos das crises.

Durante exacerbações, são usados medicamentos para aliviar os sintomas rapidamente, enquanto o tratamento da asma persistente é o uso contínuo de remédios com ação anti-inflamatória - como o os corticosteroides inalatórios, administrados a partir das famosas “bombinhas” de inalação. Tudo isso, porém, dependerá dos sintomas e do histórico clínico do paciente.

Além das medicações, algo essencial para a manutenção de uma boa função pulmonar em pacientes de asma é a educação do paciente para que ele evite a exposição a fatores que agravam a doença e saiba o que fazer quando tiver uma crise. A prevenção das crises, por sua vez, requer que o paciente mantenha os ambientes limpos, evite cheiros fortes, não fume, se agasalhe bem em épocas de frio, pratique atividades físicas e mantenha uma alimentação saudável.

Doenças respiratórias