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Que anticoncepcional é este que famosa diz estar “secando” sua celulite? É seguro?

Fernanda Lacerda, que ficou conhecida como a Mendigata do extinto programa "Pânico da Band", compartilhou uma foto do corpo enxuto nas redes sociais e revelou aos seguidores um de seus truques. Trata-se do implante hormonal, um método contraceptivo também conhecido como "chip da beleza".

“Já ouviram falar do chip da beleza, né? Esse implante hormonal mudou meu corpo, me ajudou a ganhar massa magra de uma forma mais rápida com a mesma rotina de exercícios que sempre realizei”, explicou.

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Vou compartilhar um dos meus segredinhos que tem me ajudado bastante a atingir meus objetivos... Já ouviram falar do chip da beleza né?! 🤭 Esse Implante Hormonal mudou meu corpo, me ajudou a ganhar massa magra 💪🏼💥 de uma forma mais rápida com a mesma rotina de exercícios que sempre realizei. Muito feliz mais uma vez com o resultado do meu Implante Hormonal 😃, obrigada @clinicajaninearaujo ! Se tem gente que não se adapta, aqui está alguém que mais uma vez esta AMANDO 😍 os resultados! A disposição também foi outro fator que me chamou muita atencao, me sinto realmente com mais energia para dar conta da rotina corrida que tenho de trabslho. A celulite está secando ☺😃 e os músculos estão ficando mais visíveis. Obrigada à @drajaninearaujo 💗 e à @clinicajaninearaujo por mais este incrível tratamento de #implantehormonal 👊🏼👌🏼#clinicajaninearaujo #implantehormonal #chipdabeleza #implante #nutrologia #vemverao #verao2019 📸 @gutobordoni

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Segundo a modelo, a aplicação a deixou com a celulite menos visível. “A disposição foi outro fator que me chamou muita atenção, me sinto com mais energia para dar conta da rotina corrida que tenho de trabalho. A celulite está secando e os músculos ficaram mais visíveis”, contou.

Fernanda não é a primeira famosa a declarar o uso do método. A cantora Solange Almeida assumiu ser adepta do chip da beleza, assim como o ator Paulinho Vilhena, que disse ter feito o implante hormonal para regular alguns desequilíbrios em seu organismo.

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Entretanto, sua indicação é polêmica. Enquanto muitas pessoas buscam o implante por seus efeitos estéticos, médicos desaconselham o uso para este fim, alegando que a combinação de hormônios pode ser perigosa para algumas pessoas. Entenda melhor a seguir.

Implante hormonal: o que é?

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Michael Kraus/Shutterstock

O implante consiste em um tubo de silicone carregado com 50 mg de hormônios e colocado a 4 ou 5 cm sob a pele. Conforme explica a ginecologista Alessandra Bedin, ele pode ser usado para duas finalidades: contracepção feminina e reposições hormonais (tanto em homens quanto em mulheres).

Desta forma, a formulação de cada implante é individualizada, ou seja, é o médico quem define quais hormônios serão colocados no implante, a depender da necessidade de cada paciente.

"Tudo depende dos exames e da avaliação do especialista. O paciente passará por uma série de questionamentos para saber se existe algum fator de risco baseado na questão genética e se o implante é o melhor método para o corpo dele", diz.

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Pressmaster/shutterstock

Normalmente, são combinados três tipos de hormônios:

  • Estrogênio: usado, geralmente, para a reposição na menopausa
  • Testosterona: hormônio masculino usado em alguns casos para aumentar o desejo sexual
  • Progesterona: tem um efeito secundário e pode ser usado para tratar acne ou retenção de líquido

Dra. Alessandra explica que as substâncias vão sendo liberadas continuamente na corrente sanguínea, inibindo a ovulação e, assim, evitando a gravidez. Os efeitos podem durar de quatro meses a quatro anos e, ao final do período, são realizados novos exames para estudar a necessidade de implantar o bastão novamente.

"O implante é removido em consultório pelo próprio médico, mas, em alguns casos, ele é absorvido pelo corpo, não sendo necessária qualquer intervenção para sua retirada", afirma a ginecologista.

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PeopleImages/iStock

Qual médico pode realizar o implante?

O dispositivo é implantado em consultório com anestesia local. Por ser um tratamento hormonal, os especialistas aptos a aplicá-lo são ginecologistas e endocrinologistas.

