Dor de cabeça do lado esquerdo ou direito tem causas diferentes? E na frente ou atrás?

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Apesar de ser uma condição muito comum, dor de cabeça não é tudo igual. Pelo contrário, o desconforto pode ser indício de uma enormidade de problemas, dos simples aos mais graves. Por isso, atentar-se às particularidades do incômodo é uma das formas de identificar o que ele está querendo dizer.

Muitas características diferem uma dor da outra, como intensidade, origem do incômodo e região onde a dor se localiza, além, é claro, dos sintomas associados - detalhes importantes, muitas vezes, para o diagnósticos de doenças no corpo humano.

Dor de cabeça: como acontece?

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A cefaleia é o nome dado à conhecida dor de cabeça e sua causa está ligada a diferentes origens. “O cérebro por si só não possui receptores para a dor. A teoria mais relevante para explicar dores na cabeça relaciona a cefaleia tensional, por exemplo, com a musculatura da região próxima à cabeça", diz Julio Pereira, neurocirurgião da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

"Já enxaqueca, por outro lado, seria motivada por acometimentos nos vasos sanguíneos e, por isso, a dor é pulsátil. Existe também uma vertente que liga os neurotransmissores com a dor”, explica sobre diversos tipos de dores na cabeça.

Sendo assim, é possível que diferentes problemas gerem cefaleias em áreas específicas da cabeça.

Dor de cabeça do lado esquerdo ou direito, na frente ou atrás: faz diferença?

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De acordo com o neurocirurgião, a dor no lado esquerdo ou direito da cabeça não é indicativo de patologias específicas do organismo, ou seja, o lado onde a dor ocorre não importa do ponto de vista do diagnóstico. Já a diferenciação entre o acometimento na parte frontal ou posterior da cabeça é um fator a ser observado.

“A cefaleia tensional, por exemplo, é mais localizada na parte de trás. A enxaqueca, na região temporal, por ser pulsátil. O lado da dor, se é na parte direita ou esquerda, não é relevante para saber se é grave. A lateralidade não tem auxílio no diagnóstico da doença.”

Já as diferenciações na dor, como sua intensidade, frequência, duração, etc., além de sua prevalência na parte da frente ou de trás da cabeça, são pontos importantes a serem observados. Isso porque são importantes para determinar se o problema se trata de patologia simples (como tensão ou gripe) ou possivelmente grave (como tumor e aneurisma), cefaleias primárias ou secundárias, etc.

Características da dor de cabeça e suas causas

Cefaleia primária

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A cefaleia primária refere-se à dor de cabeça por si só. Neste caso, ela é, ao mesmo tempo, enfermidade e sintoma. “A dor de cabeça primaria é uma doença benigna. A mais clássica é a enxaqueca”, explica Pereira. Além da enxaqueca, há também a cefaleia tensional e a cefaleia em salva (conhecida também como cluster headache).

A enxaqueca é um distúrbio neurovascular muito comum de aparecer a partir da adolescência. Ela é caracterizada por ser unilateral (acomete apenas um lado da cabeça), provocar uma dor latejante de intensidade média a forte e causar náuseas, vômitos, fotofobia, fonofobia, sensibilidade a movimento e irritabilidade. Há enxaquecas que duram três horas, outras, 72 horas e algumas podem ultrapassar mais de duas semanas de crise de dor.

A cefaleia tensional é a mais comum entre as dores de cabeça primárias e pode ser aguda ou crônica. Ela resulta da tensão muscular cervical e ao redor do crânio. A dor é similar a um peso ou aperto, é bilateral e de intensidade leve ou moderada. Manifesta-se na nuca, testa ou na parte de cima da cabeça e pode durar de meia hora e sete dias por semana.

A cefaleia em salva é do tipo pulsátil, ocorre na região têmporo-frontal, na face ou no fundo dos olhos. É de intensidade muito forte, pode provocar congestão nasal e ocular (quando os olhos ficam vermelhos e lacrimejantes). Sua frequência é, geralmente, de uma crise de dor a três por dia, em períodos que duram de duas semanas até três meses.

Cefaleia secundária

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No caso da cefaleia secundária, a dor de cabeça aparece como sintoma de outros quadros de saúde, desde sinusite, gripes e resfriados, doenças um pouco mais complexas como a meningite, até doenças neurológicas complexas, como tumores cerebrais e aneurismas. A duração e intensidade das dores variam conforme o tipo e o tratamento das enfermidades.

Tumores e aneurismas

Quando a cefaleia é secundária, alguns critérios são utilizados pelos médicos durante a investigação das possíveis causas para a dor do paciente – especialmente em casos envolvendo suspeita de câncer no cérebro e rompimentos de vasos do órgão.

No caso do segundo, “a dor é muito intensa e é descrita como ‘a pior dor de cabeça da minha vida’ por quem a sente. O incômodo também vem associado a outros problemas neurológicos, como problema na visão, na fala e fraqueza”, detalha o neurocirurgião da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Ainda segundo o médico, a dor de cabeça causada pelo aneurisma costuma aparecer do nada e ser extremamente forte, enquanto a provocada por tumor vem aos poucos e sua intensidade é progressiva.

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“No caso do aneurisma, a sensação é semelhante a uma explosão na cabeça, pois a artéria se rompe. É uma dor muito diferente de qualquer uma que a pessoa já sentiu. Dói a cabeça inteira. O tumor, diferente do aneurisma, cresce paulatinamente. Por isso, é uma dor que vai progredindo. Às vezes, ele comprime um vaso do cérebro e ocorre perda da força do braço ou da minha visão.”

Outros problemas de saúde

Inúmeras outras enfermidades incluem a cefaleia como um dos sintomas principais. A tensão, por exemplo, gera dor na nuca; gripes podem causar dor de cabeça frontal, além de "olhos pesados"; a sinusite gera, além da cefaleia, dor no centro do rosto; vista cansada pode ser identificada por uma sensação de aperto na parte da frente da cabeça em média intensidade, geralmente no fim do dia ou após período de leitura prolongada; e assim por diante.

Desta forma, o ideal é consultar um médio sempre que a dor for anormal, prolongada ou muito forte para identificar sua origem.

Como tratar dores de cabeça

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O tratamento mais comum para as cefaleias – primárias ou secundárias – é a administração de remédios com o intuito de encerrar as crises de dor, o que deve ser indicado por um médico.

Dentre eles, há uma categoria de remédios pouco conhecida que pode ajudar na prevenção das crises de dores de cabeça – especialmente nos casos de cefaleias primárias. “Se as crises são muito intensas, ou se passam de três a quatro vezes por mês, existe a indicação de profilaxia da dor com o uso de neurorremedios”, explica Pereira.

Pereira recomenda que, em casos de dores de cabeça, o ideal é que um médico seja procurado a fim de que seja investigado as causas da cefaleia e seu devido tratamento, já que é necessário estudar, no caso das cefaleias secundárias, por exemplo, se a dor está progredindo e por que, dentre outros fatores.

Dor de cabeça: causas para ficar atento