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Homem tem AVC após estalar pescoço sozinho: quando e por que isso pode ocorrer?

Publicado 7 Mai 2019 – 11:03 AM EDT | Atualizado 7 Mai 2019 – 11:03 AM EDT
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O hábito de estalar o pescoço não é nem um pouco raro. Entretanto, a prática pode ter consequências perigosas que pouquíssimos conhecem, como um acidente vascular cerebral (AVC). Foi o que aconteceu com o norte-americano Josh Hader.

Homem teve AVC depois de estalar o pescoço

Em entrevista à rede de TV norte-americana CNN, Josh contou que tudo começou quando sentiu seu pescoço dolorido. Para amenizar a dor na região, o homem de 28 anos decidiu esticá-lo e, acidentalmente, o estalou.

Segundo Josh, depois de todos esses movimentos, tudo o que ele lembra é de sentir o lado esquerdo do corpo começar a ficar paralisado.

Diante da situação, o homem decidiu ir à cozinha pegar um pouco de gelo para colocar no corpo lesionado. Entretanto, notou dificuldade para andar ereto: “Eu andava quase em um ângulo de 45° para a esquerda”, contou.

Com a ajuda do padrasto, Josh foi encaminhado para o pronto-socorro de um hospital da região, onde um procedimento para a quebra de coágulos sanguíneos foi realizado no rapaz.

Posteriormente, o norte-americano foi transferido para uma unidade de saúde maior, onde ficou internado na unidade de terapia intensiva por quatro dias.

De acordo com o médico responsável pelo caso de Josh, Vance McCollom, o paciente apresentava dormência, fraqueza, visão dupla e o lado esquerdo paralisado.

Com os exames realizados, foi constatado que uma artéria havia sido comprometida, o que causou um AVC em Josh.

Após semanas de reabilitação, o homem já consegue ter uma vida independente novamente, mais ainda tenta se recuperar de alguns efeitos colaterais, como dificuldade para andar e se equilibrar, soluços persistentes, dentre outros.

AVC após estalar o pescoço: por que isso acontece?

A relação entre o AVC e um ato tão corriqueiro como estalar o pescoço é real, apesar de muitos não saberem. Embora muito associado a fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol alto, arritmia cardíaca ou tabagismo, é fato que movimentos com o pescoço podem desencadear um derrame.

Isso porque o simples ato estalar o pescoço pode ocasionar uma dissecção de artérias da região cervical – algo com enormes riscos de levar a pessoa a um AVC.

“A dissecção arterial pode causar AVC isquêmico [o que ‘entope’ o vaso] caso se formem coágulos na região depois de um trauma no pescoço e eles causem, posteriormente, bloqueio dos vasos sanguíneos no cérebro”, afirma a American Heart Association (AHA) e o neurologista José Biller, principal autor da declaração. A associação apenas enfatiza que ainda são necessárias mais evidências científicas para comprovar tal relação.

Segundo Biller, movimentos súbitos de hiperextensão e rotação do pescoço são os que mais podem resultar em disseção das artérias cervicais.

Esse ferimento nas artérias que passam pelo pescoço leva à necessidade de reparação: o corpo forma um coágulo para curá-lo e, em alguns casos, esse coágulo segue o fluxo sanguíneo até o cérebro, onde entope o vaso.

Caso não é único

O caso de Josh não é algo inédito, há ainda o caso Natalie Kunicki.

Depois de uma festa, a paramédica de 23 anos deitou-se na cama para assistir a um filme e, ao se mover, ela estalou o pescoço por acidente. Logo em seguida notou que havia perdido os movimentos da perna esquerda – uma consequência de um derrame similar ao de Josh que a jovem havia tido.

Outra causa inusitada para derrames é a chamada " síndrome do cabeleireiro", em que o cliente acaba sofrendo o acidente vascular cerebral ao apoiar o pescoço no lavatório de salões de beleza para enxaguar o cabelo.

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