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Desabafo de padre Fábio sobre depressão mostra erro perigoso ao lidar com a doença

Figura carimbada das redes sociais, onde é conhecido por esbanjar bom humor, o padre Fábio de Melo usou o mesmo canal em que costuma transmitir mensagens positivas ao seguidores para falar de um assunto sério: a depressão.

Desde 2015, Melo precisa lidar com a síndrome do pânico. Em 2017, o diagnóstico de depressão somou-se ao seu quadro de saúde mental.

Em sua conta oficial no Instagram, o padre compartilhou com o público o que sentiu ao descobrir e enfrentar a depressão e chamou atenção para sinais e erros perigosos comuns acerca da doença.

“Há um ano eu enfrentei crise do pânico e um quadro depressivo. Foi o pior momento da minha vida. Aprendi muito com tudo o que vivi.”

Depressão: o que é

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Africa Studio/Shutterstock

A depressão é uma doença como outra qualquer, cujo principal sintoma é a tristeza como um sentimento constante.

“Pode se manifestar durante a maior parte do dia, quase diariamente, por um período de, no mínimo, duas semanas. Se esse sentimento se manifesta durante a maior parte do tempo, pode ser depressão”, alerta o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Psiquiátrica da América Latina (APAL).

Hipóteses sobre as causas da depressão ainda estão sendo formuladas. Uma vertente de especialistas indica que o distúrbio está relacionado com a queda de serotonina no cérebro. Este hormônio é responsável por parte dos neurotransmissores que regulam sono, apetite e humor.

Erro perigoso ao lidar com a depressão

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martin-dm/istock

No texto que compartilhou no Instagram, Melo chama atenção exatamente para a tristeza permanente que sentia no período em que enfrentava a crise de depressão e sua diferenciação para a tristeza comum, que sentimos diante de acontecimentos difíceis na vida.

“Tristeza não é doença, mas quando se estende no tempo, pode ser. É preciso estar atento à duração dela em nós. Há muita ignorância no trato com pessoas depressivas. É comum escutar que é frescura, exagero, falta do que fazer. Quando de fato se trata de um quadro depressivo, não, não é. Só quem sofre sabe”, explica o padre Fábio de Melo.

O alerta feito por ele vai de encontro com a fala de profissionais da saúde mental. “É parte da vida passar por momentos tristes, como o término de um namoro, a demissão de um trabalho, engordar ou emagrecer com aquela dieta insuportável, ser assaltado e assim por diante. Mas são casos pontuais, que passam. O problema começa quando esse sentimento já não é passageiro e começa a debilitar a qualidade de vida desse doente”, diz o psiquiatra da APAL.

Como identificar a depressão

Sintomas para ficar atento

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A depressão é uma doença sorrateira. Afinal, pessoas depressivas podem viver uma rotina normal de vida e trabalho e até aparentam estar felizes.

Porém, além da tristeza potencializada e prolongada - sua principal característica -, a depressão apresenta outros sinais que podem ajudar na hora de identificar a doença.

Mudanças no comportamento, humor deprimido, perda de interesse em atividades que eram prazerosas, cansaço e fadiga, dores no corpo, atenção e concentração prejudicadas, autoestima e autoconfiança reduzidas, falta de esperança, sentimento de culpa e inutilidade e alterações de sono e apetite são alguns sintomas comuns da depressão.

Estágios da depressão

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Para entender mais sobre os sinais da depressão, é importante saber os estágios que a doença apresenta: leve, moderado e grave.

A depressão leve é a forma "branda" da doença. Normalmente, pessoas que se enquadram nesta categoria do distúrbio são consideradas pessimistas, mal-humoradas e tristes por outros que a cercam.

A forma moderada da depressão traz impactos nas atividades do indivíduo. É comum ocorrer diminuição das funções de rotina diária, queda do rendimento profissional e prejuízo nos relacionamentos. "Este período é marcado por uma sobrecarga que vai cansando o depressivo pouco a pouco até que fica o estágio de inércia, ou seja, quando não há nenhuma estratégia de enfrentamento para reagir", conta a psicóloga Tatiane Paula Souza

Já o quadro grave da depressão tem como característica o descontrole, isolamento e prejuízo dos vínculos afetivos, familiares e profissionais. “Por mais que o indivíduo pense em esconder como se sente, ele não consegue pois essa fase abrange um importante comprometimento dos padrões de vida.”

Tratamento para a depressão

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GeorgeRudy/istock

Segundo da Silva, a combinação entre medicamentos e psicoterapia é a forma mais efetiva de se tratar a depressão.

“Nos casos mais leves, a psicoterapia é suficiente para devolver ao indivíduo a qualidade de vida, ao mudar padrões de comportamento. Mas para casos moderados a graves, o uso do medicamento é imprescindível (...) As pessoas precisam entender que a depressão é uma doença, que necessita do acompanhamento adequado e, na maioria das vezes, com uso de remédios.”

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