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Surto de sarampo no Brasil alerta para importância da vacina: quem deve tomar?

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O recente aumento nos números de sarampo, principalmente na região Norte, colocaram o Brasil em alerta. A doença havia sido erradicada em 2001 e seu retorno, além de indicar um problema grave de saúde pública, redobra a necessidade da vacina.

Por isso, o Ministério da Saúde lança em 6 de agosto a Campanha Nacional de Vacinação Contra a Poliomielite e Sarampo e todas as crianças com idade entre 1 e 5 anos devem se vacinar novamente, mesmo que já tenha recebido as doses antes.

Entenda a seguir quem mais deve tomá-la e como o sarampo afeta o corpo.

Surto de sarampo no Brasil

Até o dia 01 de agosto, de acordo com o Ministério da Saúde, 742 casos de sarampo foram confirmados no Amazonas, 4.470 permanecem em investigação. O estado de Roraima confirmou 280 casos da doença e 106 continuam em investigação.

Os surtos que ocorrem nos dois estados estão relacionados à importação, o que foi comprovado devido à identificação do genótipo do vírus (D8), que é o mesmo que circula na Venezuela.

Além disso, alguns casos isolados e relacionados à importação foram identificados nos estados de São Paulo (1), Rio de Janeiro (14); Rio Grande do Sul (13); Rondônia (1) e Pará (2).

Sarampo: o que é?

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Kateryna Kon/Shutterstock

O sarampo é uma doença viral infectocontagiosa, muito comum em crianças, transmitida por secreções das vias respiratórias – seja por meio do espirro ou pela tosse . A doença é considerada de potencial grave, já que sua transmissão é extremamente alta.

“A taxa de ataque do sarampo é de 90%. Por isso vira surto fácil. Se uma pessoa com sarampo entrar em uma sala com dez outras, nove vão pegar. É uma doença altamente contagiosa. Ele consegue permanecer em suspensão no ar. Mesmo se você não tem contato pelo ambiente”, explica Rosana Richtmann, Infectologista do Instituto Emílio Ribas.

Além do alto risco de transmissão, o sarampo traz preocupações por suas possíveis complicações, que podem acarretar em problemas pulmonares, no sistema nervoso central e em casos extremos em morte.

Sintomas do sarampo

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NatUlrich/Shutterstock

Os principais sintomas do sarampo são de ordem gripal, como febre, catarro, secreções, tosse perssistente, as conhecidas manchas avermelhadas pelo corpo e irritação ocular (conjuntivite).

O diagnóstico é feito a partir de exames clínicos e em caso de dúvidas o médico pode solicitar um exame laboratorial (de sangue) para confirmar o quadro de sarampo.

Vacina contra o sarampo: quem deve tomar?

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Ananchai Phuengchap/Shutterstock

A vacina contra o sarampo é feita no Brasil a partir de uma combinação com outras duas, a da rubéola e a da caxumba, e por isso ela são conhecida como tríplice viral.

A recomendação da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIN) é que a primeira dose aconteça a partir do 12º mês de vida e a segunda entre o 15º mês e o 2º ano de vida.Crianças mais velhas que não tomaram a vacina também devem recebelá-la.

Dado o surto que acontece em estados do Brasil, o Ministério da Saúde recomenda que toda criança com idade entre 1 e 5 anos tome a vacina novamente na Campanha Nacional de Vacinação Contra a Poliomielite e Sarampo, independente de já ter tomado antes. A campanha vai de 6 de agosto ao dia 31 do mesmo mês.

Na vacina está presente o vírus inoculados do sarampo, enfraquecido em laboratório, que ajuda o organismo a desenvolver uma memória imunológica à doença.

“O vírus vacinal estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos contra o sarampo. Quando o paciente entra em contato com o vírus normal, ela já tem o anticorpos e não desenvolve os sintomas típicos da doença”, esclarece Ana Karolina Marinho, coordenadora do Departamento Científico de Imunização da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).

Quem não deve vacinar-se contra o sarampo

A exceção cabe apenas a crianças menores de seis meses, a gestantes, e a pessoas que realizam tratamentos médicos que deixam o sistema imunológico debilitado - caso as doses da vacina estejam adiantadas ou atrasadas pelo calendário recomendado pela SBIN.

“O bebezinho não tem maturidade imunológica antes dos seis meses e gestantes e pessoas que fazem quimioterapia, por exemplo, ficam com a imunidade baixa, comprometida na gestação e no tratamento de enfermidades. Em teoria o vírus vacinal poderia causar uma doença semelhante ao sarampo”, explica Ana Karolina.

Além disso, o Ministério da Saúde recomenda que pessoas com suspeita de sarampo não sejam vacinadas.

Por que é importante vacinar-se contra o sarampo

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Lolostock/Shutterstock

De acordo com os especialistas, a vacinação é a melhor aliada para prevenção, controle e erradicação doenças como o sarampo. Eles ainda reforçam para que as doses não sejam negligenciadas no calendário vacinal.

“Existiu a falsa sensação de segurança das pessoas em achar que não precisavam mais se vacinar contra doenças [como o sarampo]. Além disso, campanhas antivacinais nas redes sociais fizeram com que muitos deixassem de se vacinar por medo. Isso abre espaço para doenças como o sarampo e como a poliomielite retornem”, alerta Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza, infectologista e membro da Sociedade Paulista de Infectologia.

“Por que temos o surto? Pela baixa adesão à vacinação. As pessoas esqueceram que doenças como o sarampo existiam e não entendem a gravidade dela. Essas doenças existem, sim, e são graves”, completa Ana Karolina.

E já que estamos em surto, é fundamental tomar a vacina para não permitir que o vírus passe a circular de maneira cada vez mais intensa.

Doenças e seus perigos: como combatê-las