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Vacina da febre amarela: onde tomar, quem pode, validade + todas as dúvidas tiradas

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Crystal Eye Studio/Shutterstock

Com o número de casos aumentando desde o final de 2017, o Ministério da Saúde lançou uma campanha de vacinação contra a febre amarela em três estados brasileiros. Habitantes de 77 municípios de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia receberão a dose fracionada ou integral da imunização.

A estimativa do órgão é que 21,7 milhões de pessoas destes municípios sejam vacinadas — sendo 16,5 milhões com a dose fracionada e outras 5,2 milhões com a dose padrão.

A seguir, tire as principais dúvidas sobre o tema.

Vacina contra a febre amarela  

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Artemida-psy / Nikelser / Shutterstock

Quem deve tomar?

A nova campanha de vacinação visa brecar o avanço da doença nos locais em que há registros de casos e suspeitas. Portanto, essas regiões receberam as doses da vacina.

Todas as pessoas que não têm contraindicação podem tomar a vacina contra a febre amarela, independente de viverem ou não em regiões consideradas de risco. No entanto, os órgãos de saúde reforçam que a preferência continua sendo de quem mora, trabalha ou irá viajar para essas áreas, que são as de mata ou que registraram ocorrências da doença.

“É indicada para todas as pessoas a partir dos 9 meses de idade. Até mesmo idosos podem tomar, mas é preciso que, a partir dos 60 anos, aconteça uma conversa com um médico, pois é natural que a imunidade seja mais fraca”, afirma o médico Munir Ayub, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

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africastudio/shutterstock

Portanto, áreas em que casos ou suspeitas foram registrados estão nesta lista, bem como regiões de mata no geral — mesmo sem casos registrados.

“Isso porque há dois tipos de febre amarela, a silvestre e a urbana. Até o momento, os casos são da silvestre, portanto, só quem está por perto dessas áreas deve realmente se preocupar com a vacinação”, fala o especialista.

Quem vai viajar para algum país em área de risco também precisa se imunizar. É o caso da Bolívia, Paraguai, Colômbia e América Central.

O médico reforça, no entanto, que não há motivo para correria ou desespero de pessoas que estão fora da área de perigo.

Quando tomar?

Como o número de casos no Brasil tem aumentado a cada dia, desde o final de 2017, o Ministério da Saúde irá lançar uma campanha de vacinação, para aumentar o número de pessoas imunizadas, a partir de 24 de janeiro até meados de março de 2018.

Fora dos períodos de surto qualquer pessoa pode se vacinar, tanto em postos de saúde, quanto na rede privada, desde que não haja contraindicação. 

Vacina em farmácias

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wavebreakmedia / ShutterStock

Desde dezembro de 2017, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permitiu a qualquer estabelecimento de saúde realizar atividade de vacinação, incluindo drogarias.

Há uma série de requisitos mínimos para o funcionamento de estabelecimentos que oferecem a vacinação, como capacitação de profissionais, instalações adequadas, procedimentos para o encaminhamento e atendimento imediato às intercorrências.

Os locais licenciados são aqueles registrados no Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES).

Nas farmácias, só poderão tomar vacina adultos com receita médica. O preço varia entre R$ 130 e R$ 140.

Vacina fracionada ou padrão: qual a diferença?

Dr. Ayub explica que a vacina com dose integral e fracionada são a mesma. No entanto, em casos de surto, como o de agora, não há vacinas para toda a população, e o Ministério da Saúde precisa fracionar a dose.

“Uma única dose é dividida em 5. A vacina continua sendo a mesma, porém, a validade dela é menor, gira em torno de 8 anos, enquanto a outra dura a vida inteira”, diz o infectologista.

Os únicos grupos que receberão a dose integral da vacina pela campanha são: crianças de 9 meses a menores de dois anos; pessoas com HIV/Aids; pacientes no final do tratamento de quimioterapia; gestantes; viajantes internacionais. No entanto, estes grupos só poderão receber a imunização após a avaliação de um médico.

Já a dose fracionada será recomendada para as demais pessoas a partir dos dois anos de idade.

Quem não deve tomar a vacina contra a febre amarela?

Há pessoas que possuem contraindicação ou precisam se consultar com um profissional de saúde antes de tomar a vacina, que são:

  • Pessoas com imunidade debilitada, como pacientes com AIDS, câncer, anemia, lúpus e/ou diabetes descontrolada, independente da idade.
  • Idosos acima de 60 anos, por conta da baixa imunidade decorrente da idade, possíveis usos de medicamentos, como corticóides, e outras doenças associadas.
  • Gestantes e lactantes. “Quando a mulher é gestante, ela é imunodeprimida e pode passar o vírus para o feto, que não está vacinado. Depois dos 9 meses, mãe e bebê podem ser vacinados tranquilamente”, comenta o médico.
  • Quem tem alergia a ovo, pois o vírus é cultivado na clara do alimento. “Mas vale lembrar que é alergia severa e não um desconforto após comer o alimento. Estamos falando de pessoas que não comem bolo, maionese e massas, por exemplo”, diz o médico. Portanto, se há dúvida, procure saber antes se realmente há alergia ao ovo.

Há casos em que, mesmo no grupo de contraindicação, o médico opta por dar a vacina. Portanto, é indicado sempre conversar com seu médico antes de tomar qualquer decisão.

Quem não pode tomar vacina deve adotar uma série de táticas para impedir o contato com o mosquito (veja abaixo).

