Pela 1ª vez, Anitta revela depressão e efeito que doença causou nela: só quem tem sabe

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Agnews

Em uma coletiva de imprensa promovida em São Paulo a respeito de sua série na Netflix, a cantora Anitta revelou que sofreu uma grave crise de depressão recentemente, algo que não foi noticiado por ela na época.

Segundo ela, as gravações de “Vai Anitta” precisaram ser interrompidas para que ela pudesse se recuperar do quadro, que durou meses.

“A série levou um pouco mais de tempo para estar fora por conta disso. Eu fiquei durante três, quatro meses assim, sem conseguir assimilar. Minha equipe sabe como eu sou, então se eles tocassem [a série] sem que eu tivesse em condições de acompanhar, depois eu não ia ficar feliz, então todo mundo parou”, explicou.

Conforme contou a cantora, quem assistir à série notará a interrupção das gravações.

Efeito de depressão em Anitta: isolamento

Ao detalhar o quadro, Anitta revelou que a doença tornou difícil o convívio com muitas pessoas ao mesmo tempo, motivo pelo qual ela não conseguiu gravar durante o período.

Segundo a cantora, para gravar “Vai Anitta”, era preciso ter pessoas acompanhando seus passos a todo instante, mas, naquele momento, ela não conseguia lidar com a ausência total de um tempo a sós.

“Na época, não consegui filmar, não conseguia ter gente perto de mim o tempo inteiro”, disse a cantora, reforçando que sua equipe optou por esperar que conseguisse sair dessa situação tanto pelo bem dela quanto do projeto.

A necessidade de isolamento é um efeito recorrente da depressão, mas quem nunca enfrentou o quadro nem sempre o entende. Isso porque, como ele é bastante associado à tristeza, é comum que pessoas ao redor pensem que fazer companhia constante e manter o indivíduo "distraído" seja o melhor caminho para ajudá-lo.

Conciliar depressão e trabalho

Outra questão abordada pela cantora ao narrar a luta contra a crise depressiva foi a necessidade que sentiu de não transparecer seu quadro ao público.

Como uma artista de sucesso, Anitta diz que costuma ser “cobrada” para estar sempre feliz e que, às vezes, realmente precisa mascarar o que sente, limpando as lágrimas e colocando um sorriso no rosto.

O relato da cantora não é isolado. Inclusive, o fato de cada pessoa manifestar e lidar com a depressão de uma forma pode fazer com que ela passe despercebida por quem está em volta.

Porém, é importante lembrar que ela não é menos grave por conta disso, já que estereotipar a depressão como uma doença que deixa o paciente na cama, sem condições de fazer nada, pode dificultar a busca por ajuda e fazer com que algumas pessoas se sintam menosprezadas.

De acordo com a psicóloga Pamela Magalhães, há, de fato, pacientes que não conseguem sair da cama e apresentam outros comportamentos constantemente relacionados com a doença, mas, como os sintomas são sorrateiros, não é raro encontrar pacientes que manifestam a depressão de outras formas.

Segundo ela, de forma geral, o principal sintoma de depressão é uma tristeza constante (ao menos duas semanas), que altera a percepção da pessoa sobre a vida e gera um mal-estar emocional que não passa. “Acordar, passar o dia e dormir triste. Tudo o que acontece é encarado de uma maneira triste”, diz a especialista.

Pamela afirma ainda que, além da tristeza persistente, um quadro da doença pode se apresentar em sintomas como queda na produtividade, desânimo, grandes mudanças de humor, queda na libido, alterações de apetite e sono e falta de interesse em coisas que antes costumavam ser prazerosas.

Depressão: sintomas, tipos e tratamento