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Caso "Dr. Bumbum" alerta para cuidados antes de procedimento estético: veja 7 deles

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Reprodução/TV Globo

Os riscos com a cirurgia plástica voltaram a chamar a atenção depois que o médico Denis Furtado, conhecido como Dr. Bumbum, foi acusado de ser responsável pela morte da bancária identificada como Lilian Calixto.

Lilian faleceu no Rio de Janeiro no último sábado (14) e a família afirma que a morte está relacionada a uma bioplastia, procedimento estético feito por ela nos glúteos.

O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) abriu sindicância para apurar as denúncias, como a realização do procedimento na residência de Furtado, levantadas pelo parentes de Lílian.

As conclusões das investigações serão enviadas aos Conselhos Regionais de Medicina em que o médico possui cadastro – Goiás e Distrito Federal, uma vez que ele não é inscrito no Cremerj. O órgão fluminense também encaminhou um comunicado sobre o caso à Polícia Federal. Atualmente, Furtado é considerado foragido pelos agentes policiais.

O VIX conversou com especialistas da área cirurgia plástica, bem como membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) para entender o que devemos fazer para evitar riscos como este.

Cuidados antes de cirurgias plásticas e procedimentos estéticos

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SibFilm/Shutterstock

A escolha do cirurgião plástico é o mais importante de tudo

Ao buscar um profissional para fazer uma cirurgia plástica ou outro procedimentos estéticos, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) recomenda que o paciente procure o maior número possível de informações sobre o profissional.

“A formação, a especialidade e se ele tem condições de exercer a função. É importante ir no site da SBCP e ver se o nome do especialista consta lá. Se não estiver, quer dizer que ele provavelmente não fez cirurgia plástica ou não pertence à Sociedade”, diz Leandro Pereira, diretor da SPCB.

Além disso, é recomendado verificar se o médico está cadastrado no Conselho Regional de Medicina do estado em que o procedimento será realizado ou no site do Conselho Federal e Medicina. “Acessando o site do conselho. Se o especialista for atender mais de um estado, dois, por exemplo, são dois cadastros; três estados, três CRMs”, explica Nívio Lemos Moreira Junior, conselheiro do Cremesp.

Não é qualquer médico que deve fazer esses procedimentos

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PapaPorpor/Shutterstock

É comum que outros médicos que não são especializados em cirurgias plásticas realizem pequeno procedimentos estético. A prática não é proibida, segundo Pereira.

“Pelo código médico do Brasil, a partir do momento que a pessoa se forma, ela pode exercer qualquer atividade da medicina. Mas é um código antigo, tem mais de 50 anos. Legalmente, o colega pode fazer. Mas é diferente, mas ele pode responder por imperícia, negligencia, uma séria de coisas.”

O cirurgião plástico e membro da SBCP Giancarlo Dall´Olio ressalta que o especialista em cirurgia plástica tende a ser melhor capacitado para a área. “O dermatologista é habilitado e tem capacidade, mas para procedimentos não-invasivos”

Cada cirurgião plástico leva em média 11 anos para se tornar um profissional da área – seis anos de faculdade, dois anos em residência de cirurgião geral e mais três anos especializando-se em cirurgia plástica.

Não confie cegamente em redes sociais do médico

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PixieMe/Shutterstock

As redes sociais são ótimo instrumento de apresentação do trabalho de qualquer profissional. Não seria diferente para médicos. Contudo, os especialistas devem saber que tipo de conteúdo publicar neste canal ao optar por ele divulgar o que realizam.

“Existe um código de ética médica a ser seguido. Não é permitido, por exemplo, prometer resultados, publicar fotos de pacientes”, conta o cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Giancarlo Dall´Olio.

Para não cair em arapucas, o médico recomenda que o paciente realize uma investigação completa sobre o profissional com quem deseja realizar o tratamento.

“A melhor solução é conhecer o especialista pessoalmente, consultar seu registro na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Não é uma rede social que vai falar se ele é bom ou não.”