Estou fora da área de risco: posso tomar mesmo assim?

Poder, pode. Mas os órgãos de saúde recomendam que a campanha de vacinação imunize primeiro quem tem prioridade, que são pessoas que vivem, trabalham ou vão viajar para áreas de risco. 

A vacina é segura?

A infectologista Lucy Cavalcanti Vasconcelos, membro da diretoria da Sociedade Paulista de Infectologia (SPI), explica que a vacina é feita do vírus vivo e cultivado em clara de ovo. Porém, ele é atenuado e, por isso, não traz riscos para a saúde do paciente e não produz a doença em pessoas saudáveis e com o sistema imunológico estabelecido.

Mas ela reforça que há grupos de risco nos quais o vírus atenuado pode, sim, gerar efeitos colaterais ou até mesmo não ser eficaz.

Efeitos colaterais da vacina contra a febre amarela

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Oktay Ortakcioglu e Hailshadow/iStock

Efeitos adversos aparecem em uma pequena parcela de pessoas, como vermelhidão, dor e inchaço no local da aplicação, que podem surgir até o segundo dia após a aplicação.

“Há também a possibilidade de febre e em casos raros efeitos mais graves. No entanto, eles acontecem justamente em quem não deveria ter se vacinado”, diz Munir Ayub.

Se o indivíduo apresentar febre alta ou qualquer outro sintoma agudo, deve procurar um médico o quanto antes.

Validade

No caso da dose integral, a imunização precisa ser feita uma única vez na vida e tem duração vitalícia.

Já a dose fracionada tem validade de 8 anos, aproximadamente. Após este período, precisa ser renovada.

Portanto, quem já tomou a vacina integral da febre amarela alguma na vez na vida não precisa se preocupar, pois já está imunizado.

Preço da vacina particular

A vacinação contra a febre amarela também está disponível nas redes particulares de saúde. No entanto, por conta da alta demanda das últimas semanas, diversos laboratórios estão com os estoques esgotados.

Como não há um prazo estabelecido para a chegada de novas unidades, as empresas estão orientando os clientes a retomarem o contato com os laboratórios semanalmente para confirmar a disponibilidade da vacina.

O custo gira em torno de R$ 160 a R$ 180.

Vou fazer uma viagem internacional: qual a orientação?

Quem vai viajar para fora do país precisa tomar a dose integral da vacina, pois o Certificado Internacional de Vacinação Febre Amarela não é emitido para a vacina fracionada.

Como evitar a febre amarela: outros métodos

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Maridav/Shutterstock

A Sociedade Brasileira de Infectologia sugere algumas medidas práticas que podem evitar a picada do mosquito, como:

  • Usar camisetas ou camisas de mangas longas e calças compridas, de preferência de cor clara, em áreas de risco.
  • Ficar em locais fechados para evitar a entrada de mosquitos, inclusive dormir debaixo de mosquiteiro e até mesmo adicionar a tela em janelas.
  • Evitar o uso de perfume durante atividades ao ar livre nos ambientes de matas silvestres, pois atrai o mosquito.
  • Usar repelentes adequados. Quando usados como orientado, são seguros e eficazes mesmo na gestação ou amamentação. Converse com seu médico.
  • Não usar produtos com associação de repelente e protetor solar na mesma fórmula. E, quando for usar protetor solar, aplicá-lo antes do repelente.

Cidades que receberão a campanha contra febre amarela

São Paulo: 24 de janeiro a 17 de fevereiro (Dia D: 3 e 17 de fevereiro)

  • Aparecida
  • Arapeí
  • Areias
  • Bananal
  • Bertioga
  • Caçapava
  • Cachoeira Paulista
  • Canas
  • Caraguatatuba
  • Cruzeiro
  • Cubatão
  • Cunha
  • Diadema
  • Guaratinguetá
  • Guarujá
  • Igaratá
  • Ilhabela
  • Itanhaém
  • Jacareí
  • Jambeiro
  • Lagoinha
  • Lavrinhas
  • Lorena
  • Mauá
  • Mongaguá
  • Monteiro Lobato
  • Natividade da Serra
  • Paraibuna
  • Peruíba
  • Pindamonhangaba
  • Piquete
  • Potim
  • Praia Grande
  • Queluz
  • Redenção da Serra
  • Ribeirão Pires
  • Rio Grande da Serra
  • Roseira
  • Santa Branca
  • Santo André
  • Santos
  • São Bento do Sapucaí
  • São Bernardo do Campo
  • São Caetano do Sul
  • São José do Barreiro
  • São José dos Campos
  • São Luís do Paraitinga
  • São Paulo
  • São Sebastião
  • São Vicente
  • Silveiras
  • Taubaté
  • Tremembé
  • Ubatuba

Rio de Janeiro: 24 de janeiro a 9 de março (Dia D: 24 de fevereiro)

  • Belford Roxo
  • Duque de Caxias
  • Itaboraí
  • Itaguaí
  • Japeri
  • Magé
  • Mesquita
  • Nilópolis
  • Niterói
  • Nova Iguaçu
  • Queimados
  • Rio de Janeiro
  • São Gonçalo
  • São João de Meriti
  • Seropédica

Bahia: 19 de fevereiro a 9 de março (Dia D: 24 de fevereiro)

  • Camaçari
  • Candeal
  • Itaparica
  • Lauro de Freitas
  • Mata de São João
  • Salvador
  • São Francisco do Conde
  • Vera Cruz

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