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Câncer violento de Marcelo Rezende afetou 2 órgãos vitais: entenda caso do apresentador

Publicado em 15/05/2017; atualizado em 16/09/2017

O apresentador do programa “Cidade Alerta” Marcelo Rezende morreu aos 65 anos, quatro meses após descobrir um câncer no fígado e pâncreas. Internado desde o dia 12 de setembro, no Hospital Moriah, após sentir dores, ele teve falência múltipla dos órgãos. O tumor agressivo afetou dois órgãos vitais.

O apresentador, que chegou a iniciar o tratamento de quimioterapia logo após a descoberta, desistiu do método tradicional e adotou um tratamento alternativo baseado em uma dieta anticâncer

Câncer de Marcelo Rezende

Como ele descobriu? 

De acordo com o apresentador, os sintomas começaram a surgir cerca de um mês antes do diagnóstico. O primeiro foi cansaço ao acordar e o segundo foi a aversão a uma bebida que ele adora, o vinho, e a falta de apetite. “Eu fui abrir um vinho para tomar uma taça. Quando eu olhei o vinho, não quis, nem abri. Eu tomei um susto”, relembra.

Na semana seguinte, Marcelo foi submetido a uma bateria de exames. “O médico disse: ‘Eu não tenho uma boa notícia para você’. Deu que eu tinha um tumor no pâncreas que irradiou para o fígado”, comenta.

Câncer de pâncreas com metástase no fígado

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S K Chavan/Shutterstock

O pâncreas age no processo digestivo e possui a função de produzir hormônios importantes, como a insulina. Já o fígado é responsável por metabolizar grande parte dos alimentos que ingerimos e processar remédios e hormônios.

O cirurgião oncologista Felipe Coimbra, diretor do departamento de cirurgia abdominal do A.C Camargo Câncer Center, afirma que o câncer de pâncreas é mais comum em homens, muito mais frequente em pessoas idosas e tem o tabagismo como um dos seus principais fatores causadores.

“Este câncer afeta pessoas com 60, 70 anos com muito mais frequência e o tabagismo é um fator de risco. Fumantes têm até 3 vezes mais chances de ter câncer no pâncreas”, explica o especialista.

Outro problema é que as chances de metástase na fase inicial são grandes, e o fígado é um dos principais órgãos afetados. “O fígado funciona como filtro do sangue que vem do abdômen, então é comum uma célula cancerígena ir de um órgão ao outro”, comenta o oncologista.

Sintomas

Na fase inicial, são poucos os sintomas, o que dificulta o diagnóstico da doença. “Pode haver alguma alteração na glicose. Se for um tumor um pouco maior, podem acontecer dores abdominais e nas costas. Quando o tumor surge na cabeça do pâncreas, pode acontecer também de a pessoa ficar amarelada. São sintomas que são confundidos com outras doenças facilmente”, explica Coimbra ao afirmar que esta fase também pode ser assintomática.

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Odua Images/Shutterstock

Perda de apetite, fadiga, náusea, mudanças no intestino, fraqueza e emagrecimento também são sintomas decorrentes de tumores abdominais, inclusive de tumores do pâncreas.

Além disso, obesidade e diabetes também podem ser sintomas, mas, principalmente, consequências da doença, já que podem surgir em consequência do mau funcionamento do pâncreas.

Caso a pessoa sinta algumas destas alterações, deve procurar um médico para que ele faça uma avaliação e, se necessário, a encaminhe a um especialista.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito com exames de sangue, de imagem, como tomografia e ressonância magnética, e também com um exame chamado ecoendoscopia.

Com os resultados em mãos, o médico faz uma avaliação dos órgãos abdominais e indica, se necessária, uma biópsia.

Tratamento

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napocska/Shutterstock

“O tratamento depende muito do estadiamento da doença, que é a fase em que ela está. Se já aconteceu uma metástase ou são grandes os riscos de metástase, o mais indicado é a quimioterapia. A radioterapia e a cirurgia são mais indicados para um tratamento localizado”, explica Coimbra.

Contudo, em alguns casos, é necessário um tratamento combinado. Ou seja, o paciente inicia fazendo a quimioterapia para depois fazer uma cirurgia. “O tratamento precisa ser constantemente reavaliado para observar a resposta do paciente. As chances de cura dependem da resposta de cada um ao tratamento”, comenta o oncologista do A.C Camargo. 

Câncer no pâncreas tem cura?

Coimbra explica que o tipo mais comum de câncer no pâncreas é o adenocarcinoma e que as chances de cura são de 20% a 30%. Quando o tumor é neuroendócrino, a chance de controle a longo prazo é maior. 

Por ser de difícil detecção, o câncer de pâncreas apresenta taxa de mortalidade alta. "Quando ocorre metástase, a sobrevida é de 5 anos na média. Mas não é possível estipular isso no início do tratamento porque depende muito da forma como o paciente reage ao tratamento. Existem casos de pacientes que vivem muito mais do que isso", comenta o oncologista. 

Alertas contra o câncer