Avaliações médicas pelo WhatsApp são ilegais

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Rahul Ramachandram/Shutterstock

Além de ser uma prática irresponsável, avaliações médicas feitas por WhatsApp são ilegais. “É proibido e antiético. Nunca que, ao observar uma foto, eu tenho direito de indicar um procedimento [ao paciente]. A consulta é indispensável”, alerta Dall´Olio.

O local onde será feito o procedimento pode dizer muito

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Uma das acusações apontadas contra Furtado refere-se à prática de procedimentos estéticos na residência do médico.

Segundo os cirurgiões plásticos consultados pelo VIX, o local ideal para que um procedimento estético seja realizado depende do que ele demanda – mas nunca em casa.

“É preciso respeitar o corpo humano, não é brincadeira. A residência de ninguém é local. Talvez a minha clínica não seja, dependendo do porte que eu for fazer. Mas um Botox é possível se fazer na clínica, sim, desde que haja adequação”, diz Dall´Olio.

Consultórios médicos, clínicas e hospitais devem ser sempre aprovados pela Anvisa para que cirurgias e outras técnicas sejam realizados no local.

Em alguns casos, é crucial que haja equipe especializada

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kotin/shutterstock

A equipe que acompanha o profissional responsável pelo procedimento varia conforme as necessidades da técnica médica realizada.

“Um preenchimento precisa de uma enfermeira para ajudar. Já uma cirurgia, um anestesista, acompanha o cirurgião, por exemplo. Além do próprio hospital, que oferece o material”, comenta Pereira.

“A aplicação de botox, por outro lado, pode ser feita no consultório, desde que esse ofereça condições, e não tem obrigatoriedade de equipe de auxílio”, conclui.

É preciso saber muito bem quais substâncias serão usadas (e como)

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A bioplastia, técnica médica de preenchimento com substâncias variadas, não é a única alternativa para quem procura aumentar a região glútea, mas vem se popularizando cada vez mais.

Os especialistas indicam alternativas de preenchimento corporal, como o implante de silicone próprio para os glúteos e o enxerto de gordura (retirada do próprio paciente com lipoaspiração e realocada na parte posterior do corpo).

O PMMA (polimetil-metacrilato ou acrílico) se tornou uma substância comumente usado em bioplastias e ele não é proibido no Brasil. Seu uso é recomendado para pacientes soropositivos, para a bioplastia facial. Nestas pessoas, é comum que a pele retraia na região do rosto como efeito colateral dos medicamentos usados no tratamento contra o HIV.

Contudo, o uso do PMMA não é recomendado em larga escala – como na região glútea. “ele é usado em pequenas quantidades e para fins não-estético. Aqui estamos falando de 500 ml, 1 litro. É um absurdo”, alerta Pereira.

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O uso em grande escala do PMMA não é recomendado pelos efeitos maléficos que a substância pode oferecer ao organismo. “O acrílico tem uma característica de penetrar e se espalhar e ser difícil de remover do corpo. Só o fato de não poder ser retirado é um problema. Às vezes, a solução é tentar tirar o máximo possível, mas isso implica em cicatrizes grandes”, explica Pereira

A longo prazo, o PMMA pode trazer complicações mais séria, como infecções, que podem se agravar em um quadro de sepse, e a própria necrose da região.

Outro risco que o PMMA traz diz respeito à embolia pulmonar. “A injeção de qualquer substância pode atingir um vaso sanguíneo e fazer com que a substância chegue aos pulmões”, conta o cirurgião plástico Newton Roldão.

Os especialistas lembram que qualquer procedimento, bem como qualquer substância aplicada ao corpo oferecem riscos.

Entretanto, há alternativas para que práticas como a bioplastia sejam realizadas de maneira mais segura e sem riscos à vida. “O risco em preenchimento é extremamente baixo se for feito adequadamente. O PMMA é um produto é definitivo no organismo, mas existe o ácido hialurônico como alternativa. Ele não tem que ser retirado do corpo, porque é reabsorvido por ele, e não gera problemas futuros”, diz Pereira.

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