"O implante só será seguro e eficaz se o especialista souber a quantidade certa e quais hormônios deve colocar. Cada um tem sua finalidade, e a escolha depende da queixa e do tratamento escolhido, além de possíveis deficiências no organismo", explica sobre os critérios para a escolha dos hormônios que irão compor o implante de cada paciente.

Efeitos no corpo

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Pressmaster/Shutterstock

Segundo a ginecologista, a razão para o implante ser conhecido como "chip da beleza" são os efeitos que a testosterona causa no corpo da mulher. "O hormônio causa aumento da massa muscular, do metabolismo e da libido", afirma.

Além disso, similarmente a outros anticoncepcionais hormonais, também melhora os sintomas da TPM por bloquear a ovulação.

Em relação à celulite, ela afirma que a redução pode acabar sendo um efeito secundário devido ao aumento do metabolismo das gorduras, mas, mesmo assim, não chega a ser um tratamento. "Celulite só se melhora mesmo com alimentação adequada e exercícios", lembra.

É seguro?

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spreewald.picture.de/Shutterstock

Para a ginecologista e obstetra Maria Elisa Noriler, do Hospital Municipal Maternidade Escola de Vila Nova Cachoeirinha (São Paulo), é justamente a presença da testosterona que torna o implante polêmico.

Isso porque, segundo ela, a prescrição deste hormônio a mulheres em fase reprodutiva não é respaldada por instituições médicas, como o Conselho Regional de Medicinal (CRM), uma vez que sua eficácia e segurança não são comprovadas.

Já Alessandra afirma que a administração dos hormônios é, sim, segura - desde que usada para as finalidades corretas. Para ela, o grande risco está no uso do implante para fins estéticos, sem indicação médica.

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Image Point Fr/shutterstock

"Se for feito pelo especialista correto, se os exames laboratoriais forem feitos, se a quantidade de hormônios for colocada da maneira correta, não existe algo que não seja seguro", conta. Inclusive, pode ser até mais seguro do que outros métodos contraceptivos, dependendo da paciente. "Por isso, é fundamental conversar com o médico e avaliar as opções", recomenda.

A especialista em Medicina Integrativa Fernanda Silva reforça que não indica o chip para fins estéticos. Além disso, ela informa que a reposição hormonal deve ser indicada e contraindicada de forma individual. “O efeito é comprovadamente anticoncepcional em doses indicadas. A função correta é apenas essa”, explica.

Efeitos colaterais

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TRIG e ARTFULLY PHOTOGRAPHER / Shutterstock

Além da falta de respaldo para uso da testosterona, o implante pode resultar no aumento da oleosidade na pele, aparecimento de acne, surgimento de pelos (inclusive faciais) e até rouquidão da voz - efeitos colaterais do hormônio masculino.

Existe também o risco de tromboses, doenças cardiovasculares e aumento do colesterol.

Quem pode ou não usar?

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Syda Productions/Shutterstock

Bedin afirma que não há restrição de idade para o uso do implante, desde que haja indicação para tal. No caso dos homens, ele pode ser usado como tratamento para reposição hormonal, quando há desequilíbrio no organismo.

"Tudo deve ser conversado com o especialista para saber se é o melhor método para o corpo daquele paciente", reforça a médica.

Os grupos de risco que devem evitar o método são pessoas com diabetes extrema, doenças suprarrenais ou problemas relacionados ao colesterol alto.

Cuidados ao aderir

  1. Exames: o ginecologista ou endócrino deve pedir exames laboratoriais e realizar avaliação em consultório para avaliar a possibilidade do implante e as necessidades do seu organismo.
  2. Uso correto: segundo todos os especialistas entrevistados para esta matéria, o chip da beleza - apesar do nome - não é indicado para fins estéticos, apenas para contracepção e tratamentos hormonais.
  3. Uso de preservativo: assim como ocorre com outros anticoncepcionais hormonais, o implante previne a gravidez, mas não evita o contágio de DSTs, sendo o uso combinado com a camisinha essencial durante o sexo.
  4. Pílula do dia seguinte: em caso de relação desprotegida, a recomendação é a mesma para quem toma pílula anticoncepcional: não é necessário recorrer ao método de emergência. "É uma bomba de hormônios no corpo. Não há necessidade de misturar com outro medicamento com a mesma finalidade. Mas, isso tudo deve ser conversado com um especialista", afirma Bedin.

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