Remédio para dormir só deve ser usado em último caso: médico diz o que fazer antes

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Uma boa noite de sono pode reduzir o risco de obesidade e hipertensão, além de proteger contra o declínio cognitivo relacionado às demências. O sono reparador também tem sido associado à diminuição das taxas de depressão.

Conhecendo a importância de dormir bem para a saúde, muitas pessoas que têm dificuldade em descansar à noite podem recorrer a medicamentos que promovem um sono profundo. O uso de remédios do gênero, no entanto, deve ser a última opção, segundo neurologista Bruno Funchal, do Hospital Santa Paula.

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O médico explica, inicialmente, que a insônia não é doença, mas um sintoma. Ela é a manifestação de que algo não anda bem e deve ser investigado e pode envolver fatores sociais, biológicos, psicológicos, cognitivos, comportamentais e até mesmo genéticos.

Como combater a insônia sem remédios

O especialista afirma que medidas simples podem ajudar a combater a insônia e ter noites de descanso mais eficientes. Para começar é importante dar preferência a uma dieta balanceada, com alimentos leves, de fácil digestão, especialmente no período da noite.

Café, alimentos com cafeína ou que possam estimular o sistema nervoso devem ser evitados de 4 a 6 horas antes de dormir, pois levam o organismo a um estado de alerta e atrasa a sonolência.

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Na hora de ir para a cama, desligue TV e outros aparelhos que emitem luz e som. O médico explica que a luminosidade e o barulho oferecem estímulos que atrapalham o início, a qualidade e a duração do sono. O mesmo vale para o hábito de ficar no celular já na cama, antes de dormir.

O bom e velho hábito de tomar um banho morno pode, realmente, ajudar a relaxar e preparar o corpo para o sono, afirma o médico. Portanto, invista no hábito. O especialista indica a manutenção de uma rotina de sono, que consiste em ir para a cama na mesma hora todas as noites, incluindo fins de semana.

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Conforme a idade avança, o sono muda e ocorrem mais despertares durante a noite. Neste caso, é preciso avaliar a rotina e criar o hábito de fazer atividade física para que o corpo canse mais. Evite apenas exercício pesado pouco antes de dormir para não deixar o corpo em estado de alerta e provocar efeito contrário, aconselha o médico.

Perigos dos remédios para dormir

Os medicamentos para dormir podem ter efeitos quase imediatos, mas são indicados apenas em casos específicos e devem ser usados somente com orientação médica. O vício e a tolerância a essas drogas podem comprometer a saúde do sono para sempre.

De acordo com o médico Drauzio Varella, toda droga psicoativa age no cérebro e provoca tolerância. Isto é, você precisa de doses mais altas para ter o mesmo efeito. E, depois de um tempo, mesmo doses altas já não fazem mais dormir a noite toda.

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E saiba que nem mesmo opções supostamente naturais devem ser usadas sem indicação, como o caso da melatonina. Muitas pessoas acreditam que a substância é natural e que, portanto, pode ser usada indiscriminadamente. E este é um erro grave, alerta o psiquiatra Caio Bonadio.

Segundo o médico, a melatonina é um hormônio e, se usada por conta própria, pode provocar efeitos colaterais, uma vez que, no fim das contas, o indivíduo estaria fazendo uma terapia hormonal de forma equivocada e, muitas vezes, desnecessária.

Dados da Associated Professional Sleep Societies, dedicada a pesquisas relacionadas ao tema em todo mundo, aponta que a dificuldade para dormir faz parte da rotina de 10% a 40% da população mundial. No Brasil, a insônia é um distúrbio que acomete cerca de 40% da população, segundo dados do Instituto do Sono.

Tratamentos naturais contra a insônia